A Bahia foca no comércio exterior

Publicado quinta-feira, 28 de abril de 2022 às 06:04 h | Atualizado em 27/04/2022, 21:04 | Autor: [email protected]
Fundamental política de governo buscando diversificar a economia
Fundamental política de governo buscando diversificar a economia -

A Bahia é tradicionalmente uma economia exportadora. Desde a colonização com o pau-brasil, depois o açúcar e o cacau, nossos vínculos econômicos com o exterior sempre foram fortes. Mas a partir da segunda metade do século XX tem início um processo de industrialização, com a Petrobras, o Centro Industrial de Aratu e o Polo Petroquímico mudando o eixo da economia estadual para a produção de bens intermediários e, já no fim do século XX, com a produção de automóveis, pneus, calçados e informática, se intenta um modelo produtor de bens finais. O vínculo baiano com o mercado exterior se manteve, mas a pauta de importações passava a ter uma maior quantidade de bens finais, e a essa altura o cacau já tinha reduzido a participação nas exportações. 

No momento atual, com o fechamento da Ford e de outras empresas de manufaturas, a Bahia está ampliando seu comércio exterior, mas agora focando quase que inteiramente em commodities. Parte dessa mudança é conjuntural, por conta do aumento dos preços das nossas commodities no mercado internacional, mas outra parte é estrutural e indica que a Bahia, que já foi uma economia mais industrializada, está voltando a ser um produtor de matérias-primas. 

No primeiro trimestre de 2021, por exemplo, as exportações baianas atingiram US$ 2,51 bilhões, um recorde histórico, representando um aumento de 41% em relação a igual período do ano anterior. Há um componente conjuntural, pois um dos principais responsáveis por esse desempenho foi a Refinaria de Mataripe, que triplicou o volume exportado de derivados de petróleo, no primeiro trimestre de 2022. Isso aconteceu porque, diferente de quando era administrada pela Petrobras que trabalhava com capacidade ociosa, a Acelen, que hoje controla a Refinaria, em três meses aumentou a produção de 220 mil barris/dia para 280 mil, um crescimento de 27%. Com isso, elevou a produção industrial baiana e a arrecadação de impostos e voltou a ser a maior exportadora da Bahia, responsável por 25% do total exportado. 

A soja, que havia tomado o lugar do cacau e liderava a pauta de exportação, ficou em 2º lugar, mas com desempenho impressionante, pois, no  trimestre, aumentou o valor exportado  em 400% em relação a 2021, saltando de US$ 59 milhões para US$ 294 milhões. Tanto em relação à soja quanto ao petróleo houve o efeito da elevação do preço das commodities por causa da guerra da Ucrânia, mas em ambos os casos a quantidade exportada também cresceu muito, triplicando, no caso dos derivados de petróleo, e quadruplicando no caso da soja. E a ampliação do comércio exterior não se deu apenas por conta das exportações, mas também por conta das importações, fazendo a corrente de comércio da Bahia se aproximar de 30% do PIB e consolidando o foco da economia baiana no comércio exterior. Mas a diferença entre as exportações de antes e as de agora é que há poucos bens finais nas vendas baianas. Entre os 10 produtos mais vendidos da Bahia, todos são commodities:  óleo combustível, soja, celulose,  algodão, produtos petroquímicos, níquel, ouro, café, cobre, ferro-silício. E essa especialização vai se aprofundar com o aumento das exportações de ferro da Bamin Mineração. 

Esse cenário tem suas vantagens, pois gera movimentação econômica, com serviços de todo tipo, inclusive logísticos e de apoio à produção. Mas também tem desvantagens, pois tende a gerar menos emprego do que a produção de bens finais e deixa a economia sujeita aos ciclos internacionais e dependente dos preços no mercado externo. Assim, torna-se fundamental uma política de governo buscando diversificar a economia baiana, internalizar os benefícios da produção para exportação e atrair empresas interessadas em beneficiar internamente o que se produz aqui.

O petróleo em Sergipe

Estimava-se que a exploração de petróleo em águas ultra profundas em Sergipe poderia viabilizar 20 milhões de m³ por dia de gás natural, o equivalente a 35% da produção brasileira. Mas multinacionais, como a ExxonMobil, estão prospectando e recentemente foi anunciado uma nova área offshore com capacidade de 1 bilhão de barris de petróleo e gás, o que seria um dos maiores poços do mundo. A previsão não se concretizou, mas a exploração continua. A Bacia de Alagoas e Sergipe vai produzir nos próximos cinco anos 240 mil barris  por dia, ou mais, e será a segunda maior bacia de petróleo e gás do País.  E abre-se perspectivas de negócios em diversos setores e na área de serviços, inclusive na Bahia.

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