A Bahia, o mercado livre e o fulfillment
Confira a coluna de Armando Avena

Fulfillment é um termo utilizado nos e-commerces e nas lojas virtuais para se referir ao gerenciamento e à execução das atividades logísticas necessárias para atender aos pedidos de uma loja. Em três palavras, significa: estoque + separação + envio e explica por que o leitor pode comprar um produto hoje e recebê-lo amanhã ou dois dias depois.
A Bahia é a sede do maior fulfillment do Nordeste, localizado em Simões Filho, no eixo da BA-093. Trata-se do Centro de Distribuição do Mercado Livre, instalado no maior condomínio logístico da Bahia e da região, com um complexo de galpões de cerca de 171 mil m² de área bruta locável, em um terreno de mais de 600 mil m², o que já indica a possibilidade de expansão futura.
Os demais gigantes do e-commerce também possuem centros logísticos, mas operam de maneira diferente. A Amazon, por exemplo, tem seu centro em Simões Filho, com uma área logística de cerca de 30 mil m², e utiliza um modelo híbrido, combinando fulfillment regional com last mile e parceiros logísticos, funcionando também como base de distribuição urbana. Já a Shopee possui um centro de distribuição menor e diversos hubs espalhados pelo estado, pois trabalha em regime de cross-docking, ou seja, sem estocagem: o produto chega e é imediatamente preparado para distribuição.
As grandes varejistas também têm centros de distribuição relevantes na Região Metropolitana de Salvador. É o caso das Casas Bahia, que possui um dos maiores CDs do Nordeste, localizado na Via Parafuso, em Camaçari, com cerca de 69 mil m², atendendo também Sergipe e Alagoas. Outro exemplo é o Magazine Luiza, que mantém seu centro de distribuição em Candeias, com cerca de 40 mil m².
Mas por que a Bahia tem sido escolhida para sediar esses condomínios logísticos? A explicação está na infraestrutura, com fácil acesso às principais rodovias (BR-324 e BR-101), o que facilita a distribuição para o interior, além da proximidade com o Porto de Aratu e o Porto de Salvador. Além disso, os incentivos fiscais também ajudam na atração desses investimentos.
A Bahia, contudo, não é o estado com maior número de operadores de e-commerce. Esse posto é de Pernambuco, que possui um modelo de hub mais diversificado. Já o Ceará conta com um hub logístico de e-commerce onde estão presentes três das maiores empresas de vendas on-line, com centros de distribuição na faixa de 65 mil m² (Amazon), 25 mil m² (Magazine Luiza) e 17 mil m² (Shopee). O município de Itaitinga tornou-se um concorrente direto da Bahia na disputa pelo posto de hub regional.
A Bahia, por sua vez, abriga grandes indústrias, e muitas delas possuem centros de distribuição quase tão grandes quanto o Mercado Livre. É o caso da Ambev, em Camaçari, que mantém o maior hub da empresa no Nordeste, com área total na faixa de 100 mil m², considerando a fábrica e a estrutura logística. Trata-se de uma das maiores unidades da Ambev no mundo, que recentemente recebeu investimentos superiores a R$ 75 milhões em novas linhas, ampliando a produção e a capacidade logística.
Além dele, há centros logísticos importantes, como os da Coca-Cola FEMSA e do Grupo SC (Santa Cruz/Panpharma), com áreas na faixa de 70 mil m², e o do Assaí Atacadista, com cerca de 50 mil m².
Vale lembrar que, no novo modelo logístico, os centros de distribuição de algumas empresas de varejo são alugados, como é o caso do Mercado Livre e Amazon, cujos galpões são alugados da GLP Brasil, empresa internacional de condomínios logísticos. Outras têm CDs próprios como Casas Bahia e Assaí Atacadista, do mesmo modo que as grandes indústrias costumam ter imóveis próprios, integrados às suas operações produtivas e de abastecimento.
O fato é que a Bahia tem posição estratégica e tem condições de se tornar um grande hub logístico, basta investir nessa área, especialmente na infraestrutura, potencializando as vantagens competitivas da Região Metropolitana de Salvador, um ponto nodal da rede logística, e de Feira de Santana que tem o maior entroncamento rodoviário do Nordeste.
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