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Por Armando Avena

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Publicado | Autor: Armando Avena - A TARDE

A BYD está virando um complexo industrial integrado

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Fábrica da BYD em Camaçari
Fábrica da BYD em Camaçari -

A chegada da BYD à Bahia foi, inicialmente, marcada por um modelo industrial típico de entrada: a operação SKD (Semi Knocked Down), baseada na montagem de kits importados. A ideia era reduzir riscos, testar o mercado e só depois iniciar a produção. Felizmente, esse estágio está ficando para trás e a BYD está se transformando numa grande montadora local.

Uma combinação de fatores, especialmente a mudança no ambiente tributário, está acelerando a transição. A retomada gradual do imposto de importação sobre veículos eletrificados, iniciada pelo governo federal em janeiro e com previsão de atingir até 35% em julho, alterou a equação econômica. Com o imposto, importar kits desmontados deixou de ser tão vantajoso. E a resposta da empresa parece ser acelerar a nacionalização.

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O movimento já é visível. A implantação do segundo turno e, agora, a preparação para um terceiro turno, anunciado esta semana, indicam aumento consistente de produção e confiança na demanda. O mais relevante, porém, é que a BYD caminha para se tornar, progressivamente, uma fabricante com cadeia produtiva local.

A empresa já emprega diretamente 5,8 mil funcionários, tem cerca de 3.700 trabalhadores terceirizados envolvidos nas obras das áreas de estamparia, soldagem e pintura e o complexo industrial já se aproxima de 10 mil pessoas mobilizadas.

E a adoção do terceiro turno estabelece o sistema de montagem contínua de veículos. Mais que uma simples montadora, a BYD parece estar implantando um ecossistema integrado com produção local, desenvolvimento tecnológico e infraestrutura, com a operação industrial na Bahia e um centro de pesquisa no Rio de Janeiro.

O complexo de Camaçari será a base industrial com produção de partes, peças e componentes. E a divisão de motores já vem contratando mão-de-obra.

A empresa vem, por outro lado, intensificando o contato com fornecedores locais, buscando internalizar etapas produtivas, que envolvem desde autopeças até sistemas mais complexos.

Além da questão tributária, outros fatores aceleraram a transição. A empresa já tem contratos de exportação da ordem de 100 mil veículos para países do Mercosul, o que muda a lógica da planta, que deixa de atender apenas o mercado interno brasileiro e passa a operar como base exportadora regional.

E, para fortalecer sua posição no mercado, a BYD trabalha com a meta de instalar até mil pontos de recarga ultrarrápida no Brasil até 2027, inicialmente associada à marca Denza.

A meta projetada pela empresa aponta para um nível significativo de nacionalização até 2027 ou 2028, possivelmente na faixa de 60% a 70% de conteúdo local. Se confirmada, essa proporção colocará a operação baiana em outro patamar: não mais como uma simples montadora, mas como um polo industrial integrado.

O fato é que a BYD, que começou como uma montadora de kits importados, está se configurando como um projeto industrial mais profundo, alinhado com as novas condições do mercado e da política industrial brasileira. A consolidação desse processo transformará a Bahia num dos principais polos da nova indústria automotiva eletrificada na América do Sul.

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