ARMANDO AVENA
A economia do forró já começou
Confira a coluna de Armando Avena


Que na Bahia, tudo termina em festa, a gente já sabe. Mas por aqui a festa gera economia e renda. É assim com a chamada economia do axé, a dinâmica econômica gerada pelo Carnaval, e é assim também com a economia do forró, resultado dos festejos de São João.
Segundo o Ministério do Turismo, em 2025, os festejos juninos geraram R$ 7,4 bilhões no país e esse ano o volume financeiro será maior, pois a celebração se dá junto com a Copa do Mundo, que, por si só, já estimula diversos setores da economia.
E o São João tem tanto significado para a população nordestina que a pesquisa Data-Makers/ Sotaq, realizada para o jornal Valor Econômico, demonstrou que a maioria dos brasileiros está mais interessada em festas juninas do que na Copa do Mundo.
Segundo a pesquisa, 42% dos entrevistados estão animados e priorizando as festas juninas e apenas 26% dizem priorizar a Copa.
Cerca de 40% dos entrevistados apontaram as comidas típicas como maior atrativo, enquanto 22% destacaram a possibilidade de reunir familiares e amigos, enquanto 11% disseram valorizar a festa por representar a identidade cultural brasileira.
Na Bahia, 283 municípios terão festejos de São João, gerando uma movimentação financeira, estimada pela Secretaria de Turismo do Estado, entre R$ 2,1 e R$ 2,5 bilhões.
A economia do forró impulsiona setores como comércio, turismo em geral, hotelaria, bares e restaurantes, alimentação, transporte e serviços. E o mês de junho na Bahia é um período em que o trabalho aumenta, o consumo aumenta, a demanda se diversifica e uma renda extra é gerada na economia, beneficiando e reforçando o orçamento das pessoas e das empresas.
Além disso, é um período em que surgem oportunidades de negócios diferenciadas em setores como beleza, vestuário, alimentação, publicidade, transporte e outros.
E tem um detalhe importante, destacado por Maíra Holtz, sócia-fundadora da agência de marketing Estalo, em reportagem do jornal Valor Econômico: é uma festa que chama o povo para o interior, o que significa que leva o poder de compra da capital e de outras cidades para o interior da Bahia. “Enquanto os grandes festivais costumam atrair pessoas do interior para as capitais, o São João faz o movimento contrário”, diz Holtz, enfatizando essa característica dos festejos.
Mas, vale lembrar, isso não significa que as capitais não se beneficiem com o São João. Pelo contrário, Salvador, por exemplo, viu, nos últimos anos, aumentar de forma significativa o fluxo de turistas de outros estados – e mesmo os do interior que vem curtir o São João na capital – que passou a ter atrações e festas. Salvador se posiciona hoje tanto como polo receptivo importante, como polo emissor de turistas
Mas é no interior que a economia do forró se torna impactante. Algumas cidades da Bahia multiplicam por três sua população original com o fluxo de turistas no São João. Em cidades como Cachoeira, Mucugê, Amargosa, Cruz das Almas, Senhor do Bonfim, Lençóis e outras pode-se mensurar o impacto no mercado imobiliário, nos restaurantes, na hotelaria e no mercado informal, onde centenas de barracas vendem todos os tipos de produtos. São João é milho, canjica, forró e economia na veia.