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ARMANDO AVENA

Futebol é dinheiro: a seleção ganha, o Bahia só perde

Confira a coluna de Armando Avena

Armando Avena
Por Armando Avena
Rogério Ceni e Luciano Juba à beira do gramado
Rogério Ceni e Luciano Juba à beira do gramado - Foto: Divulgação | EC Bahia

Até os anos 80, o futebol era sinônimo de competição, não de dinheiro. Tudo começou a mudar no final do século por conta de vários fatores, como a expansão da TV global e via satélite, a criação da Champions League e o investimento pesado de grandes marcas como Nike, Adidas e Coca-Cola. Nos anos 2000, o futebol se deparou com clubes que se tornaram marcas globais, jogadores que viraram celebridades mundiais e a audiência global dos jogos, com direitos de transmissão por TV chegando a valores bilionários e o investimento massivo de grandes empresas. O futebol passou a ser comandado pelo dinheiro.

Não foi nenhuma novidade, já era assim no basquete, no tênis e em outros esportes, e o futebol foi um dos últimos a perceber que era uma mina de ouro. E hoje a Copa é o evento mais assistido do planeta.

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A partir daí surgiram jogadores milionários, publicidade bilionária, empresas, inclusive as famigeradas Bets, ganhando bilhões em torno do futebol, e os próprios campeonatos passaram a ter premiações que se tornaram a razão de ser das competições.

A Copa de 2026 deve distribuir alguma coisa como R$ 4 a 4,5 bilhões em prêmios às seleções.

A seleção brasileira, por exemplo, cujos 26 jogadores convocados foram anunciados pelo técnico Carlo Ancelotti, se vencer a Copa do Mundo de 2026 – e Deus ajude que isso aconteça – vai embolsar, como prêmio, uma quantia estimada em 70 milhões de dólares em premiação direta. Se cair nas oitavas de final, ganha muito menos, mas, só por participar do evento, a seleção já garante algo como 10 milhões de dólares. Os números são aproximados e, vale dizer, quem ganha mais dinheiro nessa história são a Fifa e a CBF – Confederação Brasileira de Futebol. A CBF, por exemplo, embora seja uma associação sem fins lucrativos, tem um faturamento da ordem de R$ 1 bilhão por ano.

O Efeito Copa vai movimentar a economia brasileira. Em primeiro lugar estão os direitos de TV e mídia, e as emissoras pagam caro para transmitir, mas ganham muito mais, pois a publicidade dispara. Há efeitos também no comércio e nos serviços, através de setores como os de comunicação, cultura, marcas e patrocínios, bares, restaurantes, turismo interno e o comércio, que se beneficia com a venda de TVs, camisas e todos os apetrechos que fazem a coreografia da festa.

A verdade é que o futebol é dinheiro e a Copa é uma demonstração disso. Mas, por aqui, os dirigentes de nossos clubes, especialmente os do Esporte Clube Bahia, que é uma empresa e deveria buscar o lucro, parece que ainda não se aperceberam disso.

Na Copa Libertadores, por exemplo, que paga por fase, o Bahia deixou de ganhar milhões por ter sido eliminado, ainda na fase preliminar, para o O’Higgins, um clube com um investimento dezenas de vezes menor que o do Esquadrão. E perdeu mais dinheiro ainda por ter sido eliminado nas oitavas de final pelo Remo, um clube de investimento baixíssimo, que está na zona de rebaixamento do Brasileirão. Se tivesse chegado pelo menos às quartas de final dos dois torneios, o Bahia poderia ganhar mais de R$ 20 milhões.

Rogério Ceni é um bom técnico e tem serviços prestados ao futebol, mas tem um problema: ele não exige do acionista da empresa a mão de obra qualificada para fazê-la funcionar.

Então, Ceni age como um amador, um aficionado por futebol, que não tem um time-base, que faz testes em partidas decisivas, que faz experimentos mudando jogadores de posição, que não treina para as disputas de pênaltis, que não monta jogadas, não prepara e não fortalece adequadamente a atuação dos novos valores e, por aí vai.

Agora, o maior problema dessa empresa Bahia é o CEO, o diretor executivo de futebol, Cadu Santoro, que se mostra incapaz de montar um elenco de primeira, considerando a disponibilidade de recursos que dispõe. Aliás, em termos financeiros, o Bahia deixa a desejar tanto na formação e venda de jogadores, quanto no ganho das premiações.

Quando o futebol é dinheiro, a atuação dos clubes e da seleção tem de ser profissional, focada, sem espaço para improvisações ou testes de última hora. Isso vale para a seleção e vale também para o Esporte Clube Bahia.

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