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Por Armando Avena

ACERVO DA COLUNA
Publicado quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026 às 2:45 h | Autor: Armando Avena - A TARDE

Já é Carnaval, cidade

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Já é Carnaval, cidade. E, na economia, o leitor já sabe que o Carnaval da Bahia é um dos maiores do Brasil e gera emprego e renda. Mas é preciso ter mais cuidado com as estimativas. Não há dúvida de que o Carnaval da Bahia vai movimentar bilhões nos dias de folia. Mas não se pode acreditar nos números divulgados, pois são todos estimativas, com metodologia questionável. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio-BA) diz, por exemplo, que o Carnaval da Bahia deve movimentar R$ 12,4 bilhões, um crescimento real de 6% em relação a 2025. É um número bonito, mas superestimado, afinal, a estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Tur ismo (CNC) para o Carnaval do Brasil em 2026, é de R$ 14,4 bilhões. O Carnaval da Bahia é top, mas não representa 85% do total nacional. No governo do Estado, a estimativa é de uma movimentação financeira da ordem de R$ 8 bilhões em todo o estado. Já a prefeitura de Salvador diz que a cidade terá uma movimentação financeira de cerca de R$ 2,6 bilhões. Os números não batem e são meras estimativas, todas superdimensionadas, mas sem qualquer metodologia. É claro que o setor de comércio, especialmente supermercados, vestuário, combustíveis e cosméticos, vai ter um aumento substancial nas vendas. E o setor de turismo, bem como o setor de serviços, será fortemente impactado, mas não há números que possam medir efetivamente esse impacto. E o mesmo se aplica às estimativas do número de empregos.

Que milhares de empregos temporários são gerados, principalmente em atividades ligadas ao turismo, aos eventos e ao setor de serviços como um todo, a gente já sabe; e que o trabalho informal dá um salto espetacular no período, basta andar pelas ruas no Carnaval para ver. Que muita gente de outros estados vem para cá em busca de alegria e gasta seu dinheiro aqui, é visível. E é certo, por outro lado, que muita gente sai da cidade fugindo do Carnaval para outros destinos no Estado, estimulando a economia desses lugares. O Carnaval é uma engrenagem que move centenas de polias, mas não há números oficiais. Aliás é hora da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais, órgão oficial de estatística do Estado, entrar no circuito e fazer uma estimativa realista.

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Outro aspecto da festa que todo mundo está cansado de saber é que o Carnaval de Salvador precisa ser descentralizado. O circuito já não suporta o número de foliões, apinhados nos dois circuitos. Este colunista recebeu dezenas de e-mails, concordando com a necessidade de tirar o Carnaval da Barra. Entre as ideias sugeridas está a da transferência do circuito da Barra para a orla da Boca do Rio. Alguns propõem que a Barra não saia inteiramente do circuito, podendo abrigar um outro tipo de Carnaval, sem os mega trio-elétricos.

A orla da Boca do Rio é um local com todas as possibilidades de receber o evento, com área disponível para a construção de camarotes e apoio de estruturas já existentes como o parque dos Ventos e do Centro de Convenções. A mobilidade do circuito e das pessoas que querem ver a festa seria muito melhor e a classe média poderia frequentar o novo circuito sem precisar se valer de passarelas do apartheid e de escolta de seguranças para chegar onde quiser. Entre os e-mails, surge também a lembrança de criar, adicionalmente aos demais circuitos, um desfile de blocos afros, que resgataria a beleza dos carnavais alegóricos que marcaram os carnavais antigos. Leitores citam, inclusive, que Carlinhos Brown já sugeriu a criação de um afródromo.

É preciso avaliar, mas há consciência de que o Carnaval de Salvador precisa ser reformulado. Mas, por enquanto, é hora de ir às ruas, brincar no maior Carnaval do planeta.

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