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Armando Avena

Por Armando Avena

ACERVO DA COLUNA
Publicado quinta-feira, 27 de março de 2025 às 6:45 h | Autor: Armando Avena - A TARDE

Salvador: o aniversário, a economia e o planejamento

Confira a coluna do economista Armando Avena

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Salvador faz aniversário no próximo sábado, 29
Salvador faz aniversário no próximo sábado, 29 -

Salvador, a cidade da Bahia, está completando 476 anos. E, bela e sedutora, mostra, como sempre, que encanto e sedução não são privilégios de ninfetas. Que outra cidade está encravada numa baía única no mundo e é dona de uma paisagem privilegiada, uma cultura diversa, inclusiva e miscigenada, e um patrimônio que é destaque mundial? Que outra cidade é abraçada pela Baía de Todos-os-Santos, uma das mais belas baías do mundo, a maior em volume d’água?

Salvador encanta a todos nós, mas é também, todos sabem, uma cidade pobre e cheia de problemas. E seriam necessários muitos artigos para falar dos graves problemas com que se defronta nas áreas de segurança, saúde, educação. Por isso, restrinjo-me a comentar sobre a infraestrutura da cidade e sua economia.

Em relação à infraestrutura, é preciso reconhecer que o poder público, em suas esferas executivas, têm investido fortemente, especialmente nas obras de mobilidade urbana, como o metrô e o BRT, nas avenidas transversais, na recuperação da orla e de outras importantes vias.

Mas isso tem sido feito sem planejamento e com pouca articulação entre os agentes. E, assim, o metrô, o BRT e as linhas de ônibus ainda hoje lutam por uma integração racional. Salvador, que teve o Epucs, de Mário Leal Ferreira, como símbolo nacional de planejamento urbano, deixou de fazer planejamento.

Sem planejamento, privilegia-se o investimento em avenidas e viadutos que vão aumentar o fluxo de automóveis na cidade, enquanto no mundo inteiro se fecham as ruas para os pedestres e estimula-se outros meios de transporte.

Sem planejamento, tira-se da cartola um túnel subterrâneo ligando o Campo da Pólvora ao Taboão ou um teleférico unindo os bairros de Praia Grande a Pirajá. Tira-se os trilhos do trem do subúrbio, sem saber se no lugar virá um monotrilho ou um VLT e quando virá.

A cidade, que nos deu arquitetos como Diógenes Rebouças e João Filgueiras, envergonha-se ao se ver entulhada de viadutos e ao perceber que seu centro novo, a região do Iguatemi, onde deveria haver uma grande praça, tem agora um novo elevado, transformando nosso centro financeiro, nossa Av. Paulista, num entroncamento rodoviário.

E isso sem falar nos projetos arquitetônicos mal elaborados, com gigantescos viadutos que surgem de repente nas nossas avenidas de vale – onde jamais deveriam estar – como facas de concreto rasgando a paisagem da cidade.

Melhor esquecer o urbanismo, outrora especialidade soteropolitana, e o planejamento, no qual a Bahia foi pioneira, para dedicar-me à economia, pois aí parece haver notícias mais alvissareiras. A falta de planejamento também afetou a economia soteropolitana e uma política tributária escorchante, aliada a uma política urbana equivocada, implantada em meados da década passada, desestimulou as atividades industriais e logísticas e fez o PIB de Salvador despencar, gerando a migração de empresas para outros municípios e sendo um motivos pelos quais Salvador teve uma perda populacional de mais de 200 mil pessoas em dez anos.

Felizmente, alertada por artigo nesta coluna, a Prefeitura de Salvador mudou essa política em 2023 e passou a reduzir impostos e estimular a implantação de empresas industriais e logísticas e outras atividades produtivas e de serviços. Isso, aliado aos investimentos na infraestrutura turística e no rastro do crescimento da economia nacional, fez o Índice de Movimentação Econômica de Salvador crescer quase 8% em 2024, segundo a Sei/Seplan.

A verdade é que Salvador, vem sendo bem cuidada no seu dia a dia, precisa, no entanto, de mais planejamento e de um novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) que não seja apenas um libreto de liberação de construções imobiliárias de todo tipo, mas um documento com foco no futuro.

Salvador, a cidade da Bahia, precisa de planejamento para chegar em 2049, quando completará 500 anos, mais bela, mais dinâmica e mais aprazível.

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