Um plano de desenvolvimento para a Bahia

Publicado quinta-feira, 10 de março de 2022 às 06:02 h | Atualizado em 09/03/2022, 22:09 | Autor: [email protected]
A Bahia não quer saber apenas os nomes dos 
que vão gerir seu destino
A Bahia não quer saber apenas os nomes dos que vão gerir seu destino -

Além dos nomes dos políticos que pretendem gerir os destinos da Bahia, é preciso discutir também suas propostas de desenvolvimento, seus programas de governo na área social e econômica e as idéias para a geração de emprego e renda. Até agora, ninguém falou em plano de governo. E, no entanto, a Bahia, que perdeu o 6º lugar no ranking econômico nacional em 2014 para Santa Catarina, e Salvador, que perdeu o posto de capital econômica do Nordeste sendo superada por Fortaleza, precisam urgentemente de um plano de desenvolvimento econômico. 

O modelo baiano está num ponto de inflexão e as lideranças políticas precisam apresentar propostas que evitem a perda relativa de competitividade do Estado, frente a outros estados da federação. A economia baiana sempre foi movida a ciclos, com um setor liderando o crescimento regional. Foi assim com o cacau, o petróleo, a indústria – com forte peso dos ramos petroquímico e automobilístico –, o turismo e a produção de grãos no Oeste. Esses segmentos, com exceção da indústria automobilística, ainda se mostram dinâmicos, mas carecem de modernização e de políticas específicas, diretrizes de ação e  investimentos em infraestrutura. 

Além disso, é preciso identificar e apostar em novos segmentos que podem liderar um novo ciclo, a exemplo da mineração, das energias renováveis, da ampliação do agronegócio e tantos outros. Mas para isso é preciso um plano de governo que estabeleça, por exemplo, ações para evitar a desindustrialização da Bahia e de Salvador, com uma política focada de atração de empresas e estímulo às empresas locais, de modo a desconcentrar a indústria baiana, cujo PIB industrial é monopolizado pelo setor de petróleo e petroquímica. 

Precisamos voltar a ter também um plano estadual de turismo, traçando diretrizes para o segmento que tem milhares de pequenas empresas e estabelecendo prioridades, inclusive no que se refere à infraestrutura. E o que dizer do agronegócio, que a cada ano amplia sua produção, e poderia ampliar muito mais se houvesse um programa focado de investimento, que viabilizasse armazenagem e corredores de exportação articulados com os portos. 

Planos de desenvolvimento não são veleidades de planejadores ou intelectuais são, na verdade, documentos que traçam as melhores rotas para o desenvolvimento e articulam a política de infraestrutura, com os objetivos da estratégia de crescimento dos setores líderes, além de dar rumo ao ordenamento urbano. Atualmente, por exemplo, os investimentos em mineração apontam para um ciclo de crescimento no Estado, mas para que isso se potencialize é necessário não só planejar os desdobramentos econômicos possíveis, como estimular as atividades de serviços e comércio em torno da operação logística, e estabelecer uma política de apoio urbano às cidades no entorno da Ferrovia Oeste-Leste. Aliás, é urgente rever o ponto final dessa ferrovia de modo a incluir a Bahia no corredor nacional de grãos e mais urgente ainda obrigar a VLI, (leia-se Vale), que deseja a renovação da concessão da Ferrovia Centro Atlântica, a apresentar um programa de modernização do Corredor Bahia-Minas. 

A Bahia precisa de um plano com diretrizes para este e outros setores. Como a educação, por exemplo, que nunca foi prioridade e hoje é um insumo para o desenvolvimento ou a pesquisa e tecnologia, que tem orçamento minguado, mas representa o futuro. A Bahia não quer saber apenas os nomes dos políticos que vão gerir seu destino, quer saber também o que eles têm a propor. 

Combustíveis estatais e privados

O programa de privatização de refinarias da Petrobras tem um erro de origem. Ele propõe um setor com empresas estatais e privadas. Nenhum problema, se as refinarias estatais agirem sob a ótica do mercado, mas isso não ocorre. Há quase 60 dias a Petrobras não reajusta os preços dos combustíveis, mesmo com a disparada dos preços do barril de petróleo. Enquanto isso, a Refinaria de Mataripe, privatizada, reajusta os preços quase online. Como a Bahia tem quase 90% do seu abastecimento feito por essa refinaria, o baiano está pagando mais que outros brasileiros. E como o governo já anunciou que pretende limitar os reajustes da Petrobras, como ficará os reajustes na refinaria privatizada?

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