Busca interna do iBahia
HOME > colunistas > ARTIGOS

ARTIGOS

EJA: reflexões sobre a Educação Básica para a classe trabalhadora

Confira o artigo de Carla Maria Ferreira Nogueira

*Carla Maria Ferreira Nogueira
Por *Carla Maria Ferreira Nogueira
Imagem ilustrativa da imagem EJA: reflexões sobre a Educação Básica para a classe trabalhadora
Foto: Divulgação

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de ensino voltada para estudantes que trabalham e para aqueles que não tiveram acesso à escolarização em período convencional. No Estado da Bahia estão inseridos na EJA, majoritariamente, estudantes das periferias, mulheres e negros, e, por isso, a modalidade tem cor, gênero e se alicerça na prática pedagógica da educação popular e nos princípios do mestre Paulo Freire de uma educação que transforme os sujeitos socialmente.

As normativas e diretrizes curriculares que organizam a EJA estão vinculadas às condições de vida e de trabalho dos (as) estudantes e, sendo assim, estabelecem relação com os modos de produção e as dinâmicas socioculturais e abarcam as mais variadas vivências históricas, pois surgem da necessidade de garantir Educação Básica aos trabalhadores (as).

Tudo sobre Artigos em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

E como já sabemos quem compõe a classe trabalhadora no Brasil, a EJA demarca esse lugar da política educacional, mas, sobretudo, da política afirmativa voltada para a maioria da população que está na base da cadeia produtiva e no trabalho informal, além de aposentados, pessoas em situação de rua, privados de liberdade e em socioeducação.

A EJA está presente nos 27 Territórios de Identidade, com ofertas de ensino em escolas indígenas, quilombolas e do campo; nas prisões e em áreas urbanas e rurais, contemplando as diversas formas de conceber as realidades locais e práticas de trabalho. Com maior recorrência no noturno, muitos são os desafios de permanência dos (as) estudantes trabalhadores (as), exigindo uma outra abordagem pedagógica e o fortalecimento das políticas educacionais de permanência escolar, como Bolsa Família, Bolsa Presença, Busca Ativa e Pé de Meia, que possibilitam a viabilidade da modalidade diante do recorte social que a constitui.

Um fenômeno recente tem afetado a EJA na rede estadual, que é o processo de juvenilização, com um aumento expressivo no número de matrícula de estudantes entre 18 e 19 anos. De modo ainda observável, tal aspecto ocorre devido a necessidade precoce da entrada desses jovens no mercado de trabalho e, em sua maioria, de maneira informal ou em condições precarizadas. Portanto, é na integração entre Educação de Jovens e Adultos e a Educação Profissional e Tecnológica que se possibilita a mediação entre o conhecimento geral básico com a formação técnica e profissional para o mundo do trabalho.

Nesta perspectiva, a EJA se estrutura na indissociabilidade dos contextos e vivências na formação dos sujeitos, além de responder os desafios e as demandas do presente, produzindo reflexões que se aproximem das lutas por emancipação, direitos trabalhistas e previdência social, assim como lazer, moradia e saúde.

*Carla Maria Ferreira Nogueira é Doutora em Cultura e Sociedade (UFBA) e Coordenadora de Jovens e Adultos (SEC)

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Compartilhar no Whatsapp Clique aqui

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

Tags

Educação de Jovens e Adultos educação popular educação profissional e tecnológica Inclusão social Paulo Freire políticas educacionais

Relacionadas

Mais lidas