A TARDE AGRO
Coesão público-privado será para o agro, e o Brasil, sagrada
Coluna desta segunda-feira, 15


Não teremos mais chances de realizar, nos próximos 40 anos, o que o Brasil conseguiu nesse período recente, sem uma sólida coesão dos interesses estratégicos combinados entre as organizações do setor privado com a governança do Estado.
O exemplo entre uma aparente falta de timing, de orquestração ensaiada pronta e preparada na questão de documentos sobre antimicrobianos para a União Europeia, consegue colocar um obstáculo num acordo que é discutido ao longo dos últimos 25 anos, que é de evidente gigantesca importância tanto para o Mercosul quanto para a União Europeia, em cenário inédito global, com Trump reinando na mídia clássica e social, e também nos conflitos, de forma presencial. Quer dizer, este acordo é emblemático para o mundo.
Portanto, não podemos mais viver de alguns momentos nos quais heróis do governo existiram e foram, sem dúvida, para o agro brasileiro decisivos, minimamente podemos mencionar quatro ministros, desde 1970, com significativo impacto, abrindo portas para a iniciativa privada vender ao mundo: Cirne Lima, Alysson Paolinelli, Roberto Rodrigues e Tereza Cristina. Também vale enaltecer funcionários e equipes do Mapa, das áreas sanitárias, regulatórias, Embrapa etc, onde pessoalmente identificamos legítimos guerreiros.
Por outro lado, despontaram no empreendedorismo e no cooperativismo outros heróis que ergueram empresas competitivas, cooperativas exemplares, propriedades agrícolas únicas na inteligência agroambiental tropical, com diversos exemplos que explicam a posição brasileira no agro mundial hoje.
Particularmente, tive a sorte de conviver direta e presencialmente com dois desses heróis: Shunji Nishimura, da Jacto, e Ney Bittencourt de Araújo, da Agroceres, e com toda rede exemplar de empresários ao longo destes últimos 40 anos. Com certeza você lembrará de dezenas, da mesma forma, exemplares.
Mas, e daqui para a frente? Não pode mais haver separação entre os interesses do Estado e da Nação brasileira. E, sim, um plano estratégico, fundamentado em legítima análise geopolítica e competitividade, em que governo, o público e o privado, com e sem fins lucrativos, tenham uma mesma partitura para orquestrar as músicas que precisamos interpretar, e o País escutar bem, como o mundo todo, essa canção que deixe corações e mentes encantados.
A velocidade dita o ritmo, e se perdermos um particular “instante” não governamos a orquestra. A coesão tática, estratégica e das percepções exige maestria, foco total e o jogo será decidido num detalhe, numa desatenção, num acorde tardio que alguém esqueceu, ou não estava alertado o suficiente para o realizar no precioso e exato momento naquele instante.
A coesão das corporações empresariais, com as questões de governo no imperativo maior do Estado brasileiro, passa a ser vital na guerra mundial do comércio, do crescimento do PIB, e na segurança da dignidade de vida para a população brasileira, das nações tropicais e mundiais.
Churchill disse na 2ª Guerra Mundial: “Nunca tantos deveram tanto a tão poucos”. Serve para nossa história agro brasileira até aqui. Mas daqui em diante precisamos de todos, os próximos 40 anos não ganharemos mais com discussões político-ideológicas de esquerda x direita: ou cooperamos e ganhamos ou brigamos e nos derrotamos.
“40 anos em 4”, que seja o lema da coesão da sinfonia que precisamos conduzir, caso contrário não será nem rap, nem funk, nem samba ou sertanejo, será apenas a bagunça de uma cacofonia de perdidos na “egolatria”.
Coesão público-privado, Plano de Estado!