Perda de renda e novos comportamentos do consumidor

Publicado quarta-feira, 01 de julho de 2020 às 06:00 h | Atualizado em 30/06/2020, 21:38 | Autor: [email protected]

Estudo recente da Webmotors indica que 63% dos entrevistados que pretendem comprar carro novo nos próximos três meses planejam fazer um financiamento. A pesquisa aponta ainda preocupação com a crise econômica e a dificuldade para vender o carro usado. Outra sinalização é o interesse pela assinatura de carros, uma espécie de locação, considerada por 56% dos consumidores.

Mas qual seria a motivação para a compra do carro neste cenário de turbulência? Não apenas as pesquisas, mas também a percepção dos gerentes das revendas, apontam que famílias vão unir esforços e recursos para a compra de carros de entrada, para deixar de usar transporte público, e com isso minimizar os riscos de contágio da Covid-19.

Há ainda aquele grupo de consumidores com orçamento doméstico estruturado, que podem aproveitar os descontos e boas condições de financiamento, disponibilizados pelas fábricas e revendas. Mas vale ressaltar que esse grupo é minoria, em especial na capital baiana.

A redução da Selic, a taxa básica de juros, hoje em 2,25%, pode representar uma boa oportunidade para a compra ou troca do carro. Já que o custo do financiamento caiu. No entanto, as instituições financeiras estão mais rígidas e avaliam score (pontuação do consumidor), que tem de ser a partir de 750. Por isso, muitos gerentes têm lamentado o alto índice de rejeição dos pedidos de financiamento, para clientes com vida financeira equilibrada.

São as pedras no meio do caminho das revendas, que, em esforço conjunto com a indústria, tentam se reinventar, para minimizar os prejuízos provocados pela Covid-19. Até 23 de junho, a Bahia emplacou 28.591 autoveículos, índice de -37,6% em relação ao mesmo período de 2019.

O desemprego aumentou em todas as regiões do Brasil durante o primeiro trimestre de 2020, segundo o IBGE. Em especial na região Nordeste, onde a taxa de desocupados passou de 13,6%, no último trimestre de 2019, para 15,6%, nos três primeiros meses deste ano. O empobrecimento do consumidor e as mudanças nos hábitos de consumo vão exigir real capacidade de adaptação do setor automotivo. Um desafio e tanto.

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