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Feito histórico em tarde inesquecível

Confira a coluna do jornalista Lenadro Silva

Leandro Silva
Por Leandro Silva
| Atualizada em
Torcida do Bahia fez a festa na Fonte
Torcida do Bahia fez a festa na Fonte - Foto: Catarina Brandão / EC Bahia

A festa na Fonte, no domingo, antes, durante e depois do triunfo, por 2 a 0, contra o Atlético Goianiense, que garantiu o retorno à Libertadores foi muito linda. De onde eu estava, só vi demonstrações de confiança e apoio. Nós, mais velhos, comportávamo-nos como meninos, misturados às crianças, que assistiam a tudo, estupefatas, como nós, com aquela tarde inesquecível. Tantos adultos eu presenciei, emocionados, repetirem que nunca tiveram a chance de ver o Bahia em uma Libertadores. É que no dia 21 de fevereiro serão completos 36 anos desde a estreia na edição de 1989, e a data deve ser muito próxima da largada tricolor na próxima.

Nos minutos finais da campanha no atual Brasileiro, a emoção e a nostalgia tomaram conta. Em 1989, eu era uma criança, como aquelas que vi no domingo. Fui para a Fonte na maior parte da campanha do título brasileiro de 1988, mas desfalquei a arquibancada no jogo que garantiu a vaga para a edição de 1989 da Libertadores.

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É que meu pai, por prudência, temendo que o estádio enchesse demais, resolveu não me convocar para o jogo contra o Fluminense, vencido, de virada, por 2 a 1, com gols de Gil e Bobô, pela semifinal do Brasileiro de 1988. Naquela partida, dando razão a meu pai, foi registrado o maior público da história da Fonte Nova, com 110.438 presentes oficialmente.

Dessa vez, eu confiei e fiz questão de estar presente, apoiando, na partida que marcou o retorno à Libertadores. Eu sei que tudo é muito subjetivo, mas a minha percepção foi de que, dessa vez, a torcida entendeu bem o papel de torcer, incentivar, e não cobrar em excesso, ou vaiar, mesmo enquanto o placar teimava em se manter inalterado, com uma sequência de gols perdidos. O incentivo foi ininterrupto e o time correspondeu, fazendo a parte dele, chegando aos gols de Thaciano e Lucho, que simbolizaram e premiaram aquele que se doou e sacrificou desde o início e terminou como artilheiro da temporada e o outro que chamou a responsabilidade na reta final.

Lucho fez um dos gols contra o Dragão
Lucho fez um dos gols contra o Dragão - Foto: Catarina Brandão / EC Bahia

O comportamento da torcida foi digno exclusivamente de elogios. Sei que é direito do torcedor, que paga o ingresso, protestar ou cobrar. Lógico que é, mas não deixa de atrapalhar o principal objetivo da ida de um torcedor ao estádio, que é ver o time do coração vencer. Juntos, Bahia e torcida são sempre mais fortes e a sinergia de domingo foi perceptível e marcante para todos os presentes.

Entre a empolgação inicial e o descontentamento com a queda posterior de desempenho, o que fica no geral é o caráter histórico do feito. O principal foi o mais do que desejado retorno à Libertadores, que acontecerá em 2025, 36 anos depois da edição de 1989. Outros pontos, entretanto, também devem ser enaltecidos.

Com 53 pontos, em oitavo, foi a melhor campanha do Esquadrão em 12 edições da Série A por pontos corridos. Além disso, foi apenas a segunda, depois da de 2019, em que o clube não correu qualquer risco de queda durante toda a Série A. O Esquadrão chegou entre os oito melhores pela segunda vez no novo milênio. Apenas em 2001, com Nonato, Robgol, Preto e Emerson, o clube havia conseguido isso. Aquela colocação rendeu passagem para as quartas de final.

Também para servir como parâmetro comprobatório da evolução do clube, vale lembrar que, desde a conquista do título brasileiro de 1988, o Esquadrão só havia chegado novamente entre os oito melhores em 1990, quando foi semifinalista, com Luis Henrique, Naldinho, Charles e Paulo Rodrigues, em 1994, quando chegou às quartas, com Uéslei, Marcelo, Raudinei e Jean, e na já citada temporada de 2001. Que em 2025, o clube siga no atual ritmo de evolução, de 16º, para oitavo, para o topo.

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