COLUNA DO TOSTÃO
A última barreira da lógica no futebol
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Na Copa, como se esperava, acontece uma maciça propaganda comercial, especialmente de casas de apostas, até na parada para hidratação durante as partidas. Certamente, vão aumentar o número de viciados, os problemas mentais e financeiros. Muitos pobres gastam na jogatina o dinheiro reservado para necessidades essenciais. É fácil apostar, basta um clique. A mensagem no final dos anúncios comerciais: “jogue com responsabilidade”, é um cínico conselho, como escreveu Sergio Rodrigues, colunista da Folha.
As enquetes, manchetes de recordes, estatísticas e comparações, muitas inúteis, com tantas variáveis, aumentaram bastante no mundial. É a maquina de informações. As estatísticas costumam ser importantes, mas é preciso olhar, com profundidade, para o campo e para os números, como faz PVC.
Contra o Haiti, Ancelotti colocou Rayan porque ele tem características parecidas com as de Raphinha, que entrava com velocidade em diagonal para receber a bola nas costas dos defensores adiantados. Hoje, contra a Escócia, que deve ter uma marcação recuada, perto da área, Luís Henrique pode ser a melhor opção, por atuar aberto. Outra alternativa é escalar um centroavante.
Ancelotti deve manter o trio no meio campo com Casemiro centralizado, Bruno Guimarães de um lado e Paquetá do outro. Pela esquerda, Paquetá, com seus precisos lançamentos, facilita para Vinicius Junior. Além disso, Matheus Cunha, pelo meio e mais próximo da área adversaria, não precisa voltar para marcar pela esquerda. O meio campo com três fica mais preenchido, marca e constrói com mais eficiência.
As seleções, como se esperava, na média, estão mais intensas, compactas, pressionando mais para recuperar a bola no campo do adversário e fazendo mais gols. A Argentina foge do lugar comum, pois prefere marcar mais no meio campo em vez de pressionar, além de não ter pontas abertos, rápidos e dribladores.
Messi fez todos os cinco gols marcados pela seleção. Além da enorme criatividade, precisão técnica e da grande capacidade de definir rapidamente as jogadas, de tornar simples o que é complexo, possui a sabedoria de esperar o momento certo para brilhar. Como ele sabe? Sabendo. Existe um saber inconsciente que antecede ao raciocínio. Os neurologistas chamam de inteligência cinestésica.
Na Copa de 1994, nos EUA, há 32 anos, os americanos e os japoneses diziam que iam investir bastante no planejamento, na ciência esportiva, na formação de jogadores e que em 20 a 30 anos, se tornariam uma potencia mundial no futebol. As duas e várias outras seleções evoluíram bastante, possuem ótimas equipes, excelentes jogadores, mas não chegaram a tanto, serem candidatas ao título da Copa. Faltam os craques. Por quê? Os motivos devem ser culturais, sociais e genéticos. Parafraseando a musica de Noel Rosa, samba e futebol não se aprendem no colégio. Craques não são apenas os atacantes que fazem muitos gols.
Nos outros campeonatos com jogos mata-mata espalhados pelo mundo, como a Copa do Brasil, de vez em quando acontece uma surpresa, a conquista do título por uma equipe que não estava entre as favoritas. Por que nunca aconteceu em uma Copa do mundo? Penso que a razão principal seja a seriedade com que as grandes seleções se preparam para a maior competição do futebol mundial. Será que um dia teremos uma grande surpresa? É a última barreira da lógica a ser vencida pela imprevisibilidade do futebol.