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COLUNA DO TOSTÃO

Brasil precisa reagir após novo fracasso e construir um novo futuro

Tostão analisa a eliminação da Seleção Brasileira, critica velhos discursos sobre o futebol nacional

Tostão*
Por Tostão*
Imagem ilustrativa da imagem Brasil precisa reagir após novo fracasso e construir um novo futuro
Foto: ANGELA WEISS / AFP

Neste momento de decepção, de mais um fracasso da seleção brasileira, pois criamos uma enorme expectativa muito acima da realidade, surgem os discursos românticos, ilusórios, perdidos no tempo, de que o futebol brasileiro precisa voltar às origens, aos anos 60 e 70, e passar a jogar o futebol arte, de dribles, improvisações, sem disciplina tática. Dribles é que não faltam. Precisamos associa-los ao jogo coletivo, de mais trocas de passes e de domínio da bola e do jogo. A seleção brasileira e os times brasileiros priorizam as estocadas, os lances individuais e a pressa de chegar ao gol.

Outro discurso equivocado é o de que temos muitos craques, mas faltam estratégias mais eficientes. Precisamos melhorar a maneira de jogar e aumentar o número de craques. Há muitos bons jogadores, alguns especiais, como Vinicius Junior, porém, existe uma carência de bons laterais, falta um craque no meio campo e na posição de centroavante.

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O futebol brasileiro necessita de uma grande mudança no planejamento, na execução do que foi programado e na formação de atletas. O antigo chavão de que no Brasil nasce um craque em cada esquina já era. Quem não se prepara, não sabe fazer.

Casemiro e a necessidade de renovar o meio-campo

Casemiro, que teve grandes momentos em sua carreira, nos clubes e na seleção, certamente estará fora das próximas convocações. O Brasil precisa de mais leveza no meio campo, de meio-campistas que atuam de uma intermediaria a outra, que marcam e iniciam os ataques com ótimos passes.

Espanha e França mostram caminhos diferentes

O ideal no futebol é unir e alternar as precisas trocas de passes e o talento do meio campo da Espanha com a agressividade, a habilidade, velocidade e técnica dos atacantes da França. As duas seleções farão uma das semifinais, um jogaço. A Espanha não se afoba, não muda o seu jeito de jogar nas dificuldades. Contra a Bélgica, continuou trocando muitos passes até sair o gol da vitória por 2x1.

Quando escrevo que não há mais motivos para dividir o meio campo entre os camisas 5, 8 e 10 enfatizo que eles não precisam ter posições fixas nem uma única função. Mas, quando uma equipe possui um craque como Olise da França, que joga da intermediaria para o gol, é uma grande vantagem. Os craques são mais importantes do que o desenho tático.

O futuro do futebol brasileiro depende de mudanças

Receio que no futuro, a história conte que havia um país do futebol que tinha um rei, Pelé, e um grande número de craques fenomenais que jogavam o futebol bonito, espetacular e eficiente. O mundo parava para ver o Brasil atuar. Porém, por causa da desorganização, da ganância, da incompetência, da corrupção, dos otimistas prepotentes, da globalização e da evolução dos outros países, o futebol brasileiro tornou-se igual a tantos outros e abaixo das principais potências. É preciso reagir. O futuro não é destino. O futuro é o que será construído.

A lembrança de 1966 e a esperança para 2030

Participei, com 19 anos, de um período ainda pior da seleção brasileira, a desclassificação na primeira fase da Copa de 1966 após o Brasil ser campeão em 1958 e 1962. Alguns jogadores presentes em 1966 fizeram parte da seleção de 1970 que encantou o mundo. Jovens, como Rayan, Endrick, além de Estevão e Rodrygo, contundidos, têm grandes chances de brilhar em 2030.

Após a eliminação em 1966, Carlos Drummond de Andrade, o poeta maior, na bela poesia “Aos atletas”, escreveu:

“…a hora dura do esporte, sem a qual não há prêmio que conforte, pois perder é tocar alguma coisa mais além da vitória, é encontrar-se naquele ponto onde começa tudo a nascer do perdido, lentamente.”

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