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FUTEBOL

Cada um no seu lugar

Tostão é cronista esportivo, participou como jogador das Copas de 1966 e 1970

Tostão
Por Tostão
| Atualizada em
Pep Guardiola em jogo do Manchester City
Pep Guardiola em jogo do Manchester City - Foto: Paul ELLIS / AFP

No meio de semana, na vitória do Manchester City sobre o Tottenham por 1x0 pelo campeonato inglês, o City parecia outro time na maneira de jogar, irreconhecível. Em vez de pressionar, ter a bola e sufocar o adversário, como sempre fez, o time recuava para fechar os espaços com duas linhas de quatro para depois conta atacar. Guardiola mostrou que sabe também organizar um time do jeito que fazem tantos outros treinadores.

Como o City disputa o quarto lugar no campeonato inglês, que dá vaga para a Liga dos Campeões, Guardiola deve ter achado mais seguro mudar a estratégia. O placar de 1x0 reflete esta conduta. Será que nos próximos jogos, mesmo em casa, ele vai repetir a nova formação tática?

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As duas linhas de quatro começaram com a seleção inglesa campeã do mundo em 1966. Apesar de tantas evoluções estratégicas no futebol mundial, este desenho tático talvez ainda seja o mais usado no mundo. Na frente, pode ser uma dupla de atacantes ou um meia ofensivo e um centroavante.

As coisas vão e voltam no futebol. “A vida dá muitas voltas, a vida nem é da gente” (João Guimarães Rosa).

No inicio do futebol, os times jogavam com dois zagueiros, três médios e cinco atacantes. O centro médio era o organizador da equipe, o jogador de melhor passe. Com o tempo, ele foi substituído, principalmente no Brasil, pelo volante marcador. Isso tem mudado. Hoje, um dos jogadores mais desejados na Europa é o volante centralizado (centro médio), articulador, que inicia as jogadas com ótimos passes, como Rodri. No Brasil, os promissores e hábeis volantes são escalados desde as categorias de base como meias ofensivos ou pontas. Falta um craque meio-campista na seleção.

Lamine Yamal segue como grande astro do Barcelona
Lamine Yamal segue como grande astro do Barcelona - Foto: Lluis Gene/AFP

Nos anos 60, quase todos os times jogavam com dois pontas abertos, rápidos e dribladores. O ponta esquerda, jogava com a canhota e destro pela direita. Driblavam para a linha de fundo e cruzavam. Hoje é ao contrário. O canhota joga pela direita e o destro pela esquerda. Driblam para o centro para definir as jogadas. O ideal é o ponta driblar para os dois lados. Alguns já têm feito isso, como os jovens Estevão, do Palmeiras, e Lamine Yamal, do Barcelona.

Como as equipes já possuem pontas, raros são os laterais apoiadores, que foi uma marca importante do futebol brasileiro durante décadas. Faltam á seleção, brilhantes laterais que marcam e possuem ótimos passes.

O futebol evoluiu bastante em muitos aspectos. Os times são mais intensos, compactos, pressionam na marcação, trocam mais passes desde o goleiro e são muito mais precisos em alguns gestos técnicos, como na cobrança de escanteios e nas cabeçadas para o gol.

Nas minhas caminhadas diárias, para fortalecer a alma e o corpo, muitas pessoas, geralmente mais idosas, falam que no passado havia muito mais ótimos jogadores do que no presente. Há controvérsias. Em todas as épocas, existem craques, jogadores bons e ruins.

Outras dizem que era mais fácil jogar no passado, pois havia mais espaços. Há também controvérsias. Por causa dos muitos espaços, os bons brilhavam mais e os ruins mostravam logo suas limitações. Hoje, com a marcação muito próxima, os medianos costumam impressionar pela intensidade. Porém, com o tempo as coisas chegam aos seus lugares.

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