Após a derrota por 2 a 1 para a França, que atuou quase todo o segundo tempo com um jogador a menos, cresceu o pessimismo em relação à Copa do Mundo.
Ideia clara, execução incompleta
Desde que assumiu, Carlo Ancelotti percebeu o cenário: muitos pontas velozes e dribladores, poucos meio-campistas de alto nível. A solução foi priorizar transições rápidas, lançamentos longos e ações individuais.
Funciona — mas não basta contra grandes seleções.
Falta alternar com controle do jogo, posse de bola e construção pelo meio. Saber a hora de acelerar e de pausar é essencial. E isso depende, sobretudo, da qualidade dos meio-campistas.
Um problema antigo
A deficiência no meio-campo não surgiu agora. Há décadas, o futebol brasileiro segmentou funções:
- Volantes que marcam, atuando mais recuados
- Meias ofensivos responsáveis pela criação
Desapareceram os meio-campistas completos, capazes de marcar, organizar e avançar. Jogadores que dominam o jogo de uma intermediária à outra.
Essa lacuna limita o entendimento do tempo do jogo — quando manter a bola, quando acelerar.
Falta controle, sobra pressa
O problema vai além das peças. Falta valorizar a posse de bola e o domínio da partida. O futebol brasileiro, de modo geral, é apressado.
Também faltam laterais com capacidade de construção. Mesmo com estrutura semelhante — quatro jogadores avançados e dois no meio — a França troca passes com naturalidade, inclusive em inferioridade numérica.
No segundo gol, isso ficou evidente.
Erros decisivos
A pressão francesa na saída de bola expôs fragilidades. Com apenas Casemiro e Andrey Santos no setor, o espaço no meio era grande.
O Brasil perdeu bolas perigosas. No primeiro gol, Casemiro foi desarmado, e a bola chegou rapidamente a Kylian Mbappé, que finalizou com classe por cobertura.
Desempenhos e dilemas
Vinicius Junior e Raphinha atuaram mal.
Vinicius é um jogador de alto risco: tenta muito, erra e acerta. No Real Madrid, acerta mais — também porque o time vence mais. Na seleção, os erros aparecem mais.
Bruno Guimarães não é craque, mas faz falta pela ausência de substitutos à altura.
Há ainda um dilema: Raphinha poderia atuar da esquerda para o centro, como no Barcelona, onde rende mais. Mas, na seleção, o ponta precisa recompor defensivamente. Isso limita escolhas.
Recuperar o tempo
Como diz uma bela canção do filme Fados, de Carlos Saura, não é o tempo que passa — nós é que passamos.
O Brasil precisa recuperar o tempo perdido.
É necessário unir duas ideias:
- Controle da bola e do jogo
- Intensidade e velocidade do futebol moderno
Não é uma escolha entre um ou outro. É a combinação dos dois.
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes

