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Carlo Ancelotti deixou Luciano Juba de fora

ANÁLISE

Derrota expõe limites e dilemas da Seleção Brasileira

Tostão analisa revés contra a França, critica falta de controle no meio e aponta desafios táticos para a Copa

Carlo Ancelotti deixou Luciano Juba de fora - Foto @rafaelribeirorio / CBF

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Tostão*

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29/03/2026 - 5:47 h

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Após a derrota por 2 a 1 para a França, que atuou quase todo o segundo tempo com um jogador a menos, cresceu o pessimismo em relação à Copa do Mundo.

Ideia clara, execução incompleta

Desde que assumiu, Carlo Ancelotti percebeu o cenário: muitos pontas velozes e dribladores, poucos meio-campistas de alto nível. A solução foi priorizar transições rápidas, lançamentos longos e ações individuais.

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Funciona — mas não basta contra grandes seleções.

Falta alternar com controle do jogo, posse de bola e construção pelo meio. Saber a hora de acelerar e de pausar é essencial. E isso depende, sobretudo, da qualidade dos meio-campistas.

Um problema antigo

A deficiência no meio-campo não surgiu agora. Há décadas, o futebol brasileiro segmentou funções:

  • Volantes que marcam, atuando mais recuados
  • Meias ofensivos responsáveis pela criação

Desapareceram os meio-campistas completos, capazes de marcar, organizar e avançar. Jogadores que dominam o jogo de uma intermediária à outra.

Essa lacuna limita o entendimento do tempo do jogo — quando manter a bola, quando acelerar.

Falta controle, sobra pressa

O problema vai além das peças. Falta valorizar a posse de bola e o domínio da partida. O futebol brasileiro, de modo geral, é apressado.

Também faltam laterais com capacidade de construção. Mesmo com estrutura semelhante — quatro jogadores avançados e dois no meio — a França troca passes com naturalidade, inclusive em inferioridade numérica.

No segundo gol, isso ficou evidente.

Erros decisivos

A pressão francesa na saída de bola expôs fragilidades. Com apenas Casemiro e Andrey Santos no setor, o espaço no meio era grande.

O Brasil perdeu bolas perigosas. No primeiro gol, Casemiro foi desarmado, e a bola chegou rapidamente a Kylian Mbappé, que finalizou com classe por cobertura.

Desempenhos e dilemas

Vinicius Junior e Raphinha atuaram mal.

Vinicius é um jogador de alto risco: tenta muito, erra e acerta. No Real Madrid, acerta mais — também porque o time vence mais. Na seleção, os erros aparecem mais.

Bruno Guimarães não é craque, mas faz falta pela ausência de substitutos à altura.

Há ainda um dilema: Raphinha poderia atuar da esquerda para o centro, como no Barcelona, onde rende mais. Mas, na seleção, o ponta precisa recompor defensivamente. Isso limita escolhas.

Recuperar o tempo

Como diz uma bela canção do filme Fados, de Carlos Saura, não é o tempo que passa — nós é que passamos.

O Brasil precisa recuperar o tempo perdido.

É necessário unir duas ideias:

  • Controle da bola e do jogo
  • Intensidade e velocidade do futebol moderno

Não é uma escolha entre um ou outro. É a combinação dos dois.

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Tags:

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