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Treino da Seleção Brasileira em Londres

TOSTÃO

O futebol brasileiro evolui quando entende o jogo, não a nostalgia

Tostão analisa como a evolução tática reduziu a distância para a Europa e desmonta mitos sobre centroavantes

Treino da Seleção Brasileira em Londres - Foto @rafaelribeirorio / CBF

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Tostão

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21/01/2026 - 5:51 h

Durante décadas, muitos torcedores, treinadores e jornalistas insistiram na tese de que o futebol brasileiro piorou porque teria perdido inventividade, fantasia e improvisação. Penso o contrário há muito tempo. Ele piorou, em determinados períodos, porque não acompanhou a evolução da maneira de jogar. Essa diferença, felizmente, vem diminuindo.

Talento e coletivo sempre caminharam juntos

O Brasil venceu as Copas de 1958, 1962 e 1970 não apenas pelo brilho individual, mas porque já unia talento técnico com organização coletiva.

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Em 1958, por exemplo, Zagalo recuava e formava um trio no meio-campo, enquanto a defesa passou a atuar com linha de quatro. Era o 4-3-3, uma evolução do antigo sistema WM, que ainda utilizava três defensores.

O sucesso não foi improviso. Foi leitura do jogo.

O mito do centroavante fixo

Outro conceito ultrapassado, repetido à exaustão no Brasil, é o de que o centroavante precisa ser alto, forte, fixo, jogando de costas como pivô.

Os que se movimentam, constroem jogadas e participam do coletivo passaram a ser chamados de “falso 9”, uma simplificação grosseira.

Ao contrário: esses são os centroavantes completos, especialmente quando também são artilheiros.

Opções, não dogmas

A atual seleção brasileira tem bons centroavantes, com características distintas, mas não possui um jogador dominante como Haaland, nem um atacante total como Harry Kane.

Ancelotti, corretamente, trabalha com alternativas, de acordo com o adversário e o momento:

  • Um centroavante mais clássico (Pedro, Igor Jesus)
  • Um atacante móvel (João Pedro, Matheus Cunha)
  • Um jogador veloz para atacar espaços (Vinicius Júnior, Kaio Jorge, Vitor Roque)

Se a Copa fosse hoje, Vinicius Júnior seria o titular.

Não existe fórmula única para ser campeão

O Brasil já foi campeão:

  • Com dois grandes craques centroavantes, Romário (1994) e Ronaldo (2002)
  • Com um centroavante típico e fixo, Vavá (1958 e 1962)
  • Sem um centroavante clássico, Tostão (1970)

Quando Zagallo assumiu a seleção de 1970, convocou dois centroavantes artilheiros e afirmou que eu seria reserva de Pelé. Eu tinha convicção de que a equipe precisava de um centroavante armador, que facilitasse o jogo entre Pelé e Jairzinho — como aconteceu.

No Cruzeiro, Evaldo fazia para Tostão e Dirceu Lopes exatamente esse papel.

Detalhes, imponderáveis e humanidade

Mesmo que o Brasil faça tudo certo, tenha uma grande equipe e ótimas ideias, um Mundial será decidido nos detalhes e no imponderável.

Como escreveu Guimarães Rosa: “A vida dá muitas voltas, a vida não é da gente.”

Amazônia

Antes que aventureiros destruam o que não conhecem, passei férias com minha família na Amazônia. Caminhamos pela floresta, navegamos pelo Rio Negro, convivemos com comunidades ribeirinhas e indígenas.

Foi uma experiência inesquecível — e um lembrete de que entender o mundo exige presença, não nostalgia.

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Tags:

Centroavante copa do mundo futebol brasileiro seleção brasileira tática no futebol

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