O futebol entre a prancheta e a poesia
Tostão analisa variações táticas, eficiência, meio-campo moderno e o jogo como espetáculo além da estratégia

O futebol brasileiro vive um momento curioso: nunca se falou tanto de esquemas táticos, funções de meio-campistas e compactação, mas o jogo continua sendo decidido, muitas vezes, por um detalhe imprevisível — um escorregão, um desvio, um erro de arbitragem ou um lance isolado. A convivência entre o planejamento estratégico e o acaso é parte da essência do esporte.
Domínio não é sinônimo de vitória
Na derrota do Corinthians para o Palmeiras por 1 a 0, o time corintiano teve mais a bola, controlou ações em vários momentos, mas criou poucas chances claras. O Palmeiras, mesmo sem grande atuação coletiva, foi mais objetivo. Costuma-se dizer que um time “jogou pior, mas foi mais eficiente”. Na prática, isso significa transformar poucas oportunidades em gol — ainda que o desempenho geral não tenha sido superior.
O futebol permite vencer de inúmeras maneiras. Às vezes, basta um lance isolado para mudar toda a narrativa da partida.
O modelo tradicional brasileiro
O Palmeiras atuou no desenho mais comum do país:
- Um primeiro volante mais marcador,
- Um segundo volante com mais saída de bola,
- E um meia ofensivo entre o meio e o ataque.
Esse formato, com dois volantes e um camisa 10 mais adiantado, é usado por muitos clubes e também pela seleção brasileira. É funcional, equilibrado, mas não é o único caminho para jogar bem.
O meio-campo de três homens
Grandes seleções e clubes da Europa têm adotado outra configuração: um meio-campista central que inicia as jogadas e dois jogadores ao lado, que marcam, constroem e atacam. São atletas que atuam de uma intermediária a outra, participando de todas as fases do jogo.
Esse trio fortalece a marcação no meio, melhora a circulação da bola e dá mais opções ofensivas. É um modelo que valoriza a mobilidade e reduz a dependência de um único articulador.
Variações pelo mundo
A Argentina campeã mundial joga com trio no meio e Messi livre, sem função defensiva fixa. Outras seleções mantêm três no meio e três no ataque, com os pontas voltando para recompor, formando um bloco compacto.
Espanha, França e Portugal alternam estruturas durante as partidas, ora com dois volantes, ora com três homens no meio. A flexibilidade tática virou regra no futebol moderno.
No Brasil, alguns times também caminham nessa direção. O Bahia utiliza três meio-campistas que marcam e avançam alternadamente. O Fluminense aposta em jogadores capazes de percorrer o campo todo, ligando defesa e ataque.
Entre o analista e o poeta
Alguns leitores preferem análises táticas detalhadas. Outros gostam das reflexões mais subjetivas. O futebol comporta os dois olhares. Ele é estratégia, mas também é teatro, emoção, arte popular.
O ideal seria observar o jogo com a sensibilidade de um poeta e a objetividade de um analista. Nem sempre os dois mundos convivem em harmonia, mas é dessa tensão que nasce a riqueza da crônica esportiva.
FAQ — Entendendo a tática e a eficiência no futebol
- O que significa um time ser “eficiente” no futebol? Ser eficiente é transformar poucas chances em gols e cometer poucos erros defensivos, mesmo sem dominar o jogo. A equipe pode ter menos posse de bola, mas aproveita melhor as oportunidades.
- Ter mais posse de bola quer dizer jogar melhor? Não necessariamente. A posse de bola só é valiosa quando gera chances claras de gol. Um time pode dominar a bola, mas ser previsível e pouco agressivo.
- Qual é o esquema mais comum no futebol brasileiro? O mais tradicional é o sistema com dois volantes e um meia ofensivo (camisa 10), posicionado entre o meio-campo e o ataque. Ele oferece equilíbrio, mas pode limitar a criatividade se os volantes não participarem da construção.
- Por que muitos times estão usando três meio-campistas? O trio no meio aumenta a marcação por pressão, melhora a troca de passes e dá mais apoio ofensivo. É um modelo que favorece a compactação e o controle das transições.
- Qual a diferença entre o volante tradicional e o meio-campista moderno? O volante clássico prioriza a proteção da defesa. Já o meio-campista moderno marca, constrói jogadas e também aparece no ataque, atuando de uma intermediária a outra.
- O futebol atual é mais tático do que artístico? O jogo está mais estudado e estratégico, mas continua sendo também emoção, improviso e espetáculo. O equilíbrio entre organização tática e talento individual é o que torna o futebol fascinante.
- Por que o meio-campo é tão decisivo hoje? Porque é o setor onde se ganha ou perde o controle do jogo. Quem domina o meio consegue defender melhor, criar mais jogadas e reduzir os espaços do adversário.
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