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No início oficial do futebol, há quase 150 anos, na Inglaterra, os treinadores perceberam que era necessário colocar ordem na brincadeira. Surgiram as estratégias e posições em campo. Jogava-se no 2-3-5, com dois zagueiros, três médios e cinco atacantes. O center-half, o centro médio, era o organizador, o pensador, responsável por iniciar as jogadas ofensivas com passes precisos.
Hoje, os meio-campistas centrais, herdeiros diretos desses centros médios, voltaram a brilhar intensamente. Exemplos não faltam, como Vitinha, do PSG e da seleção portuguesa, Zubimendi, do Arsenal e da seleção espanhola, entre outros. As ideias vão e voltam, apenas com nomes diferentes.
O erro histórico do futebol brasileiro
Durante décadas, o futebol brasileiro fez o caminho oposto. Dividiu o meio-campo entre volantes exclusivamente marcadores e meias ofensivos, deixando de formar os meio-campistas completos, verdadeiros maestros das equipes. Eles praticamente desapareceram.
Isso vem mudando, ainda que lentamente, com a valorização de jogadores capazes de marcar, pensar e construir.
Do WM às grandes transformações
O sistema WM (3-2-2-3) surgiu na Europa na década de 1920, com o inglês Herbert Chapman, e chegou ao Brasil em 1937, trazido pelo húngaro Dori Kruschner, contratado pelo Flamengo. A presença de técnicos estrangeiros foi decisiva para o desenvolvimento do nosso futebol — algo semelhante ao que ocorreu recentemente após o 7 a 1, quando o país voltou a olhar para fora.
Do WM surgiu o 4-2-4, utilizado pelos ingleses na Copa de 1966. Na prancheta, é um desenho parecido com o da atual seleção brasileira. Já nas Copas de 1958, 1962 e 1970, o Brasil inovou com o recuo de um ponta, formando o 4-3-3, com três jogadores no meio-campo. Daí nasceu o modelo com dois pontas abertos, hoje amplamente utilizado no mundo inteiro.
Variações, nomes e obsessões
Ao longo das décadas, surgiram inúmeras variações: três zagueiros, alas, dois volantes, duplas de atacantes e diferentes desenhos táticos. Paulo Vinícius Coelho (PVC) e outros jornalistas detalharam essas transformações em livros importantes.
Muitas vezes, porém, exagera-se na importância do desenho na prancheta, como se ele definisse, sozinho, o comportamento real dos jogadores em campo.
A revolução da pressão
Em 1974, Rinus Michels, à frente da Holanda, encantou o mundo com a marcação por pressão em todo o campo. Por diversos motivos, essa ideia demorou a se espalhar. Só no início deste século, Guardiola a retomou com enorme sucesso no Barcelona.
Hoje, quase todas as equipes do mundo pressionam desde a saída de bola do goleiro.
O jogo ficou melhor
Além da pressão, ocorreram mudanças profundas: compactação, defesa e ataque em bloco, alta intensidade, alternância entre passes curtos desde trás e transições rápidas. O futebol evoluiu. Ficou mais coletivo, mais físico e, paradoxalmente, mais técnico.
Não existe fórmula única
Não há uma maneira ideal de jogar. Os grandes treinadores são aqueles que sabem adaptar estratégias conforme o adversário e as características dos jogadores. Ancelotti já afirmou que não tem uma filosofia fixa: o time joga conforme o momento.
Para formar uma grande equipe, é preciso unir talento individual, força coletiva, disciplina tática, boa preparação física e equilíbrio emocional.
O que seria do conjunto sem o craque? E do craque sem o conjunto?
O gol sem o passe, a inspiração sem a transpiração, a técnica sem a emoção, a realidade sem o sonho.
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