Lula e o PT no eleitorado baiano
Confira a coluna Conjuntura Política desta semana

O início do nosso ano eleitoral guarda uma intensa movimentação nos bastidores na montagem das chapas governista e de oposição na Bahia. De uma forma geral, a oposição liderada pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) encontra no desempenho eleitoral das grandes cidades baianas o seu principal lócus estratégico de capital político. Daí, um caminho político imediato do seu grupo perpassa pelo aumento de força e vantagem da oposição nos municípios com maiores eleitores. Não à toa, a pauta da segurança pública se tornou muito forte nas maiores cidades, o que revela o intuito de ampliar desgastes da gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
No campo do governo, há um jogo estratégico permanente do governador Jerônimo Rodrigues de aproximar o seu gabinete dos pequenos municípios porque sabe que esta é uma “fórmula” tradicional no nosso federalismo: as pequenas cidades são mais dependentes dos governos estadual e federal. Em complementaridade à Jaques Wagner e Rui Costa, o “modo Jerônimo de governar” parece fortalecer a ideia de que um “gabinete de rua” na ponta gerará compromissos institucionais e pactos políticos mais horizontais do que verticais. O saldo desta estratégia envolve como medir a percepção pública de liderança do governador e como entender a coordenação governativa de entrega das secretarias e demais órgãos públicos diretamente para os prefeitos e lideranças locais.
Além desta estratégia municipalista, há um trunfo que orienta o padrão de representação política do eleitorado baiano: ao analisarmos o fenômeno do voto retrospectivo entre 2014 e 2022, chegamos a uma correlação estatística de 0,86 para os 417 municípios baianos, isto é, nas últimas eleições quando um município votou pesado no PT para o Planalto também repetiu a dose para o Palácio de Ondina. Em oito de cada dez municípios, o PT possui um desempenho melhor para presidente do que para governador, mas a diferença é discreta de apenas 4,4 pontos percentuais (média).
Em um levantamento inédito, conseguimos comparar a média geral de votação nas últimas três eleições a governador (66,31%) e presidente (70,7%) no primeiro turno em todos os municípios baianos. O PT manteve um desempenho eleitoral excelente e 74% das cidades mantêm precisão estatística quanto ao alinhamento entre as disputas a presidente e governador.
Considerando o cenário atual no qual o presidente Lula mantém alta popularidade e o ex-governador Rui Costa foi um recordista de votos na sua reeleição em 2018, a força do lulismo na Bahia parece manter um robusto cenário de interação com a disputa estadual. A oposição terá trabalho dobrado para dizer em cada município que Lula e os governadores baianos não merecem mais serem votados em 2026.
* Cláudio André de Souza é professor adjunto de Ciência Política da Unilab e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (UFRB). E-mail: [email protected]
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