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CONJUNTURA POLÍTICA

O protagonismo do Avante na Bahia

De forma periódica, tem sido comum assistimos a refundação de partidos políticos brasileiros

Cláudio André de Souza* | claudioandre@unilab.edu.br
Por Cláudio André de Souza* | [email protected]
O presidente do Avante na Bahia, Ronaldo Carletto
O presidente do Avante na Bahia, Ronaldo Carletto - Foto: Ascom

De forma periódica, tem sido comum assistimos a refundação de partidos políticos brasileiros. O caso do Democratas (ex-PFL e atual União Brasil) é um dos mais emblemáticos. A partir de 2003, a chegada do PT ao poder federal acelerou o processo de declínio do PFL, liderado local e nacionalmente pelo ex-senador Antônio Carlos Magalhães (ACM).

Em 28 de março de 2007, a Executiva Nacional do PFL aprovou a mudança do nome para Democratas (DEM), considerando, em especial, a perda de votos do partido nas últimas eleições. Em 1998, o partido elegera 105 deputados. Em 2002, caiu para 84 deputados eleitos, sendo que em 2006 o partido elegera 65 deputados, uma queda de 22,62% no tamanho da bancada.

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A situação do Avante é bem diferente. O antigo Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB), uma dissidência do PTB, nasceu em 1994 e sempre se manteve como um partido pequeno pouco expressivo na eleição de prefeitos e deputados. Em 2017, na esteira do lavajatismo e a contraditória agenda de renovação política, o PTdoB virou Avante e coligou-se com o PDT para apoiar a candidatura a presidente de Ciro Gomes.

Na Bahia, o fenômeno “Avante” foi ainda mais expressivo. Em 2018, o partido estreou como o quinto mais votado para deputado federal, alcançando 5,65% dos votos válidos no estado, uma parte considerável em razão da eleição de Pastor Sargento Isidório como o deputado federal mais votado naquela eleição (323.264 votos).

Em 2020, o partido ficou longe de ser um player na conquista de prefeituras, obtendo somente 1,94% dos votos em todo o estado, quase dez vezes menos votos do que foi dado ao DEM (20,07%) naquela disputa municipal. Em 2022, o partido conseguiu 3,47% dos votos da Bahia para deputado federal e 1,54% para deputado estadual.

Em 2024, tudo indica que o partido quebrará recordes na Bahia. Depois de uma articulação do ex-deputado federal Ronaldo Carletto em migrar do PP para o Avante após a derrota política sofrida ao apoiar ACM Neto e Cacá Leão, o jogo combinado com os petistas foi tornar o Avante uma máquina partidária em substituição ao PP.

Ao alcançar 70 prefeitos filiados até abril deste ano, o Avante pode se consolidar nas urnas como uma das cinco grandes forças partidárias da Bahia, o que garantirá condições para voos mais altos na chapa majoritária de reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Neste jogo combinado com o PT, o objetivo é suplantar o PP sem traumas, mas a dúvida é de que maneira concorrerá diretamente nas eleições municipais com o PSD e o MDB baianos, prezando por mais ou menos equilíbrio na base governista estadual, ou seja, saberemos se o protagonismo do Avante tomará bases eleitorais adversárias ou provocará uma disputa interna na base aliada petista.

*Professor Adjunto de Ciência Política da UNILAB e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (UFRB).

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Avante eleições na Bahia PARTIDOS POLÍTICOS Política brasileira reestruturação partidária União Brasil

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