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Conjuntura Política

Por Claudio André de Souza*

ACERVO DA COLUNA
Publicado segunda-feira, 31 de março de 2025 às 7:07 h | Autor:

Salvador: sol e praia não bastam

Confira coluna Conjuntura Política desta segunda-feira, 31

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Imagem ilustrativa da imagem Salvador: sol e praia não bastam
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A nossa cidade celebra 476 anos carregada de desafios que merecem de um debate mais profundo. Se a capital baiana tem avançado significativamente na estruturação de uma governança estratégica na área de cultura e lazer, vivemos problemas crônicos. O que fizemos foi naturalizar os altos índices de desigualdade e baixa mobilidade social para a maioria dos soteropolitanos. Com R$ 21.706 de renda per capita, Salvador ocupava o pior lugar entre as capitais brasileiras (2023). Lá atrás no Censo de 2010, Salvador ocupava o 17º lugar no ranking de rendimento médio domiciliar per capita das capitais brasileiras.

Para virar esta realidade, precisamos de um novo pacto econômico para além do turismo de verão. Salvador aposta no Carnaval e nos eventos sazonais, mas esse fôlego é curto. Fora da temporada, a geração de renda esfria, evidenciando a falta de um planejamento mais ousado de desenvolvimento, que supere a dependência de atividades de baixo valor. As gestões municipais recentes pouco alteraram esse quadro. ACM Neto e Bruno Reis levaram à frente o programa Salvador 360, anunciado com pompa como plano estratégico, mas que teve resultados discretos até aqui.

Este novo pacto precisa assumir três diretrizes: primeiro, devemos dar ao setor de serviços uma nova guinada com uma capacitação em massa voltada para os setores populares. Nosso PIB Municipal tem 86,7% de riqueza ligado ao setor de serviços (2023). Infelizmente, os grandes eventos privados da capital estão capturados por grandes empresas que excluem pequenos comerciantes e ambulantes como se eles não existissem na economia local. Diferente do que é feito, os grandes eventos devem fortalecer o protagonismo da economia local. Por que a praça informal de alimentação no Dique em dias de jogo do Bahia não pode funcionar dentro da Fonte Nova?

Em segundo lugar, o carnaval de Salvador deveria ser a maior política pública de economia criativa do Brasil. Do que adianta sermos a maior festa de trio elétrico do mundo se a gente continua a confeccionar abadás em outros estados? Como os alimentos dos camarotes conectam as suas cozinhas à compra de alimentos de produtores locais baianos?

Por fim, nosso planejamento urbano precisa inverter as prioridades. A cidade é vivida nos bairros e precisamos criar e implementar planos setoriais de economia para os principais bairros soteropolitanos. O sentimento que paira é que a Salvador para o turista não representa aquela que a gente acaba vivendo todos os dias do ano. Mais do que um balcão de serviços da prefeitura, os bairros precisam pulsar a nossa cultura, mas o sustento das pessoas depende de um plano de inclusão produtiva robusto e efetivo de economia popular. Neste sentido, Brotas é o mundo! Feliz Aniversário, Salvador!

*Professor Adjunto de Ciência Política da UNILAB e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (UFRB). E-mail: [email protected].

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