Vice-governadores definidos
Confira a coluna Conjuntura Política

A definição das chapas baianas guardou emoção do início ao fim do prazo da janela partidária. Nos dois lados da disputa baiana, a escolha do vice-governador revelou aspectos da estratégia eleitoral de cada grupo que deve ser observado. Os políticos sabem que a escolha do vice-governador na chapa responde a uma lógica que combina cálculo eleitoral e confiança política, isto é, um bom vice é aquele que amplia o alcance eleitoral e territorial, agrega no âmbito partidário e, ao mesmo tempo, aceita exercer um tipo de “liderança fiel e insular”, sempre à sombra do governador.
Na Bahia, desde que o PT venceu a eleição para governador em 2006, a escolha do vice obedece a um padrão estratégico de trazer para a chapa um nome que amplie o arco da coalizão e que mire o interior do estado. Foi assim com o PP e depois o PSD de Otto Alencar, com o PP de João Leão e, em 2022, com o MDB de Geraldo Júnior. Neste último caso, o PT inverteu a lógica habitual ao reforçar sua chapa com uma liderança que marchava no campo adversário em Salvador, já que o MDB compunha naquele ano a base político-partidária de ACM Neto.
O que muda novamente em 2026 é que ACM Neto reconheceu a força dessa estratégia ao escolher o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), um vice reeleito com 92% dos votos, ex-presidente da UPB e com forte articulação no sudoeste baiano. De maneira geral, a oposição reconhece que sem interiorização não há viabilidade eleitoral na Bahia, um desafio que vai exigir coordenação e inteligência na organização da pré-campanha nos pequenos e médios municípios baianos.
Do lado governista, a manutenção de Geraldo Júnior na chapa petista, confirmada na sexta-feira (3), sinaliza que o peso partidário supera a sua liderança eleitoral, acenando a um tipo de equilíbrio político necessário ao preservar o espaço do MDB na chapa, afinal, as qualidades de um vice não se medem somente pela projeção eleitoral de forma isolada.
O problema esteve na fratura exposta das articulações do governo diante de idas e vindas especulativas da vaga de vice que levaram a um conflito público e permanente. Para conter maiores danos, os petistas reconheceram a força do MDB, que elegeu em 2024, 33 prefeitos (7,9%) e 361 vereadores na Bahia, sendo que as articulações para 2026 mostram chances reais do partido crescer nas urnas com a ampliação do número de deputados estaduais e federais eleitos.
O desafio daqui em diante para ACM Neto envolve levar a sua pré-campanha ao interior em um volume que não teve em 2022, enquanto a chapa governista ainda batalha pela melhoria da avaliação do governo Jerônimo nas grandes e médias cidades baianas, um indicador necessário na correlação entre avaliação positiva e intenção de voto.
Cláudio André de Souza é professor adjunto de Ciência Política da UNILAB e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRB. E-mail: [email protected]
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