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Câncer de pâncreas aumenta incidência em países industrializados

Com difícil detecção e comportamento agressivo, câncer de pâncreas apresenta alta taxa de mortalidade

Publicado domingo, 21 de janeiro de 2024 às 06:00 h | Autor: Elane Varjão | Jornalista | [email protected]
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Diferentemente do câncer de mama ou próstata, o câncer de pâncreas é silencioso e, quando descoberto, geralmente progrediu ao estado de metástase. Pelo fato de ser de difícil detecção e comportamento agressivo, o câncer de pâncreas apresenta alta taxa de mortalidade em todo o mundo. Como ainda não há formas de rastreio, é fundamental que as pessoas procurem evitar fatores de risco que podem ser modificáveis, como tabagismo,  consumo de bebida alcóolica e obesidade. 

Preocupado com a aparição cada vez mais frequente, o Botton Champalimaud Pancreatic Center, inaugurado no ano passado em Lisboa, apresenta-se como um dos primeiros no mundo dedicado à investigação e ao tratamento do câncer do pâncreas. Na visão do diretor clínico do Departamento do Aparelho Digestivo, dr. Carlos Carvalho, “o diagnóstico geralmente é tardio e feito quando a maior parte dos sintomas já está em fase muito avançada, quando a perspectiva de cura é muito difícil”, o que precariza a solução do problema. O médico  ressalta que “embora já comecem a surgir alguns testes no sangue, com a utilização de material genético em circulação no DNA dos tumores, que podem trazer avanços em diagnósticos precoces e, eventualmente, serem utilizados como rastreio”. Ele complementa: “Mas, até agora não há um método generalizado de rastreio do câncer de pâncreas”.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer  (Inca), no Brasil, sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de pâncreas ocupa a 14ª posição entre os tipos  mais frequentes. Além disso, conforme dados da Organização Mundial de Saúde, houve 495 mil novos casos de câncer de pâncreas apenas em 2020 no mundo. No mesmo ano, 466 mil pessoas faleceram devido à doença, dado que corresponde à    sétima causa de letalidade por câncer no planeta.

“Não é um câncer raro, e nos países muito industrializados é cada vez mais frequente,  avançando em termos de porcentagem de mortalidade com relação aos outros tumores e provavelmente será  a segunda causa de morte nestes países,  ficando abaixo apenas do câncer de pulmão”, alerta Carvalho. 

Se o diagnóstico é difícil, mais importante ainda é atentar para os fatores de risco relacionados ao tabagismo, obesidade, idade, diabetes de tipo 2, consumo crônico de álcool e histórico familiar. O especialista chama atenção, ainda, para a letalidade deste tipo de câncer e faz comparação com outros tumores, tendo em vista que, enquanto no tumor da mama, na fase inicial, pode-se ter uma sobrevivência aos cinco anos mais 90% de cura, no caso  do pâncreas, esta sobrevivência é limitada a 40%. Já na fase metastática de tumores mais frequentes, existem formas de tratamento que permitem viver por muitos anos com um bom controle da doença. No caso do tumor do pâncreas, é extremamente raro, pois as alternativas de tratamento e remédios na fase avançada são muito limitados” reforça o profissional que alerta para o autocuidado.

Nova perspectiva da oncologia brasileira 

 A médica baiana Anelisa Coutinho, líder nacional do departamento de tumores gastrointestinais da Dasa Oncologia, assumiu no dia 1º de janeiro a presidência da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc). Anelisa é a terceira mulher a ocupar o cargo em 43 anos. “O sentimento é de consciência do desafio, junto à imensa vontade de contribuir com o avanço da especialidade no Brasil. Ser mais uma representante do sexo feminino só reforça a importância da equidade, do respeito ao indivíduo e da valorização pela capacidade de contribuição pessoal. O reconhecimento deve ser independente de tabus como gênero ou naturalidade”, afirma. 

Saúde mental 

 O janeiro branco chama a atenção para a importância dos cuidados com a saúde mental. Para atender melhor a população que sofre com problemas de depressão, ansiedade e outras doenças mentais, os Centros de Atenção Psicossocial de Salvador foram reforçados com a contratação de 26 psiquiatras, 11 psicólogos e 22 enfermeiros, que passaram a compor as equipes já existentes. Novas estratégias estão em implementação, como a realização de um novo Chamamento Público para psiquiatras e elaboração do edital para concurso público.

Novo medicamento para HIV 

O Ministério da Saúde informou ter concluído a distribuição de 5,6 milhões de comprimidos de um novo medicamento para o tratamento de pacientes com Aids ou HIV. O remédio foi repassado a estados e ao Distrito Federal.

O medicamento une em um único comprimido dois antirretrovirais: dolutegravir e lamivudina. “Antes, o tratamento do HIV envolvia exclusivamente combinações de vários medicamentos de diferentes classes para suprimir efetivamente o vírus e retardar a progressão da doença. Com o novo remédio, os usuários ganham a possibilidade de utilizar um tratamento com uma única dose diária”, diz nota publicada pela pasta.

Qdenga será fornecida em  fevereiro 

A vacina contra a dengue, conhecida como Qdenga, foi incorporada no Programa Nacional de Imunizações (PNI) pelo Ministério da Saúde, e a previsão é que comece a ser oferecida gratuitamente a partir de fevereiro. Com essa iniciativa, o Brasil se torna o primeiro país do mundo a disponibilizar o imunizante no sistema público de saúde. Em clínicas privadas, a Qdenga também está disponível em países da União Europeia, Indonésia, Tailândia e Argentina. No entanto, a oferta em larga escala ainda não é possível devido à capacidade restrita de fornecimento de doses pela farmacêutica Takeda Pharma, que produz a vacina.

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