Busca interna do iBahia
HOME > colunistas > DIREITO E TRIBUTOS
COLUNA

Direito e Tributos

Por Everton Santos

ACERVO DA COLUNA
Publicado | Autor: Everton Santos

O tributo agora entra na formação do preço das empresas. E isso muda tudo

Confira a coluna Direitos e Tributos

Ouvir Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email
Imagem ilustrativa da imagem O tributo agora entra na formação do preço das empresas. E isso muda tudo
-

Nos últimos artigos, tenho insistido em uma ideia que, à primeira vista, pode parecer simples, mas que carrega implicações profundas: a reforma tributária não está mudando apenas tributos. Está mudando a forma como as empresas precisam pensar o próprio negócio.

Falamos sobre o impacto no fluxo de caixa. Sobre como o contrato deixou de ser formalidade para se tornar instrumento de estratégia. Sobre o risco que pode vir do fornecedor. E, mais recentemente, sobre a necessidade de governança para que o crédito tributário efetivamente exista.

Tudo sobre Direito e Tributos em primeira mão!
Entre no canal do WhatsApp.

Tudo isso converge para um ponto que começa a ganhar relevância, especialmente para quem pensa crescimento, investimento ou até uma eventual venda da empresa: O valuation.

Durante muito tempo, o tributo foi tratado como uma variável secundária na formação de valor. Naturalmente relevante, mas raramente central. Em operações de fusões e aquisições, o foco estava no passado: identificar contingências, mapear riscos e ajustar o preço com base em eventuais exposições. A reforma muda esse eixo.

O tributo deixa de ser apenas um risco a ser descontado e passa a ser uma variável que influencia diretamente o valor futuro da empresa. E isso acontece por uma razão simples: valuation, no fim do dia, é projeção de caixa.

Se o sistema tributário altera a forma como o caixa se comporta, seja pela dinâmica dos créditos, pela necessidade de conformidade, pela dependência da cadeia de fornecedores ou pela pró

pria estrutura das operações, ele altera, inevitavelmente, o valor do negócio.

É aqui que os temas que venho abordando começam a se conectar de forma mais clara: a) Uma empresa que não controla bem seus créditos pode carregar custos ocultos; b) Uma empresa que estrutura mal seus contratos podem comprometer margens; c) Uma empresa que não monitora seus fornecedores pode transformar crédito em contingencie e; d) Uma empresa que não entende o impacto da reforma no seu caixa pode perder liquidez sem perceber.

O que antes era um problema operacional passa a ser um problema de valuation. E isso muda, de forma relevante, a lógica das transações. A due diligence tributária, tradicionalmente voltada para o passado, deixa de ser suficiente. Não basta mais perguntar o que a empresa fez. É preciso entender como ela está posicionada para operar no novo sistema.

Na minha leitura, estamos diante de uma mudança silenciosa, mas estrutural: a reforma tributária está deslocando o tema fiscal do campo da conformidade para o centro da estratégia empresarial.

E, como tenho repetido ao longo dessas reflexões: quem não perceber isso agora provavelmente vai perceber depois, no caixa, na margem ou, neste caso, no valuation. E, quando isso acontece, já não se trata mais de interpretação. Trata-se de valor.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.

Participe também do nosso canal no WhatsApp.

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Email Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar no Whatsapp

Tags

Relacionadas:

Assine a newsletter e receba conteúdos da coluna O Carrasco