Caldeirão de Aço - Concreto e abstrato

Publicado quinta-feira, 21 de julho de 2022 às 05:15 h | Atualizado em 21/07/2022, 00:01 | Autor: Leandro Silva | Jornalista | [email protected]
Com todos os ‘poréns’, é importante perceber que o balanço desse 1º turno é positivo
Com todos os ‘poréns’, é importante perceber que o balanço desse 1º turno é positivo -

No sábado, quando o Bahia voltar a campo no Mineirão, contra o Cruzeiro, na abertura do segundo turno, terão sido completados exatamente três meses e meio desde o primeiro confronto do ano entre os dois times, na largada desta Série B. Se naquele momento, antes do jogo contra os mineiros, com toda a apreensão pelo pífio primeiro trimestre do clube, eliminado nas primeiras fases da Copa do Nordeste e do Baiano, alguém te dissesse que o Esquadrão terminaria o primeiro turno na terceira colocação, sem sair do G-4 em nenhum momento, e com seis pontos de vantagem para o quinto colocado, como você imaginaria que estaria a torcida tricolor? Eufórica, certo? Pois a euforia ainda parece passar longe neste momento.  

O problema parece estar relacionado ao conflito entre concreto e abstrato. Esses dois conceitos andam dissonantes na campanha tricolor. Resultados não seguem muito unidos com atuações empolgantes. O triunfo contra o próprio Cruzeiro na primeira rodada e a goleada contra o Londrina pela sexta parecem ter sido os dois momentos em que as duas coisas vieram acompanhadas. No mais, o time tem conseguido vencer mais jogos em que não brilha muito do que quando domina as ações, como contra CRB e Grêmio, para usar o exemplo dos dois empates mais recentes na Fonte. Dessa forma, sempre parece estar faltando algo. Se vence, falta aquele jogo agradável, que daria confiança para o futuro. Se joga bem, ficam faltando os pontos, mantendo a desconfiança do torcedor.  

O empate contra o CRB fez com que o Tricolor chegasse aos 34 pontos, superando em um ponto a melhor campanha anterior do clube em um primeiro turno na Série B por pontos corridos. O problema é que a equipe que detinha a melhor marca, com 33 pontos, não era a de 2010 ou a de 2016, que conquistaram o acesso em campo, mas a de 2015, que perdeu o gás e ficou pelo caminho com um segundo turno decepcionante. Um exemplo que deve servir sempre como alerta. Em 2010, o clube ficou em quarto no primeiro turno, com 31 pontos. Em 2016, a situação era pior e o Bahia havia terminado o primeiro turno em 10º lugar, com 25 pontos.  

Os números atuais são inegavelmente bons, embora reste certa frustração também pela impressão de que poderiam estar ainda melhores. O crescimento da equipe longe de Salvador, por exemplo, acabou por ser diretamente proporcional à queda dentro da Fonte. O time não conseguiu aliar um bom retrospecto nos dois tipos de ambiente. Começou imbatível em casa, com seis triunfos consecutivos, e com dificuldades fora. Hoje, com a situação invertida, acumula quatro jogos sem vencer como mandante na competição, contra Chapecoense, Novorizontino, Grêmio e CRB, enquanto venceu três dos quatro últimos confrontos como visitante, contra Operário, Brusque e Guarani, além de um empate com o Vila Nova.  

Contra o CRB, na rodada de encerramento do primeiro turno, o Bahia teve uma atuação na primeira etapa em que dava indícios de que poderia equilibrar desempenho e resultado, além de voltar a vencer na Fonte, mas não conseguiu converter o volume ofensivo em mais gols, forçou bastante para conseguir o único gol e depois pagou com o desgaste e a perda de dois importantes pontos com o gol sofrido no segundo tempo.  

Com todos os ‘poréns’ apresentados, é importante perceber que o balanço desse primeiro turno é positivo, mas não deve servir para acomodação. Que o incômodo funcione como combustível para que, ao final dessa segunda metade da competição, o resultado seja o retorno à Série A, se possível, aliando com atuações que marquem a memória e o coração dos tricolores. 

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