Caldeirão de aço - Desânimo total

Publicado quinta-feira, 03 de março de 2022 às 06:01 h | Atualizado em 02/03/2022, 22:35 | Autor: Leandro Silva | Jornalista | [email protected]
Sofre com limitações e com a desorganização ao se lançar mais ao ataque e fica no quase
Sofre com limitações e com a desorganização ao se lançar mais ao ataque e fica no quase -

 É até difícil tentar entender o que está acontecendo, mas o desânimo parece ter tomado conta do Bahia de maneira assustadora, sem qualquer pressa para ir embora. Realmente fica até complicado buscar palavras positivas nesse momento, que envolve violência, desunião, descrença e insucessos esportivos. A derrota de ontem para o Atlético de Alagoinhas, por 2 a 1, a segunda para o adversário no ano, praticamente tirou qualquer chance de classificação no estadual, a duas rodadas do fim da primeira fase, com cinco pontos atrás dos times do G-4 e com um jogo a mais que quase todos.   

Em 2020 e 2021, sempre declarei ser a favor de que a equipe principal do jogasse os clássicos e a fase final do Baiano, até como uma forma de valorização da competição. Apontei inclusive a opção pelo time de transição na semifinal do ano passado como maior responsável pela perda da chance de conquistar o tetra estadual. Mas, agora, em 2022, atuando com o time principal em cinco das sete rodadas disputadas, o Tricolor conseguiu apenas um triunfo, e está praticamente eliminado ainda na primeira fase, algo que não aconteceu quando o time de transição foi utilizado em 2020 e 2021. 

O jogo de ontem cumpriu um roteiro bem parecido com o que tem se visto em muitos momentos da atual temporada. O time começa sem muita inspiração, apático, o jogo fica morno, parece que com um pouco de melhora, a equipe resolve a parada na qualidade individual. Mas vem algum erro decisivo que dá a vantagem para o adversário. No caso de ontem, o erro pareceu compartilhado entre Ignácio e a arbitragem, pois as imagens não me convenceram de que a infração foi dentro da área. A partir daí, o time até tenta se recuperar, mas sofre com limitações e com a desorganização ao se lançar mais ao ataque e fica no quase. Já são cinco derrotas em 11 partidas da equipe principal. E apenas o Fortaleza está em divisão superior. 

O Bahia jogou ontem e já volta a campo depois de amanhã, dessa vez pela Copa do Nordeste, contra o Sport, na Fonte Nova. Um dos maiores clássicos da região servirá também como o terceiro teste do ano contra um dos futuros adversários do clube no Brasileiro da Série B. Nos dois primeiros, um empate, contra o CSA, e um triunfo, por 2 a 0, contra o Sampaio Corrêa.  

Se a situação no Baiano é péssima e já parece irreversível, no Nordeste, embora não venha empolgando, o time tem uma condição melhor para passar da primeira fase. Em quarto lugar, com 10 pontos em seis jogos, o time ainda enfrenta o Sergipe, lanterna, na rodada final. Uma combinação de resultados pode fazer com que um triunfo no sábado garanta a vaga antecipada. Mas será preciso evoluir muito para tentar o título pelo segundo ano consecutivo. 

Por mais que a desconfiança e a bronca sejam enormes nesse momento, em decorrência do rebaixamento na temporada passada, de muitas decisões esportivas e de resultados que ainda desanimam em 2022, busco acreditar que o objetivo do clube no Brasileiro ainda é buscar o acesso, e o Sport, que também desceu em 2021, deverá ser um dos adversários diretos nessa briga pelo retorno à primeira divisão. O que aumenta a importância do confronto de sábado. 

Apesar de ter goleado o Sport pela Copa do Nordeste do ano passado, pode-se dizer que o Bahia vai em busca da forra, depois de perder os dois duelos válidos pelo Brasileiro passado. Dos quatro títulos da Copa do Nordeste conquistados pelo Bahia até hoje, dois foram conquistados justamente em finais contra o adversário de sábado. Em 2001, na antiga Fonte Nova, e em 2017, na atual, palco também do confronto de sábado.

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