Caldeirão de aço - Recuperação tardia

Publicado quinta-feira, 17 de março de 2022 às 06:00 h | Atualizado em 16/03/2022, 22:21 | Autor: Leandro Silva | Jornalista | [email protected]
O Bahia também chega à rodada final do Nordestão sem depender unicamente das próprias forças
O Bahia também chega à rodada final do Nordestão sem depender unicamente das próprias forças -

Duas goleadas contra equipes do interior servem como prova irrefutável de que o Bahia agora passa a ser imbatível? Longe disso. Mas dado o pífio desempenho anterior contra outros times também do  Baianão, é possível identificar, pelo menos, que houve uma nítida evolução no desempenho e na postura nos triunfos de sábado, por 4 a 1, contra o Jacuipense, e de ontem, por 3 a 0, contra o Vitória da Conquista. A recuperação no Baiano, ainda que tardia, serve, pelo menos, como injeção de ânimo para a reta final da Copa do Nordeste e para o restante da temporada, principalmente para a Série B, prioridade em 2022. 

Se chegou a flertar perigosamente com o rebaixamento no estadual, os dois triunfos fizeram com que o Bahia encerrasse a participação na primeira fase de maneira menos angustiante. Ainda que o sexto lugar esteja muito aquém da história e do potencial do clube, já era claro, desde a derrota para o Atlético de Alagoinhas, pela sétima rodada, que as chances de classificação eram mínimas. O que pôde ser feito de lá para cá foi feito. Os erros não foram de agora, mas de antes. Tanto que, em apenas duas rodadas, o Tricolor conseguiu igualar os seis pontos que haviam sido conquistados nas sete primeiras. Se tinha um único triunfo, o time conseguiu vencer Jacuipense e Vitória da Conquista com autoridade. 

 Quarto goleiro até bem pouco tempo, Mateus Claus foi a grande novidade da escalação inicial para a partida de ontem. Ele foi bem, com algumas defesas difíceis. Além dele, Lucas Mugni, que ressurgiu após boa atuação contra o Sport, retornou ao time inicial no lugar de Rezende, lesionado. A entrada representou uma mudança na característica da formação do meio-campo. Voltou a ser formado o trio do início do trabalho de Guto Ferreira, com Patrick e Daniel. 

A melhora do time como um todo nesses jogos foi inegável. Do ponto de vista individual, a subida de nível de Marco Antônio  parece muito importante para o futuro do time na temporada. Com gol e assistência contra o Jacuipense, o camisa 11 voltou a ser decisivo ontem, com uma assistência direta para o primeiro gol do jogo, marcado por Daniel, e um grande passe, que deixou Mugni em ótimas condições para dar a assistência para o primeiro gol de Rodallega. 

O colombiano, que já tinha feito um gol contra o Jacuipense, fez mais dois ontem. O segundo, de cabeça, após rebatida do goleiro adversário. Rodallega segue sendo o jogador de desempenho mais estável no time e também a principal esperança para o Esquadrão alcançar feitos positivos no ano, depois de decepcionar no Baiano.   

Há algumas temporadas considero equivocada a desvalorização pública do Baiano por parte da diretoria. Acaba passando uma sinalização de que o Baiano não é tão importante. Jogando com equipes alternativas nas temporadas 2020 e 2021, o Bahia demorou a parecer realmente focado nas partidas da competição atual, mesmo tendo atuado apenas nos dois primeiros jogos sem o time principal. O resultado foi a eliminação precoce e o segundo ano consecutivo sem o título, mesmo sendo o clube com melhores condições no Estado.  

Terminada a primeira fase do Baiano, as atenções se voltam para a Copa do Nordeste. E nesta o Bahia também chega à rodada final da primeira fase sem depender unicamente das próprias forças. Além de vencer o Sergipe, neste sábado, o Tricolor precisa torcer para que Náutico ou Botafogo da Paraíba fique sem ganhar. Também visitantes, o Náutico enfrenta o Globo, enquanto o Botafogo encara o Sampaio Corrêa. Que mantenha o nível desses dois jogos e que, dessa vez, a combinação de resultados ajude.  

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