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Ouro Preto

Publicado sexta-feira, 14 de agosto de 2020 às 09:55 h | Atualizado em 14/08/2020, 09:59 | Autor: Moysés Suzart*
Camisas marcam trajetória do clube
Camisas marcam trajetória do clube -
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Sempre tive paixão por camisas de clubes. Inclusive tinha uma coleção generosa de uniformes dos mais variados times, de seleções a clubes baianos. Com exceção de um, por rivalidade e ausência de afinidade mesmo. Um belo dia, creio que em 2004, fiz algum tipo de viagem, não me lembro. Quando retornei, minha saudosa vó Yara me disse que tinha pegado algumas roupas minhas ‘velhas’ para doar ao brechó da igreja. Já sabe, né? Quando abri o guarda-roupa, havia um vazio que até hoje sinto no peito. Corri pra igreja, quase todas as minhas outras roupas velhas estavam lá, menos as dos clubes. Não chorei por muito tempo, pois vovó pelo menos poupou minhas camisas do Vitória, que representavam uns 40% da coleção.

Continuo fazendo coleções, mas apenas com os mantos rubro-negros. São camisas das mais variadas formas, o que mostra o quanto o Vitória revolucionou a arte de produzir enxovais. Dando a César o que é de César, Paulo Carneiro foi o responsável pela ruptura que nos assemelhava ao Flamengo. As camisas de 1993 foram o início de tudo, com listras psicodélicas que marcaram nossa história e toda uma geração. Nunca mais paramos. O atual presidente sempre proporcionou essa liberdade e mais uma vez foi pontual em lançar uma das camisas mais lindas do Vitória. Um verdadeiro ouro preto, com o nosso brasão náutico estilizado (chupa, Corinthians!). Não que seja novidade o uniforme todo preto com o brasão dourado, mas este do Vitória dá até para comparecer em qualquer casamento que obrigue um traje esporte fino.

O melhor é saber que a criação é genuinamente rubro-negra. O natural é o clube receber da Kappa um menu com diversos modelos de camisa a ser produzida. O Vitória faz algumas modificações pontuais e o enxoval é produzido. Todas as marcas fazem isto, é comum vermos modelos semelhantes entre times, mudando apenas cores e outras particularidades. Não é o caso deste novo padrão 3. O enxoval é exclusivo, feito pelo designer Marcos Paranhos, funcionário do clube desde 2018. Produzir bons projetos gráficos e comer Big Mac são suas principais especialidades. Paranhos já tinha idealizado camisas personalizadas na gestão passada, mas foi barrado. Ele, inclusive, produziu o atual padrão utilizado na Série B. O mais engraçado é que a nova camisa preta causou tanta euforia em Paulo Carneiro que ele resolveu divulgar o manto sagrado de supetão, pegando de surpresa muita gente. Basta olhar a cara de Léo Ceará na apresentação, que rendeu boas figurinhas no WhatsApp. A euforia deu certo. Na primeira semana de pré-venda, foram vendidas cerca de mil peças. Um recorde.

A camisa é linda, ponto. Contudo, ela também precisa ser protagonista de algum momento marcante do Vitória. Neste caso, nem precisa ser tão bonita. Quem não se lembra da camisa amarela abelha de 2012? Até Pedro Ken ficava feio naquela camisa, mas amo aquela zorra (a camisa). É uma das que mais uso, principalmente quando sou obrigado a sair de casa a contragosto. Para que o novo padrão seja completo, sai de cena a estética, entra a raça de quem vai usá-la. Bruno Pivetti terá o dever de assinar a arte final, dando uma cara ao time tão bela quanto o novo uniforme, que só deve estrear em novembro. Tempo suficiente para o elenco evoluir o bastante para lutar pelo título do certame. Roupa de gala nós já temos.

*Jornalista e assessor de imprensa

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