Resenha rubro-negra - Dá para acreditar?

Publicado sexta-feira, 18 de março de 2022 às 06:00 h | Atualizado em 17/03/2022, 19:59 | Autor: Angelo Paz | Jornalista [email protected]
O Vitória precisa acelerar a reformulação do time. Com o que tem, não dá para acreditar no acesso
O Vitória precisa acelerar a reformulação do time. Com o que tem, não dá para acreditar no acesso -

O lamentável aconteceu outra vez. Pela quarta vez seguida, o Vitória está fora das semifinais do campeonato Baiano. Uma frustração que só machuca ainda mais o coração já dolorido dos rubro-negros, que desde 2018 se deparam com sucessivas decepções. Na última quarta, mais uma. Não pelo resultado, mas pelo desfecho. A quinta colocação após o término da primeira fase do estadual é um retrato da enorme dificuldade que o clube terá de superar caso queira evitar mais uma decepção. A maior delas seria não subir para a Série B. 

Falta menos de um mês para a bola rolar na Série C e a desconfiança se justifica pelo futebol do Vitória na temporada. Uma equipe que somou  48% dos pontos disputados no certame caseiro e venceu apenas um dos últimos quatro colocados do campeonato: o Vitória da Conquista, que caiu. E foi justamente a derrota para o oitavo colocado Doce Mel, na sétima rodada, que colocou o Leão em situação muito difícil para se classificar.  

O revés deixou o Vitória com a necessidade de torcer por outros resultados. E como no jogo seguinte só empatou com o Unirb, rebaixado como lanterna, o Rubro-Negro chegou à última rodada em situação bem desconfortável para se classificar, o que não aconteceu. Também, uma equipe que só consegue vencer dentro de casa na última rodada, de fato, não merecia passar. Não apenas por este aproveitamento, mas também por outras fragilidades.  

O Vitória teve o terceiro pior ataque da competição, com apenas sete gols marcados em nove jogos disputados. A falta de capacidade de colocar a bola para dentro foi um dos temas mais recorrentes das coletivas pós-jogo do técnico Dado Cavalcanti, que não conseguiu encaixar o time mesmo com bastante tempo para trabalhar e acabou demitido: a contar com a estreia na Copa do Brasil, foram dez jogos num intervalo de 59 dias. Ou seja, a equipe jogou um jogo a cada seis dias.  

Um calendário forçadamente folgado devido à ausência do clube na fase de grupos Copa do Nordeste. E com foco exclusivo no estadual, o que não ocorreu nos últimos três anos, a expectativa era de um desfecho diferente no atual Campeonato Baiano, mesmo com o clube na Série C. Por falar na competição mais importante do ano para o Leão, é evidente a necessidade de repensar o elenco, fato reconhecido por Dado em sua declaração mais importante após a não comemorada vitória sobre o Bahia de Feira. “Nós temos limitações, isso é fato. Se não tivéssemos, não estaríamos na condição que estamos”, destacou.  

E é essa limitada equipe que tentará evitar uma nova decepção na próxima quarta, quando recebe o Glória-RS pela segunda fase da Copa do Brasil.  A equipe gaúcha sequer disputou a primeira divisão do estadual este ano, mas numa competição em que equipes como Grêmio, Inter, Sport e Vasco já caíram, é bom se ligar. Vale lembrar que é jogo único. Quem vencer leva a classificação e R$ 1,9 milhão como premiação.  

Uma quantia, por sinal, que consta no planejamento do Vitória desta temporada. E que se tornou ainda mais importante após o imbróglio envolvendo o atacante David, que havia sido negociado com o Metalist, da devastada Ucrânia em guerra promovida pela Rússia. Sem ter recebido o valor de 1,2 milhão de euros (cerca de R$ 7,3 milhões de reais) pela venda, e também sem ter repassado ao clube ucraniano a transferência internacional, que concretizaria o negócio, o Vitória tenta uma solução via Fifa. O Vitória só não pode aguardar para acelerar a reformulação do time. Com o que tem aí, não dá para acreditar no acesso.

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