Resenha rubro-negra - Final infeliz

Publicado terça-feira, 29 de dezembro de 2020 às 06:03 h | Atualizado em 29/12/2020, 00:18 | Autor: Angelo Paz | Jornalista | [email protected]

Antes de tudo, com algum atraso, Feliz Natal. Infelizmente, não tenho como fugir de um assunto totalmente na contramão do espírito natalino. É impossível desviar da tristeza ao falar do momento atual do Vitória. O ano acaba e a crise continua. Assim como a falta de rumo. Sinceramente, não consigo identificar o que é mais preocupante.

Se 2020 já estava fadado ao insucesso, 2021, inacreditavelmente, pode ser ainda pior. O fantasma de uma segunda passagem pela Terceira Divisão é real. O complemento da 31ª rodada, que começou de forma vergonhosa para o Rubro-Negro, goleado por 3 a 0 pelo CSA, em Maceió, deixou o Vitória apenas um ponto à frente do Z-4 da Série B.

Esse é o clima de ‘festas’ do Leão, visivelmente perdido, não só em campo. O presidente Paulo Carneiro, que no último dia 8 justificou a não efetivação de Rodrigo pelo fato de o então interino estar em fase de formação, voltou atrás ao ver o Vitória dar vexame no Rei Pelé. Após exatos 15 dias sob o comando de Mazola, que chegou tão criticado quanto saiu, com uma passagem relâmpago de três derrotas e um empate, o Vitória tem um novo treinador: Rodrigo, que, curiosamente, agora já está pronto para o cargo.

Inexperiente para comandar um Vitória que no início de dezembro ainda sonhava com o acesso, Rodrigo ganhou como presente de Natal a missão de apagar mais um incêndio do clube, que chega ao sétimo treinador no período de um ano e oito meses da atual gestão. Como dispensa apresentações, Rodrigo só dará sua primeira entrevista coletiva como técnico do Vitória em 2021, mais precisamente após sua estreia diante do Operário, dia 3 de janeiro.

Mesmo assim, não optou pelo silêncio. Torcedor declarado do clube, o ex-lateral prata da casa, através de um áudio de Zap enviado pelo clube à imprensa na última quarta, reconheceu que a missão agora é mais difícil do que quando assumiu (interinamente) no final de novembro, após Barroca pedir demissão para treinar o Botafogo. De fato, é. Restando apenas sete jogos, erros agora não significam passar mais um ano na Série B. E sim ter, conforme já mencionado, que encarar novamente a Série C.

Em meio a Natal e Réveillon, são 10 dias de preparação para o início dessa curta e tensa caminhada. O objetivo é somar obrigatórias quatro vitórias, que garantem os 48 pontos tidos hoje como marco da salvação pelos matemáticos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Sendo assim, Rodrigo precisa tirar de um apático time praticamente o mesmo aproveitamento alcançado sob seu curto comando, em que vimos lampejos de bom futebol e o único período de relativo sucesso na competição: 58% dos pontos alcançados (sete em 12 disputados). Acreditar que esse combo vai se repetir é pedir demais a uma torcida que vem há muito sendo maltratada. Vindo os pontos necessários, já está de bom tamanho. Afinal, não é hora mais de jogar bem, mas de fazer o suficiente para evitar o pior.

Definitivamente, será difícil. Basta passar o olho na tabela e ver os próximos adversários. Dos sete que restam, três estão diretamente envoltos na briga pelo acesso: a líder, Chapecoense, o vice, América, e o sexto, Guarani. O Avaí, em nono e a cinco pontos do G-4, concorre com menos força, mas ainda se permite sonhar. Portanto, não dá nem pra contar com uma tabela mais amena. Vai ser duro. Assim como foi esse 2020, será no início de 2021 e talvez ainda mais na sequência dele.

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