Beijuzeira de Irará mantém a tradição do beiju passada entre gerações
Com espírito empreendedor, Nalva do Beiju criou a iguaria colorida, tingindo a receita com sucos de legumes
“Essa é a nossa comida da refeição, do nosso dia a dia. A gente foi criada com isso, a gente conhece. É da gente, é da roça”.
Comercializando beiju desde os 9 anos, Marinalva Alves Martins Cerqueira, a Nalva do Beiju, como é conhecida na cidade de Irará, interior baiano, faz parte de uma típica família que vive da agricultura familiar. Seu marido e filhos lidam com a mandioca, de onde sai a massa para o preparo da farinha e da tapioca, carro-chefe da família e marca registrada da mulher empreendedora conhecida como Nalva do Beiju.
”Aprendi com minha mãe e minha tia, mas meus avós já vendiam muito antes. Eu ajudava a minha bisavó e a minha avó. Os produtos eram vendidos todos os sábados na feira livre da cidade. Tenho 45 anos de profissão de beiju, cresci no dia a dia fazendo beiju, ajudando a minha mãe. Casei e continuei na lida do beiju. Meu marido vendia a farinha e eu fazia beiju”, conta.
O trabalho na roça envolvia os filhos de Nalvinha e o marido, que acompanhavam todo o processo. “O tempo foi passando, a gente foi evoluindo, vieram os projetos dos pequenos produtores. Os meninos foram estudando e também ajudando. A verdadeira mão de obra familiar”, conta.
Com sua simplicidade, Nalva relata como tudo começou e diz que a fama veio depois de muita labuta com o trabalho. “Naquele tempo vinha muita gente de Salvador para fazer feira, os ônibus vinham lotados. Quando chegavam na entrada da rua, eu já começava a vender beiju e o povo gritava. ‘Ô, Nalvinha do Beiju! Nalvinha do Beiju já chegou com o balaio de beiju! Eu quero beiju, Nalvinha!’. Eu botava o balaio no chão, despachava o povo, e ia até o Mercado Municipal. Quando chegava no Mercado, eu já tinha vendido o beiju quase todo”, conta.
Criativa, foi Nalvinha quem inventou o beiju colorido, que ela chama de beiju nutritivo. À massa, misturam-se as folhas de couve, a beterraba ou a cenoura. A ideia veio em 2004, na primeira Feira da Mandioca da cidade.
“Um dia estava fazendo o arroz com a cenoura e o colorido me chamou a atenção. Então pensei: se tingisse o beiju com a cenoura ou o açafrão, ele também ficaria colorido. Assim, na primeira Feira da Mandioca, resolvi dar um colorido à barraca com os beijus tingidos de couve, cenoura e beterraba. A ideia não era comer os beijus, mas o povo não aguentou ver e comeu tudo. No dia seguinte, tive que arrumar tudo novamente”, conta.
Desde então os beijus nutritivos de Nalvinha são um dos seus maiores sucessos, comercializados até hoje. “Faço com recheio de banana-da-terra e canela, pode ser banana-da-terra e coco, com frango e as folhas da ora-pro-nóbis. Mas tem todo tipo de recheio. Banana-da-terra com carne de sertão, com carne do sol, banana-da-terra com queijo, com purê de aipim, com carne seca, banana-da-terra com canela, banana-da-terra com coco e queijo, galinha de quintal com maturi, carne seca com ora-pro-nóbis”, enumera.
O beiju é o carro-chefe do município de Irará. No local, muitas mulheres sustentam as famílias vendendo a iguaria. Mas as mulheres que participam das cooperativas para incrementar o negócio não tinham representatividade e acabavam vendendo os produtos em meio aos tantos trabalhos comercializados durante a Feira da Mandioca, evento ligado aos agricultores de um modo geral.
Quem reparou que o beiju poderia ser a estrela da história foi a produtora cultural Bel Anunciação, que ao lado da irmã, Lucinha Anunciação, criou o Festival do Beiju.
“Em 2015 a gente viu a necessidade de valorizar mais o beiju, a mulher que faz o beiju, porque já tinha a Feira da Mandioca, mas não representava muito a mulher. Representava os agricultores, homens e mulheres, mas não tinha o foco no beiju, uma iguaria importante também. Aí a gente fez o Festival Cultural como um intercâmbio também entre cidades, entre mulheres que produzem beiju em várias cidades da Bahia. Então, esse é o objetivo, promover o beiju das mulheres de Irará e de outras cidades do estado”, revela Bel.
O espírito empreendedor da beijuzeira Nalva fez com que ela enxergasse o festival como uma oportunidade, assim como participou de tantos outros eventos que pudessem promover a iguaria.
“Eu acreditei no projeto, que veio enriquecer a cultura das bejuzeiras do município. O beiju é o carro-chefe do nosso município. Muitas mulheres sustentam suas famílias com o beiju”, destaca.
E relembra como o festival acabou sendo uma grande referência para projetar a cultura do beiju, entranhada nos costumes do seu povo e fruto da terra.
“Essa é a nossa comida da refeição, do nosso dia a dia. A gente foi criada com isso, a gente conhece. O ora-pro-nóbis, folha que é riquíssima, o bredo, o maturi, que é a castanha verde, a galinha caipira, de quintal, a gente vai misturando com o beiju, é da gente, é da roça. Não tem química, a gente deve usar nossas coisas, da nossa região, fomos criados com isso”, diz, consciente do valor da iguaria.
E enfatiza a valorização do produto, que hoje tem reconhecimento no mercado como um alimento nutritivo e saudável.
“A tapioca é uma comida típica daqui da zona rural. Eu mesma tomava café com tapioca, mas feita diferente, num caco de barro, recheada com a carne de sertão, a carne do sol. A carne era assada na brasa e a gente botava na tapioca, no beijuzinho que a gente fazia ali, na hora, para tomar café”, conta, relembrando os tempos de outrora.
“Essa é a nossa comida da refeição, do nosso dia a dia. A gente foi criada com isso, a gente conhece. É da gente, é da roça”.
E Nalva do Beiju fala dos novos tempos, do avanço do mercado, que valorizou o produto. “Graças a Deus, com a renovação, hoje a gente faz esse beiju. Na verdade, essa renovação não foi uma descoberta. A gente colocou em prática o que a gente já fazia há muito tempo”, reflete.
E para homenagear as mulheres, a aguerrida Nalva do Beiju nos brinda com um delicioso beiju nutritivo tingido com folha de couve.
Receita do beiju (ou tapioca) nutritivo
Ingredientes:
1 folha de couve
10ml de água
100g de goma seca (fécula da mandioca)
25g de carne seca (triturada)
25g de queijo
Sal a gosto
1 fatia de banana-da-terra desidratada
Manteiga a gosto
Modo de preparo:
Triture a folha de couve no liquidificador com a água até ficar homogênea. Misture a goma seca com a couve já triturada. Após misturar a goma com a couve, passe em peneira fina. E está pronta a massa do beiju nutritivo.
Preparo do beiju:
Em frigideira antiaderente pré-aquecida, espalhe três colheres de tapioca de forma circular. Espere assar, vire e acrescente o recheio, que pode ser banana-da-terra, queijo e carne. Dobre em forma de pastel e pincele com manteiga. E pode degustar!
NOTAS COM HISTÓRIAS & SABORES
Chocolateria Marrom Marfim produz o Papai Noel mais fofo e gostoso da cidade
O Marrom Marfim, restaurante e chocolateria que fica na Rua Gregório de Matos, 17, em frente à Praça Pedro Archanjo, no Pelourinho, está produzindo uma linha de Papais Noeis de chocolate. São três tipos, feitos com chocolates nobres recheados com flocos. Para um pedido acima de 50 unidades o valor fica R$6,00 por Papai Noel. Mas o pedido mínimo é de 10 unidades. Rita Dorotea, a empresária à frente do Marrom Marfim, vem de uma linhagem de gente que entende muito de chocolate. Há 30 anos à frente da chocolateria, ela trouxe de Ipiaú a experiência de misturar chocolate com os insumos mais diversos.
Encomendas: 71 98622-9319 (whatsapp) | @chocolatesmarrommarfim
Com presentes memoráveis e marcantes, Kopenhagen lança nova campanha para celebrar o Natal 2022
Com a nova campanha "Kopenhagen: Natal que marca", este ano a Kopenhagen traz novidades em seu catálogo natalino e resgata clássicos queridinhos do público com um portfólio diversificado para impressionar diversos paladares e uma régua de preços heterogênea para se encaixar em todos os bolsos. A famosa coleção de panettones ganha 2 novos sabores irresistíveis com recheios que derretem na boca. A linha de presentes especiais ganha 5 novos produtos que se destacam com suas embalagens sofisticadas. Assim como a linha Petit, que também conta com uma super novidade crocante, saborosa e delicada. Já para as crianças, a Lingato traz 2 novas opções presenteáveis, que prometem tornar o momento divertido e delicioso.
Panetone Havana pode ser trocado por notas fiscais no Shopping da Bahia
O Shopping da Bahia preparou uma promoção especial para celebrar a época mais mágica do ano. Até 24/12, os clientes poderão levar para casa um panetone Havanna de 500g, recheado com doce de leite da marca, embalado em caixa personalizada inspirada na Noelândia. Para isso, basta reunir R$500,00 em notas ficais e mais R$20,00, passar no Posto de Trocas do 3º piso e levar o seu. O cadastro para participar da promoção será realizado por meio do site www.shoppingdabahia.com.br/promocoes, com limite de até dois panetones por CPF cadastrado.
Temperê lança cardápio de festas com entrega delivery
A Temperê, uma startup de comida boa, acaba de lançar seu cardápio para as festas de final de ano. Com entrega em sistema de delivery, podem ser pedidos Pernil Suíno com Batatinhas Salteadas e Tomates Grapes Confitados (R$ 180,00 o quilo), Sanduíche de Pernil com Geleia de Cebola - R$ 4,00 (pedido mínimo de 50 unidades); dentre outras delícias que podem ser pedidas até o dia 20/12 pelo telefone (71) 9 9304-6768. @tempere.ba
Mercado do Rio Vermelho é opção para compras de final de ano
No Mercado do Rio Vermelho (MRV), com mais de 50 anos na praça, o cliente encontra ingredientes selecionados para a ceia de final de ano, especiarias, bebidas, artigos para ornamentação, cafés de origem da Bahia e chocolates orgânicos . É possível ainda encerrar a visita desfrutando de uma gastronomia diversificada, com sabores da culinária regional e até internacional. O mercado funciona de segunda-feira a sábado, das 7h às 18h. Aos domingos e feriados abre às 7h, os boxes fecham às 14h e a praça de alimentação às 16h. Nos dias 24 e 31 de dezembro, o fechamento será às 16 horas, já nos dias 25 de dezembro e 01 de janeiro, o mercado está fechado.
Curso de Gastronomia da Unifacs leva 4 no índice geral de cursos pelo MEC
O curso de Gastronomia da Universidade Salvador – UNIFACS, que integra o Ecossistema Ânima Educação, está no topo das recomendações do Ministério da Educação (MEC). Com nota 4 no índice geral de cursos e 5 no recredenciamento, o curso é considerado o número 1 entre as nove melhores faculdades de Gastronomia do Brasil para estudar em 2023. Foram avaliados critérios como infraestrutura e qualidade do curso, o que inclui o perfil do corpo docente e o desempenho no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes – ENADE, por exemplo. As notas atribuídas variam entre 1 e 5, sendo essa a nota máxima. Os estudantes também participaram como avaliadores.
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.