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O manjar branco aculturou-se e faz parte das oferendas para Iemanjá

A iguaria apareceu na Idade Média, com ingredientes salgados, até se transformar em uma saborosa sobremesa

Publicado sábado, 27 de janeiro de 2024 às 07:22 h | Atualizado em 27/01/2024, 08:45 | Autor: Isabel Oliveira
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Do manjar salgado, com origem na Idade Média, ao manjar doce dos portugueses, o processo de aculturação do manjar branco, sobremesa leve e deliciosa, levou a iguaria à condição de comida que faz parte das oferendas para Iemanjá.

Casa do Peso
Casa do Peso |  Foto: Internet/Divulgação
 

“Acredito que seja um processo de aculturação que ocorreu aqui. Mas esse manjar é feito com a farinha de milho branco. Só que, ao invés de ser envolto na folha de bananeira, ele é colocado num recipiente, numa travessa, em uma forma bonita. Ele possui os mesmos ingredientes que o nosso acaçá doce”, explica o chef e professor de história da gastronomia, Elmo Alves.

A receita que conhecemos hoje tem um percurso secular e provavelmente teve início na Idade Média. Acredita-se que o manjar branco tenha origem entre os Árabes, tendo o frango como o principal ingrediente. Portanto, uma iguaria que nasceu salgada e migrou para a Europa quando os mouros dominaram a Espanha e Portugal por séculos. O manjar branco, ou o blancmage, como ficou conhecido na Europa, tem nome francês e significa “comer branco”.

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Deve-se aos Árabes a introdução do açúcar e das receitas doces em Portugal, transformando as diversas sobremesas em uma tradição. No entanto, dizem que é relativamente recente a transformação do manjar branco em doce. Foi dessa forma que ele chegou ao Brasil pelas mãos dos portugueses. Já pelas mãos dos escravos africanos e a provável abundância do coco, a iguaria é feita no país com o nosso querido e versátil leite de coco no modo popular de cozinhar. Na cozinha do candomblé, ele se transforma e recebe um tratamento ritualistico.

“No candomblé, tudo é feito de forma ritualística. Seja a comida que for [ofertada], o ideal é que essa comida seja feita por uma pessoa que entenda o seu sentido, sua importância, pois no rito da oferta é tudo que envolve a preparação. O ato de preparar requer cuidado porque toda comida que é ofertada é um instrumento de comunicação, então requer respeito e a ritualística que se faz necessária”, explica o chef Elmo.

 

 

Uma das festas mais esperadas pelos baianos, a celebração à Iemanjá no Rio Vermelho, mexe com a devoção, questões culturais e o pertencimento do povo baiano, cada vez mais integrado à própria cultura desde que nos anos 1980 o governo baiano resolveu trabalhar com o simbolismo da Bahia como incentivo ao turismo. Deu certo e hoje uma frase dita por populares talvez retrate muito bem esse pertencimento: 'Deus me livre de não ser baiano!’. 

A expectativa para o Dia de Iemanjá, no dia 2/02,  se espalha por Salvador, pelos terreiros, que até encomendam decoração para enfeitar o espaço para a festa de Iemanjá, pelos bares e bairros adjacentes, todos querendo agradar “a mãe que afaga, que alimenta, a mãe que adoça os caminhos, a grande mãe, a grande genitora”, como diz Elmo Alves.  

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Elmo chama a atenção para Iemanjá como a grande mãe. “É uma grande orixá, uma grande Iabá, muito importante para o culto das religiões de matriz africana. Essa grande senhora, que também atende por Ieumanjá, cujo significado é mãe cujos filhos são peixes, faz alusão ao seu lado materno fraternal. Iemanjá é a grande mãe que acolhe a todos indistintamente, é a mãe protetora, é a mãe zelosa, é a senhora das águas”.

Iemanjá é a mãe que afaga, que alimenta, a mãe que adoça os caminhos, a grande mãe, a grande genitora Elmo Alves, gastrônomo e historiador
  

Tereza Paim, que vive há quase trinta anos no bairro do Rio Vermelho, é devota da divindade das águas do mar e tem muita alegria em viver sob a proteção de Iemanjá.

“Eu tenho muita alegria em servir a Iemanjá, então eu acho que quando eu entro para festa, que eu faço a celebração, estou fazendo um serviço para a religiosidade, que as pessoas tenham o prazer de estar na festa, que eu possa estar compondo aquela festa, que é uma celebração para Iemanjá”, conta Tereza.

 

  

Em seu restaurante, Casa de Tereza, no Rio Vermelho, a grande chef de cozinha serve um menu degustação que oferece para Iemanjá e Iansã, e a sobremesa é o manjar de coco.

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Para celebrar Iemanjá, vamos ensinar esta receita simples de manjar de coco da Casa de Tereza, em uma interpretação um pouco mais autoral, que inclui coco ralado e é acompanhada por uma emulsão de ameixa com vinho do Porto. Odoyá! 

 

  

Manjar de Coco

Ingredientes

500ml de leite

500ml de leite de coco

50g de amido de milho

80g de coco seco ralado fino

170g de açúcar

13g de gelatina em pó

Modo de fazer

Misture o leite, o leite de coco, o coco ralado, o açúcar e o amido de milho e leve ao fogo, mexendo sem parar.

Quando estiver cozido, como um mingau, adicione a gelatina dissolvida em um pouco de água morna.

Deixe cozinhar por 4 minutos, desligue e coloque em forminhas, levando à geladeira.

Sirva com mel de ameixa.

Mel de Ameixa 

Ingredientes:

250g de ameixa sem caroço

250g de açúcar

250ml de água

200ml de suco de laranja

300ml de vinho do Porto

1 pau de canela

1 cravo

1 cardamomo

1 pitada de sal

1 pimenta doce

4 sementes de pimenta do reino

1 anis estrelado

1 folha de louro

Modo de Preparo

Faça uma calda por 20 minutos em fogo baixo com a água, pimenta doce e açúcar.

Inclua as ameixas e as especiarias (todas em um saquinho de tecido, pode usar

perfex) e deixe cozinhar por mais 10 minutos.

Adicione o vinho do Porto e o suco de laranja, e deixe cozinhar por mais 20 minutos.

Retire do fogo, deixe esfriar, retire as especiarias e triture no liquidificador.lb\

Outra opção é fazer com a simples calda de ameixa 

NOTA COM HISTÓRIAS & SABORES

Vila de Praia do Forte ganha uma loja exclusiva do Açaí Real

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Dentro do plano de expansão dos negócios do grupo Sorvetes Real, desta vez foi o balneário baiano de Praia do Forte que recebeu uma nova loja do Açaí Real - especializado em servir as diversas variações da fruta gelada em formato de buffet a quilo e picolés, da mesma forma como já acontece na unidade localizada no Museu do Sorvete / Solar Amado Bahia, no bairro da Ribeira, em Salvador.Em localização estratégica, na rua principal da vila de Praia do Forte, a nova loja Açaí Real é uma parceria da marca com o empresário Ramiro Davoglio e o negócio chega para se complementar à unidade da Sorvetes Real que já funcionava em frente à igrejinha. Mais detalhes no Instagram @acairealpf.

Referência em comida 100% saudável, Healthy Salad Bar anuncia novo menu de sanduíches e pratos quentes

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Reconhecido por fornecer insumos de alta qualidade, todos de fabricação própria, o Healthy Salad Bar lançou seu novo menu de pratos quentes, também conhecido como ‘PF saudável’. São cinco opções que contam com uma minuciosa seleção de componentes, cuidadosamente escolhidos para proporcionar a mais completa combinação de sabores – tudo sem trigo, sem açúcar e sem lactose – oferecendo segurança a quem tem algum tipo de intolerância ou restrição desses alimentos. Dentre as sugestões, opções de Frango Grelhado, Arroz negro, Salada vinagrete e Guacamole por R$ 39,90. Mais informações: @saladbarhealthy | www.healthyporvc.com.br 

Silva Cozinha funcionará até as primeiras horas do 2 de fevereiro, para alvorada

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Quem, assim como Dorival Caymmi, quiser "ser o primeiro a saudar Iemanjá", pode apostar no conforto do Silva Cozinha, na orla do Rio Vermelho, como opção para aguardar as primeiras horas do dia 2 de fevereiro, quando a alvorada de fogos marca o início da festa no bairro.O chef Ricardo Silva reunirá amigos e clientes das 19h do dia 1º às 5h do dia 2 de fevereiro, com descontração, DJ e climatização. Ao longo da noite, o menu da casa, das entradas e pratos principais às sobremesas será servido normalmente, harmonizado com drinks clássicos e autorais, vinhos e outras bebidas.

As reservas das mesas podem ser feitas antecipadamente pelo WhatsApp (71) 3052-6010.

No coração do Rio Vermelho, Chão Boteco homenageia Iemanjá unindo arte e gastronomia

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O Chão abrirá seu calendário festivo com uma das comemorações mais icônicas do Verão baiano: o Dia de Iemanjá. Para a data especial, Emanuele Nascimento, criadora do lugar, preparou um menu que terá com carro chefe uma feijoada completa, além de outras receitas para quem busca disposição para virar a noite do dia 1º e seguir pelo dia 2 celebrando Iemanjá, além de opções de drinks criados pelo bartender Dan Morais. No 1º de fevereiro, o Chão abrirá ao meio-dia, seguindo o atendimento até as 23h do dia 2. O boteco fica localizado na Rua Fonte do Boi, 12

Casa da Mãe completa 18 anos e celebra Iemanjá com programação especial

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Em 2024, a Casa da Mãe chega à maioridade, aos 18 anos. Nesse 02 de Fevereiro, o canto, o brilho, a festa, a alegria, as saudações e os abraços serão para a rainha maior, mãe de todos nós, Iemanjá, a dona da nossa Casa. Acolhedora, a Casa da Mãe  abrirá as portas às 11h.  A cozinha da casa estará funcionando normalmente, com opções de comidinhas rápidas e almoço.  No bar, os famosos drinks da casa e a tradicional cerveja, para encarar as temperaturas apocalípticas deste verão.

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