A invasão do português pelo inglês e os apelos funestos da Black Friday

Publicado sábado, 30 de novembro de 2019 às 06:00 h | Atualizado em 29/11/2019, 21:42 | Autor: [email protected]

Desde que o nosso velho cachorro-quente virou hot--dog, concurso de beleza para eleição de miss e beldades em desfiles de moda top model, lá bem atrás, no paleolítico da internet, a mania brasileira de injetar o inglês no português já era notável. Nos últimos tempos, na era da chamada sociedade em rede, disparou.

Desenho virou design; academia, fitness; cantina, delivery; alinhamento de regras, compliance; iniciativas em geral, startup, e por aí  vai. E eis que agora entra em cena a Black Friday, nada mais do que sempre conhecemos aqui como um feirão, antes chamado liquidação.   

‘Bad omen’ — A Black Friday é nova. Começou nos EUA, mais precisamente na Filadélfia, nos anos 90. Era o dia seguinte ao feriado  lá de Ação de Graças, que marcava o início das compras natalinas, com descontos generosos, aqui no Brasil importada há 10 anos justamente no fim de novembro, quando o povão recebe a primeira parcela do 13º. Vá lá. Com a tintagem gringa se oferta de tudo com descontos, num mix que inclui motéis, transações de moedas como o dólar, o euro e a libra e até caranguejo nas barracas à beira-mar.

Mas 2019 veio com uma novidade funesta: cemitérios oferecendo 30% de descontos para túmulos e 50% em cremação, como em Belo Horizonte, com todo respeito ao direito do livre-comércio, estampa as intenções comerciais da indústria da morte. De resto, para ficar no clima, cheira a bad omen (mau agouro).

Semana de cão na Codesal

Sósthenes Macedo, o diretor da Coordenação de Defesa Civil de Salvador (Codesal), admite: as chuvas de segunda e terça foram atípicas e geraram uma demanda incomum:

– Recebemos nada menos que 2.641 solicitações (de ajuda), a grande maioria por conta de alagamentos.

Segundo ele, das 11 sirenes instaladas em pontos de risco de Salvador, 10 foram acionadas para avisar do perigo, algo também nunca registrado.

Isidório quer Edvaldo vice

O deputado federal Sargento Isidório (Avante) compareceu ontem à posse do professor Edvaldo Brito na Academia de Letras da Bahia.

Ele diz que é amigo e sempre foi um admirador do professor, mas os aliados dele insinuam que a intenção é outra: ele já convidou Edvaldo para ser vice na chapa dele e está esperançoso.

Se os aliados de Rui Costa já dizem que o perigo é ‘Isidório embalar’, já pensou ele e Edvaldo? O risco sobe.

Uma insepulta espera o Nina

Sueli Pinheiro do Carmo, moradora de Crisópolis, vive um drama singular. Após visitá-la, em agosto, a mãe dela, D. Olávia Pinheiro de Souza, de 46 anos, sumiu. Foi à delegacia, deu queixa, na hora que lá estava veio a informação: o corpo foi encontrado boiando num riacho.

Aí entra a segunda parte do drama: desde agosto o corpo da mãe dela está no Instituto Médico-Legal Nina Rodrigues esperando um exame de DNA. 

– Aí, a dor fica maior.

Adão Castro, o recordista em mandatos de vereador

Adão Castro, 71 anos, plantador de manga nas bordas das barrancas do rio São Francisco, em Curaçá,  tem uma história a contar: tem dez mandatos consecutivos de vereador e ano que vem irá para o 11º, um recorde. O segredo para ganhar voto, segundo ele:

– É simples. É só não mentir, não enganar.

Na sua trajetória duas vezes esteve na oposição, o que, segundo ele, é bem melhor:

– Aí que foi bom. O povo não exige muito.

Ele tem base no povoado de Riacho Seco, a 42 km da sede. Na despedida da conversa, Adão dá o lembrete: nunca foi a uma escola.

– Aprendi a ler em casa, com meu pai. Assino tranquilo e leio bem, sem queixas.

Imagine se tivesse estudado...

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