Bolsonaro dá o tom de sempre, o golpe, que ele quer, mas não pode

Publicado quarta-feira, 08 de setembro de 2021 às 06:03 h | Atualizado em 07/09/2021, 21:05 | Autor: [email protected]

E eis que no 7 de Setembro de 2021, deu o barulho, incomodativo na medida em que o arauto principal, o presidente Bolsonaro, mais uma vez, atacou o STF, se referiu ao ministro Alexandre de Moraes como ‘canalha’ e agrediu o arcabouço institucional sem pudor.

Bolsonaro atirou também contra governadores e prefeitos, segundo ele, responsáveis pelos graves problemas da economia, por terem impostos regras que limitavam a circulação de pessoas durante a pandemia. Foi de Alexandre Moraes a decisão dizendo que governadores e prefeitos também tinham autoridade para impor regras.

E se não houvessem as restrições, o que faria o Brasil (se tornaria caso único no planeta)? Tomar cloroquina. O preço disso em vidas seria um terror. E Bolsonaro: “Chega de mimimi, todos nós vamos morrer um dia’.

Confusão — Se o tom do recado de ontem, nas ruas e na boca de Bolsonaro, é o golpe, fica a pergunta: e ele tem condições de golpear?

O próprio Bolsonaro já admitiu em conversas reservadas que ‘a conjuntura internacional não ajuda’. Claro, em 1964, quando houve o golpe militar, o ponto xis do discurso era a ameaça comunista. Tal ameaça hoje só existe na cabeça dos bolsonaristas.

Diz o general Mourão, o vice, que os militares não estão ‘dispostos a embarcar nessa aventura’. Mas Bolsonaro está a pouco mais de um ano das eleições e não tem partido e ainda assim reúne muita gente. Pode não ter golpe, mas confusão, sim.

E os médicos se dividem

Uma postagem atribuída ao Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed) convocando a categoria para uma assembleia geral extraordinária, não presencial, para a noite de anteontem, a fim de discutir a participação em atos pró-Bolsonaro no 7 de Setembro provocou a reação em parte da categoria.

Mais de 300 médicos subscreveram documento em apoio à democracia e contra o que julgam ser as ‘agressões bolsonaristas’.

Evangélicos e os dissidentes

Entre os evangélicos, também apareceram as primeiras divergências públicas. O Movimento Batistas por Princípios emitiu nota para ‘desconvocar’ os que foram convocados para os atos em favor de Bolsonaro.

Os dissidentes dizem que na base da questão entram questões relacionadas aos ensinamentos de Jesus Cristo, o amor, o que, ressaltam eles, não combina com a pregação de mandar o povo pegar fuzil ao invés de feijão.

Globo sai do ar na Terra Máter

Um fato curioso aconteceu ontem em Porto Seguro, a Terra Máter do Brasil. O jornal ‘Hoje’, da Globo, mostrou ontem no início da tarde reportagens com manifestações pró-Bolsonaro. Quando ia mostrar as contra, simplesmente o sinal sumiu.

Há a suspeita de que foi um ato deliberado, por dois fatos. Primeiro, só o sinal da Globo sumiu. Segundo, tais situações, de sumir o sinal, só em dias chuvosos e atingem todas as emissoras. Ontem, deu sol.

Leão bate o pé e diz querer mesmo disputar o governo

João Leão, vice-governador e presidente do PP na Bahia, disse ontem que quem duvida da candidatura dele ao governo vai ter dupla surpresa, a de vê-lo candidato e vitorioso.

E como ficaria Leão no plano federal:

— Lula é meu amigo, eu fui líder do governo dele, mas sei que se Wagner for candidato ele fica com Wagner. E Bolsonaro vai ficar com quem quiser, menos comigo. Não tenho esse tipo de articulação. Vou só.

Leão diz que está correndo os quatro cantos da Bahia com a mesma mensagem.

— Percebo que há muita empolgação.

Leão integra hoje a base de Rui Costa e o entorno aposta que em 2022 ele e Otto Alencar, mais o PT, os pilares da base, estarão juntos.

REGISTROS

Campeão de morte

A ong Press Emblem Campaign divulgou ontem que dos 1.788 profissionais de imprensa que perderam a vida no mundo por conta da Covid, mais da metade era da América Latina. Brasil está no topo da lista, com 280 óbitos. E aqui, ainda teve gente achando que imprensa não era prioridade.

Antes tarde...

O IBGE começou a realizar na Ilha de Paquetá, no Rio, o Censo Experimental 2020. A prática é comum. Em 2019 foi feito em Poços de Caldas. Um dirigente do IBGE na Bahia diz que o que não é normal é fazer o Censo de 2020 em 2022, o que totaliza 12 anos de atraso.

Ponte de Trancoso

Jânio Natal (PL), prefeito de Porto Seguro, festeja: o Iphan liberou a construção da ponte sobre o Rio Trancoso, motivo de muitas polêmicas. Situada num sítio histórico, a tal ponte hoje é de madeira e precária. A nova, só vai parecer que é de madeira. É o acordo.

Top em vacina

Quem também solta foguetes é Wilker Torres (PSDB), prefeito de Casa Nova. Com 72,2% da população vacinada (a média nacional é 60,2%). Isso coloca o município entre os 30 que mais vacinaram no país. Ele diz que o mérito é do povo.

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