LEVI VASCONCELOS
E até a ponte Salvador-Itaparica acontecer, como fica o ferryboat?
A melancólica partida dos ferries Ipuaçu e Monte Serrat ontem rumo ao ferro-velho (o mesmo destino que o colega Gal Costa já tomou) suscita uma pergunta: até a ponte Salvador-Itaparica acontecer (um mínimo previsto de quatro anos), como fica o ferryboat?
Além dos três acima citados, o Agenor Gordilho, hoje ancorado em Bom Despacho, está prestes a ser naufragado para virar atração turística de mergulhador. Ao lado dele, está o Juracy Magalhães, com o casco arrombado, também a caminho do ferro-velho. Ironicamente os dois são os pioneiros de quando o sistema começou a operar em 1972.
Sem resposta - O sistema ferryboat, hoje sob concessão com a Internacional Marítima, conta com sete embarcações, sendo que duas sempre têm que parar para a docagem bianual, como agora. Ou seja, a população cresce e ele diminui.
Com a ressalva de que quatro (Ana Nery, Ivete Sangalo, Zumbi dos Palmares e Dorival Caymmi) foram comprados no segundo governo de Jaques Wagner, na única aquisição de barcos novos feita ao longo da história, ou o sistema recebe socorro ou pifa.
Com a palavra, Marcus Cavalcanti, secretário de Infraestrutura do estado:
– Estamos avaliando. Comprar um outro barco para operar apenas quatro anos é meio exótico. Podemos alugar um ou que alguém fabrique para nos alugar e depois fique.
Em suma, a pergunta fica esperando a resposta.
Flávio Dino, Neto e o soneto
E eis que na convenção do DEM do Maranhão, adivinhe quem apareceu? Ele mesmo, o governador Flávio Dino, do PCdoB, arauto da esquerda, com direito a foto de mãos dadas para cima com ACM Neto, presidente nacional do DEM.
Ressalte-se: lá não é como cá, DEM e PCdoB são aliados. E Dino foi convidado. Mas lembra o poema de Machado de Assis, Soneto de Natal, que termina assim: ‘Só lhe restaria o verso: mudaria o Natal ou mudei eu?’.
Irecê liga as antenas
Irecê, um dos grandes agropolos da Bahia, vive dias de intensa expectativa sobre o destino jurídico do ex-prefeito e ex-deputado Luizinho Sobral (Podemos).
A questão: com contas rejeitadas, condenado em 2ª instância, ele recorreu ao STF e o processo caiu nas mãos do ministro Luís Barroso.
Se se livrar, é favorito para 2018. Se não, o prefeito Elmo Vaz (PSB), que tem obras e fama de pé-duro na política, respira mais aliviado.
Isidório ataca com vampiros
O deputado Sargento Isidório (Avante) continua causando sensação em Brasília. Postou vídeo nas redes dizendo estar na CCJ quando se apreciava o projeto de reforma da Previdência, segundo ele, a reforma vampira, e disparou.
– Antigamente quando aparecia um vampiro, era a gente que procurava a estaca. Mas essa reforma aqui é o vampiro ao contrário: tirou a estaca dele e quer enfiar na traseira do povo brasileiro.
Wilson Andrade reage a ataque contra eucaliptos
Wilson Andrade, diretor-executivo da Associação Baiana de Empresas de Base Florestal (Abaf), não engoliu o fato de o deputado Alex Lima (PSB) ter dito que a plantação de eucaliptos no litoral norte é um ‘câncer’.
Ele diz que o setor de produção de madeira ocupa apenas 1% do território baiano, mas gera R$ 3 bilhões de impostos, 230 mil empregos e é responsável por 4% do PIB estadual, além de preservar em torno de 0,7% por hectare, mais do que exige o Código Florestal.
Também que o uso de agrotóxicos é menor do que outras atividades e usa estradas, sim, mas é responsável pela manutenção de muitas delas.
– E fazemos preservação de ecossistemas também. Quem quiser ver, daremos detalhes.
POLÍTICA COM VATAPÁ
Pensando no futuro
Conta Sebastião Nery em 350 Histórias do Folclore Político Brasileiro que em 1954, na despedida do governo, Régis Pacheco deu um aumento de 25% à PM. Tropa feliz, o comandante Almerindo Rhem reuniu a cúpula da corporação:
– Precisamos fazer uma homenagem ao Dr. Régis para mostrar-lhe nossa gratidão. Sobretudo porque ele perdeu a eleição (apoiou a candidatura de Antônio Calmon, que perdeu para Antônio Balbino) e sai derrotado. Vai levar essa boa lembrança nossa.
Começaram as sugestões. Nome de uma ala na Vila Militar, retrato no salão nobre, placa na entrada do comando, por fim decidiu-se colocar um busto dele no centro da Vila Militar.
Coronel Filadelfo Neto pediu a palavra:
– Está bem o busto lá em cima do pedestal, bem alto. Mas precisamos pensar no futuro. Vai haver outros governadores, outros aumentos e outras homenagens.
– E qual é a sua proposta então?
– Um busto com pescoço de rosca.