É estarrecedor, manifestações dos bolsonaristas estão virando terror

Veja você: uma manifestação na Esplanada dos Ministérios, na Praça dos Três Poderes, o STF, o alvo, junto do Congresso Nacional, pertinho do Palácio do Planalto, que fica na rua de trás. Aí está o coração institucional da República. Se assim o é, por que o Executivo não age para manter a segurança lá, é óbvio ululante?
Aí é que acontece algo tão espantoso que parece surreal. O presidente da República dá apoio aos manifestantes, que estrilam ódio, com um linguajar chulo para julgar-se a luz do caminho para a solução, uma ditadura. E até se compraz com isso. Consenso entre políticos: ditadura nenhuma presta, mas com eles? Seria um terror.
Pela forma — Precisou o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), um bolsonarista, ressalte-se, intervir, botando a polícia para reprimir, prendendo Sara Winter, a líder dos 300 do Brasil (que ACM Neto expulsou do DEM), e demitindo o comandante por ter permitido soltar rojões contra o STF. Bolsonaro calado estava, calado ficou.
Aliás, o presidente vem pautando uma longa agenda negativa durante a pandemia, que inclui o completo desprezo pelos cuidados recomendados na briga contra a Covid. Em Brasília se diz que, por incrível que pareça, é justamente a pandemia que o sustenta.
Começou hostilizando o Congresso (agora tenta se aproximar). Depois que Alexandre Moraes, do STF, o proibiu de nomear um agente da PF, mudou o foco. É estarrecedor, pela forma, a brutalidade e pela solução dada, a ditadura.
Lençóis, o portal da Chapada, e a briga para a Covid não entrar
Lençóis, o portal da Chapada Diamantina, festejado destino turístico baiano, vive um grande desafio, segurar a Covid, já presente em cidades de toda a região, que lá esteve, mas após o prazo de 14 dias do último, não.
O não é não mesmo ou ‘ainda’? O prefeito Marcus Airton (Republicanos), o Marcão, encara o desafio dando marcação cerrada.
Das quase 400 pessoas que chegaram de outras regiões de risco, 99 foram monitoradas e 295 cumpriram isolamento social.
De gente que teve contatos com suspeitos de outros lugares, de 57, nove foram e deram negativo, 10 já cumpriram isolamento e 10 estão isolados.
– É uma guerra. Mas estamos encarando a briga.
Se no combate à Covid Lençóis vai bem, no atacado perde muito. Ano passado foi eleita por mais de 23 mil pessoas no Prêmio Melhores Destinos do Brasil. Este ano quando ia colher os frutos...
Valença, onde Covid acelera
Em entrevista à Rádio Feliz FM, de Salvador (antiga Rede Vida), o governador Rui Costa se disse preocupado com o crescimento da Covid no baixo sul, citando Gandu (265 casos) e Valença (então com 258).
No que depender de Valença, razão para se preocupar é total. A cidade tem toque de recolher, mas de dia o isolamento é zero. A cidade tinha 98 casos na semana passada, fechou a última semana com 258 e ontem já tinha 272.
Virgínia Hagge vai e deixa Itapetinga de luto
Eleito vereador em Itapetinga em 1967, Michel Hagge instalou a partir daí um longo reinado ainda hoje vivo: elegeu-se prefeito pelo PMDB de 82 a 88, foi deputado três vezes, prefeito de novo, elegeu a filha Virgínia deputada e hoje o neto, Rodrigo Hagge, é o prefeito. Detalhe: nunca saiu do MDB.
O velho Michel, com 92 anos, ainda ativo, sofreu ontem sua maior derrota. Virgínia, 56 anos, que já havia passado por três cirurgias por conta de um tumor no cérebro, não resistiu.
Figura querida, Virgínia amealhou uma legião de amigos nos seus tempos de deputada. O lamento foi geral. O filho Rodrigo resume:
– É o pior dia da minha vida. Ela era uma mãe querida, mas também conselheira.
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