E no mix de nomes exóticos tem ele, ‘Humberto coveiro vem aí’

Publicado sábado, 10 de outubro de 2020 às 06:03 h | Atualizado em 10/10/2020, 08:15 | Autor: [email protected]

Os nossos bons cordelistas vão achar um prato cheio para destrinchar versos se der uma olha no registro de candidaturas do TSE. A permissão para o uso do nome social pelos candidatos produz um mix entre os que querem ser prefeito ou vereador digno deles.

Zé de fulano chove, como Zé de Cota e Zé de Fifio ou Jacy de Zé do Tempero em Água Fria, Nêgo de Zé Pequeno, Zé de Dodô, Zé de Maria do Carmo e Zé de Leo. Mas o jornalista Biaggio Talento foi quem descobriu a cereja do bolo: Humberto Coveiro Vem Aí, candidato a vereador pelo PV em Valença.

Zambiapunga — Mais uma figura folclórica em cena? Quem, como nós, apostou nisso perdeu. Humberto Silva Santos, 34 anos, casado, um filho, diz ter esse nome porque nove anos atrás, quando achou o emprego de coveiro no cemitério do povoado de Cajaíba, em Valença, passaram a chamá-lo assim.

– Eu me aproximava de alguém, ele dizia: ‘Humberto coveiro vem aí’. Colou.

Nunca ligou. Diz que sempre encarou a missão de coveiro com zelo, ‘respeito pelos que se vão e pelos que ficam’, mas também é figura ativa na área cultural: comanda a Zambiapunga de Cajaíba, uma manifestação folclórica regional.

Vez ou outra as coisas se misturam, numa boa. Como no caso do mestre Coutinho, capoeirista, filho da terra, que queria ser sepultado lá ao som da zambiapunga. Prontamente atendido, por respeito.

Fogo, tragédia em dose dupla

Os incêndios em Mucugê, no Parque Nacional da Chapada Diamantina, e em Andaraí, no Parque Municipal, estão causando terror e medo, até pela raridade. O Corpo de Bombeiros diz que a área está preservada há mais de 20 anos, sem qualquer tipo de incidência.  E o pior: que a origem pode ter sido criminosa.

O estrago ambiental, além da fauna e flora, bate nas narinas dos moradores, a fumaça persistente.

Ilhéus ganha um shopping

Já dono do Shopping Jequitibá, em Itabuna, o Grupo Chaves pretende fazer o mesmo também em Ilhéus. O anúncio foi feito pelo presidente do grupo, Manoel Chaves Neto, pelo Instagram.

São sinais positivos de que na retomada do velho normal Ilhéus só espera a eleição passar. Aliás lá, com o Porto Sul, a Fiol e a Zona Franca que está engatilhada, a terra dos coronéis do cacau vai construir um tempo novo na história.

O sofrimento dos nanicos

Celsinho Cotrim, candidato a prefeito do PROS, protagonizou ontem no horário eleitoral algo raro por aqui, comum em Rio e São Paulo, o corte abrupto da palavra pelo esgotamento do tempo.

A frase que encerraria o tempo dele era Agora é ele, sim. Saiu: ‘Agora é ele’, corte.

Mas quem chora mesmo é Rodrigo Pereira (PCO) e Cézar Leite (PRTB). Nem tempo têm, estão fora.

Eles dizem que, se o jogo já é desigual, fica pior.

No primeiro dia, os times da disputa se apresentam

No primeiro dia da propaganda no rádio e tevê da peleja 2020 em Salvador, cada um se apresentou sem maiores novidades na cena. Bruno Reis (DEM), que já é o líder das pesquisas, ganhou o apoio midiático ostensivo de ACM Neto, seu padrinho, prefeito muito bem avaliado, que aparece dizendo sem delongas que Bruno é a continuidade dele.

Na outra banda, Major Denice (PT) e Olívia Santana (PCdoB), ambas contando suas trajetórias de pretas, pobres da periferia e também ambas muito desenvoltas, pareciam a estampa de uma única moeda. Conclusão óbvia: duelam pelo mesmo espaço. E Isidório falou de si. No mais, promessas e pequenos beliscões. Se houver guerra, é de agora em diante.

POLÍTICA 

COM VATAPÁ

Dois Medauar

Conta Sebastião Nery que coisa de três décadas atrás a Bahia tinha dois Jorge Medauar, um poeta, publicitário, chefe da Sucursal de O Globo em São Paulo, onde morava.

Outro, advogado, deputado federal. Toca o telefone em casa de Jorge Medauar, o poeta:

– Alô, é o Dr. Medauar? Dr. Medauar, estou lendo na Folha que o senhor acaba de ser nomeado secretário de Justiça da Bahia. Estou telefonando para lhe dar os parabéns. Aqui em casa estamos todos muito felizes. Minha filha gosta muito de seus livros. São poemas lindos. Histórias de Água Preta é um livro maravilhoso,  Dr. Medauar! Estamos perdendo o senhor, mas a Bahia vai ganhar muito.

– Obrigado, mas há um engano. O Jorge Medauar que foi nomeado secretário de Justiça na Bahia não sou eu, não: é meu primo, faz política lá.

– Ah, quer dizer que o senhor não é o secretário? Me desculpe, foi engano.

E bateu o telefone.

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