LEVI VASCONCELOS
E o jogo político melou a ponte? “A ponte é maior”, dizem lá. E é
Confira a coluna de Levi Vasconcelos deste domingo, 8


Dizem que a Praça da Matriz,em Mar Grande, onde fica o terminal de embarque das lanchas para Salvador, é palco e cenário de momentos memoráveis para muitos. E se assim o é, nossa humilde contribuição com as tintas da campanha 2026.
E eis que numa roda de conversas lá alguém pergunta: ‘E será que a política vai melar a ponte?’
A reação veio do advogado Leite Matos, que mora numa casa coladinha ao canteiro de obras em Vera Cruz, onde Lula deu o start da ponte Salvador-Itaparica em 1º de julho.
– A ponte é maior!
E muito maior, convenhamos. E justo por isso ela entrou na ciranda política da vez.
NOVA BAHIA - ACM Neto não nega a importância da obra. Diz que ela é essencial para a Bahia. Ele nega é que Jerônimo, junto com Lula, tenha dado a partida pra valer no dia 1º de julho.
Também na roda lá da Praça da Matriz, o senhor Juvêncio Santos, 80 anos, filho de Santo Antonio de Jesus que mora na ilha, evocou a figurado médico Ursicino de Queiroz, que foi prefeito da terra dele entre 1977 e 1981 (depois foi deputado federal, secretário da Saúde e conselheiro do TCE).
– Ursicino dizia que adversário quando não tem defeito a gente inventa.
É precisamente o que fica parecendo no caso. Achar que é encenação aquele monte de máquinas e tubos na ilha e cercanias de um lado para outro, seria o teatro mais caro da história.
REDESENHO – E a preocupação em desqualificar a iniciativa vem exatamente da importância da obra. Não é uma obrinha, e foi por isso que Jerônimo levou jornalistas de todo o Estado lá, é episódio que vai redesenhar a Bahia doponto de vista econômico.
O PIB da Bahia é de 495 bilhões,1º do Nordeste e 5º do Brasil, 74% dele gira em Salvadore Região Metropolitana. Quando se atravessa a Baía de Todos-os-Santos e chega-se na ilha, ele desaba para 0,4%.
Sêo Juvêncio,o santaniense, diz que no seu momento de vida, aos 80 anos, vê no momento dois cenários sobre a ponte, muito distintos.
–Eu me chamo geração ferryboat, passei mais da metade da minha vida indo e vindo e essa página está em vias de ser virada. Outro momento é político. Quem faz a ponte quer colher as flores e o outro lado tenta botar tempero ruim. Isso não muda, é a velha velhacaria do jogo político.
E na velhacaria do jogo político, digo eu, mentira faz parte.
COLABOROU: MARCOS VINICIUS
POLÍTICA COM VATAPÁ
Na Capital do Bode
Uauá, no sertão norte da Bahia, cidade conhecida nacionalmente como A capital do bode, terra das andanças de Lampião e palco da primeira batalha da guerra de Canudos, é onde tudo gira em torno da ovino capricultura, que o povo sintetiza como ‘o pedaço do bode’. E tudo gira em torno disso, a economia, a política, o folclore e obviamente também a culinária.
Na política o povo, para estrilar suas desventuras, cunhou lá no início do século passado, a frase até hoje em vigor, sempre evocada: Terra de cabras fortes e políticos fracos.
Conta José Guimarães Filho, o Zé Branco, ex-prefeito da vizinha Andorinha, que lá um dia um forasteiro, chegando em Uauá, procurou um restaurante:
–O que tens aí para degustarmos, minha senhora?
–Tudo, tudo. Bode assado, bode moqueado, bode ensopado, bode malassado...
–A senhora tem alguma coisa que não seja bode?
–Fora disso, só ovos.
–Ah... Se não for de bode, eu quero.