E será que o povo vai votar com a pandemia ou melhor a multa?

Publicado terça-feira, 23 de junho de 2020 às 06:00 h | Atualizado em 22/06/2020, 22:59 | Autor: [email protected]

Se nas eleições tradicionais as filas de votação, especialmente nas primeiras horas, são gigantescas, como seriam elas numa eleição em plena pandemia?

O senador Otto Alencar (PSD) até tentou amanteigar o processo propondo uma emenda na PEC do adiamento das eleições que tornava o voto facultativo para os acima de 60 anos, proposta rejeitada:

– É claro que muita gente vai pular fora. Vai ser bem mais tranquilo pagar a multa da Justiça Eleitoral (R$ 3,50).

E o projeto que adia as eleições, a ser votado hoje no Senado, passa?

– No Senado, sim. Na Câmara, não.

Ou seja, a tendência é, já que teremos eleições com pandemia, que seja logo em outubro, como previsto.

Caso da França — Em torno de 60 países vão realizar algum tipo de eleição este ano. 47 já adiaram, 13 mantiveram. Até agora, a única experiência foi na França. Realizou o primeiro turno das eleições municipais em 16 de março, com o segundo no dia 22 seguinte. Só vai acontecer agora, dia 28.

O primeiro turno foi um fiasco: 56%, a grande maioria dos eleitores franceses, pularam fora. O segundo turno vai acontecer agora, quando o país está cheio de cautelas com apenas duas semanas que saiu do isolamento obrigatório. E no Brasil, qual será o cenário da votação? Sabe lá Deus.

Certo é que não dá para casar o fique em casa com o vá votar. Na França, não deu.

Uma luz no fim do túnel

Fábio Vilas-Boas, secretário da Saúde do estado, iniciou a semana ontem com uma boa notícia: o número de curados passou a ser maior do que o de infectados.

– Se as coisas evoluírem como estão indo, a próxima fase é a de mais curados do que novos casos. E a partir daí entra em decréscimo.

Sim, mas, ainda que isso aconteça, dá para segurar com o resto do país flexibilizando? Eis a questão: o problema é nacional, mas não parece.

Major Denice vai às redes

Major Denice, a virtual candidata do PT a prefeita de Salvador, vai fazer coletiva-videoconferência com jornalistas sexta, 26. Assim, vai botando o pé na estrada da única forma que pode, pelas redes.

Aliás, a grande aposta do PT, nas circunstâncias atuais, é no horário eleitoral, quando se espera a alavancagem para uma condição mais competitiva. A questão é que na tevê, como é proibido aglomerar, só vai ser discurso.

O tiroteio nas redes começa

Veja essa: o prefeito de Barra da Estiva, João de Didi (PTB), aparece numa foto de sexta passada sentado ao lado de duas pessoas, todos mascarados e fazendo o sinal de positivo. Está apanhando pesado nas redes. Dizem que ele está aglomerando em campanha eleitoral, descumprindo decreto de isolamento que ele próprio baixou.

É apenas um sinal do modelo das brigas que serão travadas pela Bahia afora. Na pandemia, internet é tudo.

Pelo menos 10 prefeitos já se infectaram com a Covid

Ana Paula Simões (MDB), prefeita de Barro Preto, agitou a região do cacau na noite de sábado. Ela postou nas redes vídeo no qual diz que foi visitar um amigo com Covid em Salvador e pegou.

– Minha vida é muito transparente. Gosto sempre de eu mesma dar a notícia a meu povo. (...) Resolvi fazer o teste também. Hoje recebi o resultado, infelizmente atestou positivo.

A lista dos prefeitos baianos com Covid inclui Cláudia Oliveira (Porto Seguro), Kaká (Wenceslau Guimarães), Luiz de Deus (Paulo Afonso), Mário Alexandre (Ilhéus), Manoel Potinha (Água Fria), Pitágora Ibiapina (Candeias), Antônio Elinaldo (Camaçari),

Rose Menezes (Campo Formoso) e Márcio Mariano (Muquém do São Francisco).

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