Lia Robatto e Aline França duelam pelo trono da Academia de Letras

A Academia de Letras da Bahia (ALB), um núcleo que congrega 40 notáveis das letras e da cultura baiana, está em tempo de polarização eleitoral e um duelo feminino, a coreógrafa Lia Robatto, figura respeitadíssima no mundo acadêmico, e a escritora Aline França. A eleição será terça à noite.
Na gênese da questão, as divergências ideológicas internas entre o grupo do professor João Carlos Salles, reitor da Ufba, que é de esquerda, e o escritor Joaci Góes, que renunciou à presidência na semana passada por conta dos atritos que as posições dele, especialmente as antipetistas, geraram.
É a partir daí que o duelo ganha um tom único na longa história da Academia de Letras da Bahia, desde 1794, 226 anos atrás, quando foi fundada com o nome de Academia dos Esquecidos.
A cor da briga — João Carlos Salles bancou Lia Robatto, acadêmica tão respeitada quanto querida. O também acadêmico Armando Avena lançou a escritora Aline França. Caiu como uma bomba.
O caso é que Aline, uma escritora, também é respeitada e é negra, disputando a presidência de uma casa que tem vasto saldo negativado com a negritude baiana justamente em Salvador, a cidade mais negra do Brasil.
Em toda a história, até hoje só nove negros passaram ou passam por lá, três deles, ressalte-se, nos últimos tempos (a própria Aline é uma). O duelo dos imortais em tempos eleitorais até se parece, não?
Dayane vai bem em Feira
Jornalistas de Feira de Santana dizem que, com a disputa polarizada entre o prefeito Colbert Martins (MDB) e o deputado federal Zé Neto (PT), quem está ganhando, comendo pelas beiradas, é a deputada Dayane Pimentel (PSL): batendo nos dois, está com quatro pontinhos nas pesquisas. É pouco para quem quer ganhar. Mas para quem começou com um...
Em Feira, é quase certo que vai ter dois turnos.
Pesquisas no lado criminal
Apuração feita pelo jornal O Globo, do Rio, revelou que tem gente na internet oferecendo pesquisas eleitorais com os resultados ao gosto do freguês. É a picaretagem em rede.
E na Bahia também tem. Algumas dão resultados tão disparatados que chegam a feder. E daí?
Conselho amigo: quando for contratar (para levar a sério, claro), o melhor é buscar referências sobre o instituto contratado.
Zezinho, o bi em cassação
Entre os duelos que o PP de João Leão e o PSD de Otto Alencar travam pela Bahia afora, o de Iramaia, na região de Jequié, tem um diferencial de bom porte.
José Rodrigues Carvalho Júnior, o Zezinho (PSD), tenta derrubar o prefeito Antônio Bastos, o Tunga (PP).
O detalhe é que Zezinho já se elegeu prefeito duas vezes, em 2004 e 2008, e nas duas acabou cassado, acusado de crimes eleitorais. Será que o tri vem?
TRE e TSE animam o tititi com as cassações baoams
Só em março de 1964, os militares cassaram 12 deputados baianos (Sebastião Nery, Ênio Mendes, Luís Leal, Osório Vilas Boas, Diógenes Alves, Wilton Valença, Hamilton Cohim, Luís Sampaio, Aristeu Nogueira, Padre Palmeiras, Oldack Neves e Octávio Rolim).
De lá para cá, só os deste ano, de uma só penada, três, Pastor Tom (PSL), Targino Machado (DEM) e Marcell Moraes (PSDB).
O fato é inusitado e produziu a pauta do tititi político da semana. O caso: por que Tom, Targino e Marcell ganharam de 4 a 3 no TRE e perderam de 7 a 0 no TSE? Como os cassados são da oposição, governistas dizem que ficou feio para o TRE, a mesma coisa cá e lá.
POLÍTICA
COM VATAPÁ
Pagando promessa
Ramiro Queiroz, bem-sucedido empresário, dono da rede de lojas Guaibim, elegeu-se prefeito de Valença pela primeira vez em 2004. Ganhou apertado, apenas 35 votos, mas convocou a imprensa para ir à Igreja do Amparo ver ele subir as escadarias, apenas seis degraus, de joelhos, para agradecer pela vitória.
O radialista Rodrigo Mário lá com câmera e tudo, recebendo esporro:
– Você chegou atrasado! Eu já paguei a promessa!
– Pague de novo.
De novo ajoelhou-se, subiu, quando lá chegou, Rodrigo cortou:
– Ih, rapaz! Esqueci de ligar a câmera. Você vai ter que pagar de novo.
– Você é doido, rapaz? Não é coisa de amador, é de burro mesmo!
Uma mulher que assistia à cena olhou para ele e falou:
– Ramiro, por que você não vai pagar essa promessa na Igreja Matriz?
E ele:
– Mande sua mãe!
A escadaria da Igreja Matriz tem 20 degraus e, ao longo, três rampas.
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