Luzia, a reitora do Ifba eleita em dezembro, ainda espera a posse

Publicado domingo, 20 de outubro de 2019 às 07:06 h | Atualizado em 19/10/2019, 17:23 | Autor: [email protected]

Já dizia Octávio Mangabeira, é sempre bom recorrer à máxima pense num absurdo, a Bahia tem precedente. Desta vez o palco é o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (Ifba). Lá, a professora Luzia Mota foi eleita em 13 de dezembro e até hoje, quase 10 meses depois, não tomou posse.

Pro tempore é uma expressão latina que significa transitório, ou por enquanto, qualquer coisa assim. E aí está o absurdo: no Ifba o reitor Renato Anunciação, que tumultuou o  processo e ficaria pro tempore, num pleito com quatro candidatos foi o último, mas virou o primeiro. Está até hoje.

Protelação — Luzia Mota teve 32,2%. Segundo ela, o processo foi tumultuado pelas tentativas de protelação do reitor (e candidato):

– Foram necessários dois mandados de segurança para garantir a realização da eleição.

A documentação com o resultado eleitoral, que elegeu ainda os diretores de campi, foi encaminhada ao  MEC em 10 de janeiro, para as avaliações jurídicas e trâmites visando ao encaminhamento à Casa Civil e a nomeação da reitora eleita, pelo presidente Bolsonaro.

Pelo contrário, o MEC não só deixou de efetuar o encaminhamento como ainda fez retroceder todos os procedimentos já efetuados. Luzia tem o apoio de 32 dos 42 representantes federais da Bahia, mas nem isso sensibiliza o ministro Abraham Weintraub, de resto, outro mestre em abrir precedentes absurdos.

Um outubro nem tão rosa

Muitos reclamam do Planserv, em boa parte dos casos sem justa causa, mas em alguns chega a ser irônico. Uma senhora, idosa de 85 anos, com câncer de mama, há 10 dias ganhou na Justiça, decisão do juiz Glauco Dainese de Campos, o direito de receber a medicação que ela não tem dinheiro para comprar, e até agora necas.

Como a doença não espera, a família está em polvorosa. Ironia: isso acontece justo no Outubro Rosa.

A lista tríplice virou de espera

Um fato está intrigando integrantes do TJ-BA: a OAB-BA elegeu em abril a lista tríplice para a escolha do próximo desembargador na cota dos advogados e até hoje, seis meses depois, o governador Rui Costa ainda não escolheu o agraciado, embora já tenha entrevistado os três.

Na lista, que já está batendo o recorde de espera, estão os advogados Gildásio Rodrigues Alves, José Soares Ferreira Aras Neto e Marcelo Junqueira Ayres Filho.

Ambev corre atrás do óleo

Não é só hoteleiros, barraqueiros e pescadores que sentiram o baque do óleo que emporcalha o nosso mar, a Ambev também.  Com a marca Corona, junto à Parley for the Oceans, vai botar o time em campo para ajudar a remover a sujeira em todo o Nordeste, nas praias que o Ibama indicar.

Bruna Buás, diretora de marketing da Corona, diz que a parceria com a Parley era para catar plásticos, mas apareceu o óleo...

Segundo Alden, a própria Alba atrasa agenda da PM

Também da PM, mas com postura bastante diferente das alopradas incursões do colega soldado Prisco (PSC), o deputado capitão Alden (PSL) ressalva que, de 34 direitos assegurados a servidores públicos, a PM só tem seis, ‘e a greve não está entre eles’. Ele lembra, todavia, que uma extensa pauta da corporação tramita na Assembleia e, mesmo quando aprovada, o governo não cumpre. Ele exemplifica dois casos, que julga absurdos:

1 – O policial que responde a processo não pode ser promovido. Quando adiante ele é declarado inocente, fica punido injustamente.

2 – O policial que responde a processo, mesmo gerado por fato em serviço,  tem que pagar o advogado.

– Para quem ganha R$ 2,7 mil, é um sufoco.

POLÍTICA COM VATAPÁ

Figura de retórica

Newton Macedo Campos, ex-vereador, ex-deputado, o maior contador de casos da política baiana do século passado, contava que no início de julho de 1920 houve consternação em Salvador. Morreu a bordo do navio Limburgia, que ia para a Europa, o ex-governador Luiz Viana, pai do também ex-governador Luiz Viana Filho, avô do ex-deputado federal Luiz Viana Neto.

No enterro, Cosme de Farias, com pouco mais de 25 anos, mas já destacado tribuno, foi o escolhido para falar em nome da Bahia, no Cemitério do Campo Santo.

– É tamanha a orfandade em que a todos nos deixa a sua morte que sentimos vontade de também com ele sermos sepultados.

 Hermano Santana, professor do Colégio da Bahia, gordo e alto, apelidado de Abacate sem Caroço, estava atrás, deu um forte espirro, Cosme de Farias tomou um susto, desequilibrou-se, quase caiu na cova. Olhou para o céu, emendou:

– Oh, Deus amado... Isto é uma mera figura de retórica. Só retórica.

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