No caso dos juízes que cometem crimes, esquerda e direita se unem
Confira a coluna de Levi Vasconcelos deste domingo

Esquerda e direita quase nunca se bicam, são os opostos do mesmo jogo. E quando a compostura das partes é extremada, aí é que não tem conversa mesmo. Mas como sempre há as exceções, estamos vivendo uma, a partir de um exemplo na Alba.
A decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que acaba a aposentadoria compulsória para magistrados e servidores públicos em geral que cometem crimes, uniu as duas bandas, os dois lados a favor.
Eles dizem ter a consciência de que em alguns papéis de Estado, como é o caso da magistratura, é justo que ele receba salários vitalícios para que as decisões de agora não gerem vinganças futuras. Mas, tolerar agentes maiores da lei cometendo crimes é conta pesada.
Olívia e Leandro –Fala a deputada estadual Olívia Santana (PCdoB), candidata a federal, arauto da esquerda.
– É uma decisão decente. Essa história de aposentadoria compulsória na verdade é um prêmio, e não punição. O preto, o pobre, o popular paga no rigor da lei. É uma contradição que não pode continuar.
Fala o deputado estadual Leandro de Jesus (PL), bolsonarista raiz, também candidato a deputado federal.
– Foi uma decisão acertada. Eu sou totalmente favorável. Punir com aposentadoria não é punição. Só tenho um reparo a fazer, pela forma. A alteração deveria passar pelo Legislativo, que é quem elabora as leis, e não apenas por uma canetada.
E ressalvam que isso é apenas uma correção de prumo. Até porque juiz não tem lado. E nem é pra ter.
‘Jesus vem aí’ garante trégua na briga de facções por muro
Um morador de um popular bairro na banda atlântica de Salvador, nomes e locais preservados para não descambarmos para o sincericídio, a verdade assassina, nos conta uma história interessante, interpretada por alguns como milagre de Jesus.
Dias antes da Semana Santa do ano passado, duas facções, BDM e CV, disputavam um muro em frente à praça principal do bairro. Lá um dia tinha um nome, o outro vinha, apagava, botava o dele, até o dia que alguém chegou e cravou no tal muro: Jesus vem aí.
O morador diz que a comunidade amou.
– Menino, foi um abençoado alívio. Jesus nos salvou também dessa vez.
Ele conta que a interferência divina foi tão forte que até hoje o Jesus vem aí está lá, ninguém mais mexeu. Ressalva que parece coisa pouca, mas é grande. A barra lá com a guerra de facções é pesada.
E a Loteba está de volta
No pacote de cinco projetos que o governo mandou para a Assembleia, além do novo pedido de empréstimo de
R$ 150 milhões, um autoriza o Estado a voltar a explorar o jogo, com a Loteba, através da Bahiainveste, a Empresa Baiana de Ativos.
Nada demais. Apenas o caso expõe uma das grandes demagogias nacionais. No Brasil, o jogo é permitido, menos o jogo do bicho e cassinos. Qual é o caso?
Subsídio do diesel não vai bater na bomba, diz Glauco
Glauco Mendes, presidente do Sindicombustíveis baiano, faz questão de esclarecer: o subsídio anunciado pelo governo, de R$ 1,20 por litro sobre o óleo diesel importado, não se refletirá diretamente na redução de R$ 1,20 no preço da bomba. O impacto vai ser proporcional no diesel importado, que atualmente representa 25% do diesel comercializado no Brasil.
– É bom esclarecer isso para que depois não se jogue a culpa nos revendedores, que não formam preço e nem definem custos. As distribuidoras não compram 100% do diesel que revendem nessa nova condição.
Ele, no entanto, diz ser a favor dos esforços do governo para conter a volatilidade dos preços.
POLÍTICA COM VATAPÁ
Tabaco na urna
Conta Pedro Marcelino, ex-prefeito de Alagoinhas, no livro ‘Alagoinhas – O que a memória guarda’, que lá um dia se candidatou a vereador um cidadão de nome Tabaco. Virou sensação, até pelos slogans que ele adotou: “Vai dar Tabaco, Tabaco todo mundo gosta, Vou de Tabaco”.
Hora da apuração. Era no tempo em que o voto era riscado no papel (as urnas eletrônicas começaram em 1996). Aí apareceu um voto: Xibiu. Gritaram:
– Voto nulo!
Ele foi à juíza:
– Doutora, o voto é meu.
– Não, senhor. O voto não é seu.
Apareceu outro voto: Xoxota. De novo a discussão, de novo na juíza, que cortou a conversa:
– Senhor, o voto não é seu e não me venha mais aqui questionar isso.
Fim da apuração, teve 200 votos, perdeu. E quando lhe perguntavam, reagia:
– E aí, Tabaco, como foi? – Fui o mais votado, mas fui garfado.
Puxava um papel do bolso e mostrava.
– Olhe aqui. Foram 200 em Tabaco, 150 em Xibiu, 130 em Xoxota e 190 em b…
Colaborou: Marcos Freitas
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