No jogo com Coronel, o próprio foi quem mais saiu perdendo
Confira a coluna de Levi Vasconcelos deste domingo

Dizem na cultura popular baiana que na Bahia o ano só começa depois do Carnaval. É como se a folia fosse o marco divisor do período festivo para o jogo da vida. Em 2026 tem a exceção da regra. Nos últimos dias, o racha de Angelo Coronel com o governo imperou no noticiário e também nas redes.
Em todo jogo tem vencedores e perdedores, e aí a regra está mantida. O maior ganhador é ACM Neto, justamente por nada ter a perder. O governo perdeu um aliado senador, que tem um filho deputado federal e outro estadual. Mas o maior perdedor foi o próprio Angelo Coronel.
Eleito em 2018 senador, no quinto mandato de deputado estadual, botou o filho Diego no lugar e em 2022 o elegeu deputado federal, botando na Alba outro filho, o Angelo Coronel Filho. E aí entra o xis da questão: com ACM Neto ele vai ter cacife para manter a dinastia?
LÍDICE – Sempre lembram que em 2018 ironicamente Coronel rifou da chapa majoritária a então senadora Lídice da Mata. Agora é vítima do mesmo processo, perdendo a vaga para Rui Costa. A diferença é que Lídice aceitou ser deputada federal, tinha um partido, o PSB, a cuidar. E Coronel tem uma família.
A coisa começou a dar mal para o lado de Coronel quando Rui Costa anunciou que iria disputar o Senado. Como Jaques Wagner, o timoneiro da era do PT no poder na Bahia, pela condição tem a vaga garantida, ficou a dele na berlinda. Deu Rui.
Falaram em chapa puro sangue, com Jerônimo, Wagner e Rui, todos do PT, contrariando a tradição de alianças, mas Wagner faz a correção. ‘Não é por ser do PT, é porque são dois ex-governadores’.
JERÔNIMO E OTTO – Pois é. Rui e Wagner, que não gostam muito de levar em conta pesquisas, dessa vez gostam. Em todas Rui aparece muito bem, inclusive para o governo. E isso foi levado em conta. E Coronel sobrou, descartou ser vice ou suplente, disse que foi tratado como merda.
Ressalte-se que ao longo do mandato já havia a queixa de que Coronel nunca foi um governista chapado. E chegou a confessar a Otto que se sentia mais atraído pelo time de Bolsonaro do que o de Lula.
Já Jerônimo assistiu a tudo de camarote, embora torcendo para tudo dar no melhor, com Coronel no grupo. Perdeu, enquanto Otto o tempo inteiro reafirmava que seria leal ao governo. Coronel até apareceu com uma proposta para se candidatar ao Senado, ficando o PSD, maior partido da base governista, com 115 prefeitos, no muro, sem apoiar ninguém nem para o governo federal e nem cá.
Um disparate, segundo Otto, que agora faz parte do time dos que caçam o apoio dos prefeitos ligados a Coronel. O resto fica para depois da folia.
POLÍTICA COM VATAPÁ
A confissão
Quem conta é Cláudio Leal, neto do ex-deputado Luiz Leal, que ficou amigo de Sebastião Nery, o jornalista que virou papa do folclore político, porque ele era colega do avô quando os dois foram cassados pela ditadura militar que se instalou em 1964.
E Nery lhe contou uma de Dom Avelar Brandão Vilela, arcebispo primaz do Brasil, com ACM. Iam os dois viajando num avião, um teco-teco, de repente uma forte turbulência, Dom Avelar com cara de assustado perguntou a ACM:
— O que está havendo?
— Eu acho que estamos a caminho de ver Jesus.
E Dom Avelar.
— Não me fale uma merda dessa!
Nery contou o caso nos jornais, Dom Avelar virou uma arara. Quando o encontrou, foi de dedo em riste impondo o cardeal ante o ex-seminarista:
— Ajoelhe-se!
Ajoelhou-se. E Dom Avelar:
— Você vai me dizer agora em confissão quem foi que lhe contou a história do avião?
— Ah, Dom Avelar. No avião só tinha o senhor, ACM e o piloto, né?
COLABOROU: MARCOS VINICIUSSiga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
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