O forrobodó de Bolsonaro já tem também os novos trambiqueiros

Notícia da prisão de Milton Ribeiro ecoou como uma bomba no São Joãi

Publicado quinta-feira, 23 de junho de 2022 às 06:05 h | Atualizado em 22/06/2022, 23:33 | Autor: Levi Vasconcelos
Nenhum ministro (ou ex) da Educação havia sido preso
Nenhum ministro (ou ex) da Educação havia sido preso -

Diz Bolsonaro que acabou a Lava Jato porque ‘a corrupção no governo do Brasil acabou’. E eis que com os fogos do São João explodiu a bomba: a prisão de Milton Ribeiro, ex-ministro da Educação dele, e de Arilton Moura e Gilmar Santos, ambos pastores evangélicos.

Ressalte-se: o forrobodó do Milton Ribeiro é caso único na história do Brasil: nenhum ministro (ou ex) da Educação foi preso. Pior: nas barganhas dos trambiques a ele atribuídos está uma certa quantidade de Bíblias,  livro sagrado dos evangélicos, que na grande maioria apoiam Bolsonaro. Aliás, os dois pastores acusados eram convivas do Planalto.

Geleia geral— Convém ressalvar que aí estamos vendo um exemplo de que o jogo político se configura com gente mal intencionada de todos os lados, como também gente honesta, no centro, na direita e na esquerda, claro, e corruptos idem, idem. Não é a ideologia que faz a honra e nem as religiões. Mas ter a pretensão de buscar um time só de honestos na política é piada.

Na política, bom dizer, honestidade absoluta é o que todos pregam, mas quando o  político está em campo disputando mandato, como ocorre agora, o bom para ele é quem lhe dá o voto, sem essa de pedir atestado de bons antecedentes.

O próprio Bolsonaro diz ter decretado o fim da corrupção, mas tem entre  os aliados duas figuras emblemáticas. Uma é Valdemar Costa Neto, o dono do PL, partido ao qual se filiou. E outro é Roberto Jefferson, o do PTB. Os dois foram condenados a oito anos de cadeia na Lava Jato. A diferença é que Jefferson é delator e Valdemar, não. Mas os dois estavam antes juntos com Lula e agora juntos com Bolsonaro.

Muita perda e nada de ganho

Aliados de Bolsonaro lamentavam ontem a prisão do ex-ministro Milton Ribeiro, Alguns classificaram como ‘um desastre’, outros, ‘o pior momento do governo’. 

O próprio Bolsonaro disse ontem que achou bom porque ficou claro ‘que a PF age com independência’.

Mas, no frigir dos ovos, ele perdeu mesmo. Perdeu no discurso do puro imaculado.

Bolsonaro e Lula em Cruz

Em Cruz das Almas, que já foi governada pelo PT e agora é por Ednaldo Ribeiro (Republicanos), partidário de Bolsonaro e João Roma, em algumas mesas do entorno do forró apareceram os vinhos Lula e Bolsonaro, a gosto.

Lula é um alemão naturalizado norte-americano e custa R$ 300 a garrafa. Bolsonaro é uma linha chilena, a Il Mito, e custa R$ 150.

Era uma vez Tranquilidade

D. Elenita Silva, moradora da rua da Traquilidade, na Boca do Rio, diz que antigamente o nome da rua fazia jus ao que nela se passava, mas esse é um tempo que acabou:

— Agora, no São João, inventaram esse negócio de ‘guerra de bombas’ e isso aqui virou um inferno. Ninguém pode andar na rua e ainda corre o risco de ver a casa bombardeada.

Segundo Zó, não aplicar a Lei da Zabumba é burrice

Forrozeiro e um dos arautos em defesa da cultura na Assembleia baiana, o deputado Zó (PCdoB) diz não entender como é que o estado dispõe de uma legislação tão boa como é o caso da Lei da Zabumba e não a aplica.

— Deixar de abrir espaço para o forró, que é uma manifestação genuinamente nascida na cultura popular, e assim abrir espaço para uma música que chamam de sertaneja, mas que  de sertaneja só tem o nome, é algo muito estúpido, simplesmente uma burrice.

A Lei da Zabumba prevê que 60% dos recursos sejam aplicados com o  forró. Cadê?

Publicações relacionadas