Prisco deflagrou greve na PM em tempo da Santa Dulce e se deu mal

Publicado sábado, 19 de outubro de 2019 às 08:00 h | Atualizado em 19/10/2019, 10:42 | Autor: [email protected]

Líder das greves da PM de 2001, 2012 e 2014, o soldado Prisco, do Corpo de Bombeiros, foi preso, expulso, respondeu a processos, ganhou o direito a reintegração e agora, quando estava no seu melhor momento, na condição de deputado estadual pelo PSC, tentou nova empreitada e se estrepou.

Esse pelo menos é o consenso entre os políticos. Se diz que ele cometeu dois erros crassos, um interno e outro externo. O interno: a PM, cuja grande maioria votou em Bolsonaro, anda inquieta com questões como a reforma da Previdência, que retira direitos. O externo: o movimento foi deflagrado justamente quando todas as atenções estavam voltadas para a canonização de Irmã Dulce.

Aspra — Resultado: o apoio na tropa foi baixíssimo, não teve mídia, muito menos apoio da opinião pública, a estratégia de saquear mercadinhos para forjar um aumento da insegurança está sob investigação com a suspeita de policiais participando, e, segundo os peritos, o atentado que ele diz ter sofrido foi armado.

O pior: o Ministério Público entrou pesado no caso, e a Justiça enfim abriu os sigilos da Associação dos Policiais e Bombeiros Militares e seus Familiares (Aspra), que arrecada a bagatela de R$ 600 mil por mês, com Prisco, acusado de ter desviado R$ 148 mil da entidade, investigado para se saber de onde tirou dinheiro para comprar um casarão em Santo Antônio de Jesus. Ninguém aposta um vintém pelo futuro dele, nem como deputado.

Guilherme fora da Ceplac

Capitão da reserva do Exército e cacauicultor no sul da Bahia e em Muquém do São Francisco, Guilherme Galvão de Oliveira Pinto foi demitido ontem do cargo de diretor-geral da Ceplac, para o qual foi nomeado em abril.

Guilherme tem forte identificação com a defesa do cacau, mas o motivo não se sabe. É certo que a Ceplac vai passar por uma recauchutagem prometida pela ministra Tereza Cristina, depois de ameaçada de extinção.

Maus sinais em Maraú

Reginaldo Bispo dos Santos, o Regi (PRB), vereador em Maraú, diz que até agora o óleo que tanto emporcalha as praias nordestinas ainda não chegou à Baía de Camamu, mas já há sinais.

Na Península de Maraú, a primeira praia oceânica na banda sul da Baía de Camamu, têm aparecido aves meladas de óleo, mortas:

– O pessoal está creditando às correntes marítimas, que trazem os animais.

Oxalá seja só isso.

Rangel vai encarar LEM

Comandante Rangel, que ano passado disputou o Senado na Bahia pelo PSL de Bolsonaro, andou por Brasília e foi concitado por figurões do Planalto a entrar na peleja de 2020. Alvo, a prefeitura de Luís Eduardo Magalhães, ou LEM, como chamam, hoje administrada por Oziel Oliveira (PSD).

E com briga interna no PSL Rangel entrará na disputa pelo partido? Os amigos dizem que a única coisa  certa é que estará com Bolsonaro.

Na pesca, estrago do óleo é gigante, diz Raimundo

Presidente da Federação Bahiana da Pesca e deputado federal, Raimundo Costa (PL) diz que ainda não se avaliou a dimensão do estrago que o óleo no mar está causando, mas uma coisa é certa:

– O estrago é gigantesco. Em 1999 houve aquele vazamento de óleo em São Francisco do Conde e, mesmo depois do problema sanado, as pessoas se recusavam a comprar o peixe, com receio.

Raimundo diz que ontem esteve na Marinha e procurou saber se há o risco de contaminação dos estuários dos rios. É difícil, porque a correnteza empurra o óleo para fora, mas não se sabe. E também que a decisão da ministra Tereza Cristina (Agricultura), de antecipar o defeso, é pouca coisa.

– O defeso tem curto prazo. Em São Francisco do Conde o problema demorou mais de três meses.

POLÍTICA 

COM VATAPÁ

A explicação

Essa quem conta é Sebastião Nery, que no golpe militar de 1964 era deputado estadual na Bahia, foi cassado e preso junto com mais de 200 outros políticos, como Chico Pinto, prefeito de Feira de Santana, Pedral Sampaio, prefeito de Conquista, Mário Lima, deputado federal, e Newton Macedo Campos, deputado, todos no Forte do Barbalho.

Nos primeiros dias de abril de 1964, o prefeito de Salvador, Virgildásio Sena, também foi cassado e preso.

Deu o maior zumzum.  Manso e pacífico, Virgildásio,  era de esquerda, mas se elegeu com apoio de Juracy Magalhães, o poderoso chefão do golpe militar na Bahia. Por que foi preso?

A imprensa e os políticos cobravam uma explicação. Um mês depois, o major Douglas, relações da 6ª RM, apareceu na TV para dar uma satisfação:

– Baianos há um mês perguntam por que o Virgildásio foi cassado e preso. Vim aqui informar e explicar. Informar que ele acaba de ser solto. E explicar que foi preso porque tinha que ser preso e foi solto porque tinha que ser solto.

E foi embora.

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