MADE IN BAHIA
A importância da cultura no desenvolvimento da Bahia
Confira a coluna Made In Bahia


Segundo o poeta Ferreira Goulart “a arte existe porque a vida não basta”. Em minha opinião é uma das melhores definições sobre o efeito e importância da arte e da cultura na vida das pessoas. Segundo a Unesco, Cultura é “fundamento da identidade, da energia e das ideias criativas dos povos, em toda sua diversidade, sendo, portanto, fator de desenvolvimento e coexistência”. Estima-se que o intercâmbio entre culturas e civilizações se traduz em uma troca jamais vista.
Estudo da FGV Projetos baseado na OCDE, Unesco e trabalho da UK Department for Culture, Media & Sport definiu 5 áreas de atividades para estabelecer 3 dimensões sobre o peso da economia da cultura no PIB: orçamento público, mercado de trabalho e consumo das famílias. As áreas definidas foram: Patrimônio e Instituições Culturais; Livro e leitura; Artes Cênicas, Dança e Música; Audiovisual e Vitalidade e diversidade cultural. No Brasil o setor emprega 5,9 milhões de pessoas e concentra 9,5% de todos os MEI´s. Em 2023 as atividades culturais somaram R$ 910,6 bilhões em receita líquida.
A Bahia se destaca nos cenários nacional e internacional pela pluralidade e singularidade cultural, reunindo muitos atributos tombados como patrimônio cultural (material ou imaterial). Setores como educação, turismo e eventos são fortemente impactados positivamente pelos atributos culturais do Estado. A Bahia é parte essencial da história do Brasil materializada por edificações e sítios arquitetônicos como Centro Histórico/Antigo; Museus, Igrejas; Monumentos; Documentos, Fortes e Faróis dentre outros como também pela gastronomia, música, dança, literatura, cinema e audiovisual, artes plásticas e cênicas. É guardiã da memória nacional e testemunha da consequência da multiculturalidade que gerou identidade própria. A Cultura é forte expressão econômica da Bahia. Nosso patrimônio é de inestimável valor, mas não é inoxidável ao tempo e nem blindado frente aos modismos e ao avanço tecnológico.
Temos bons exemplos como revitalização da rua Chile e centro antigo de Salvador; recuperação dos teatros Castro Alves, Vila Velha e Dona Canô; novos agentes como CCBB e Caixa Cultural abrigados em edificações históricas que estavam vazias. O estado lidera ranking de feiras e festas literárias no país. Dados da FGV indicam que a cada R$ 1 injetado na cultura pode retornar até R$ 7,59 para a economia brasileira, além de impulsionar turismo, comércio e arrecadação de impostos. Que a iniciativa privada se una mais ao poder público e agentes culturais para destacar ainda mais esse grande ativo de identidade e vetor econômico.
Presidente do Conselho Curador do Museu Costa Pinto*