A Potência produtiva do Agro versus o risco jurídico na Bahia
Confira a coluna Made In Bahia

A Bahia deixou de ser apenas um território de produção agrícola para se consolidar como uma verdadeira plataforma de desenvolvimento econômico e social, com o agronegócio como eixo central dessa transformação.
Responsável por cerca de 30% do PIB estadual, o setor posiciona o estado entre os principais polos nacionais de produção de grãos, fibras, frutas e ativos florestais, combinando escala, tecnologia e eficiência. O oeste baiano simboliza esse avanço, com operações empresariais sofisticadas, alto nível de mecanização e integração produtiva.
Mais do que produzir, o agro baiano reorganiza o território e gera desenvolvimento humano. A atividade impulsiona a expansão de infraestrutura — estradas, energia, armazenagem e conectividade —, viabiliza serviços, fomenta a qualificação profissional e cria oportunidades em regiões historicamente afastadas dos grandes centros. Trata-se de um vetor concreto de interiorização do crescimento e distribuição de renda.
Esse efeito multiplicador fortalece cadeias produtivas, estimula agroindústrias e densifica economias locais, criando bases mais resilientes para o crescimento de longo prazo.
Contudo, há um entrave estrutural que limita esse potencial: a fragilidade do ambiente jurídico. A Bahia convive com insegurança fundiária, conflitos possessórios, questionamentos sobre titularidade de terras e um ambiente regulatório ambiental marcado por instabilidade, burocracia e baixa previsibilidade.
O impacto é direto. O risco jurídico eleva o custo de capital, desestimula investimentos e compromete decisões estratégicas de longo prazo. Em um setor intensivo em capital e dependente de previsibilidade, a insegurança não é periférica — ela é determinante.
O resultado é um desalinhamento claro: a Bahia possui uma das agriculturas mais eficientes do país, mas opera aquém do seu potencial por limitações institucionais.
O estado reúne condições para se consolidar como um dos principais polos globais de produção sustentável. Mas isso exige um avanço objetivo em segurança jurídica, estabilidade regulatória e coerência institucional.
Falo como advogado atuante no setor e professor dedicado à formação de lideranças: o próximo salto do agronegócio baiano não será produtivo, será institucional.
A Bahia já provou que sabe produzir. Agora precisa garantir que quem produz tenha segurança para investir, expandir e perpetuar suas operações.
*Advogado especialista em agronegocioSiga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
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