MADE IN BAHIA
A saúde como vetor de crescimento da Bahia
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Poucos setores têm hoje tanto impacto sobre o presente e o futuro da Bahia quanto a saúde. Além de essencial para a vida das pessoas, a saúde se transformou em uma poderosa engrenagem econômica, capaz de gerar empregos, atrair investimentos, impulsionar inovação e movimentar cadeias produtivas.
A Bahia é um dos estados com a menor renda per capita do Brasil e uma grande parte da população depende do SUS. Isso faz com que o setor público ainda seja o maior responsável pelos investimentos em hospitais, equipamentos e expansão da assistência. Mesmo assim, somos um estado com mais de 15 milhões de habitantes, grande o suficiente para apoiar um setor privado de saúde forte e sofisticado.
O setor de saúde tem um impacto muito grande na economia, incluindo construção civil, tecnologia, logística, hotelaria, alimentação, lavanderia e uma ampla rede de fornecedores.
Nesse cenário, vão surgindo os hospitais de transição de cuidados, como o Hospital Casa de Retiro São Francisco, que está prestes a ser inaugurado em Salvador e é voltado para desospitalização, reabilitação e cuidados paliativos. Esses hospitais, embora ainda novos no Brasil, estão se firmando como uma das principais tendências da saúde moderna, oferecendo um ambiente melhor para recuperação prolongada e cuidados continuados.
O governo estadual tem adotado uma boa política de descentralização dos serviços de alta complexidade, com hospitais regionais bem estruturados em várias regiões. Porém, o modelo de gestão, baseado principalmente em organizações sociais, tem mostrado limitações. A Bahia foi pioneira em parcerias público-privadas (PPPs) na saúde e é hora de avançar para novas parcerias que tragam mais eficiência, inovação e sustentabilidade.
Um dos principais desafios que temos na Bahia é fortalecer a indústria farmacêutica local. Nesse contexto, os investimentos na Bahiafarma têm sido acertados, mas precisam ter metas que sejam realistas e sustentáveis.
Quanto ao Planserv, os esforços do governo são dignos de reconhecimento. Contudo, a solução estrutural envolve uma verticalização parcial da rede, como já acontece em várias partes do país, com unidades próprias de emergência, centros de diagnóstico e hospitais, utilizando modelos modernos como BTS e contratos com margens negociadas.
A saúde não é mais apenas uma questão social, mas também uma parte estratégica do desenvolvimento econômico. A Bahia tem uma demanda crescente e várias oportunidades para estabelecer um ecossistema de saúde moderno, capaz de gerar inovação, empregos e desenvolvimento. Poucos setores têm um potencial tão grande de transformar a economia e a vida das pessoas ao mesmo tempo.
*Diretor Presidente do Hospital Casa de Retiro São Francisco