A tecnologia na área da saúde e suas perspectivas
Confira a Coluna Made In Bahia

A Constituição de 1988 a consagrou como direito de todos e dever do Estado. A concretização disso exige participação articulada dos setores público e privado. É um desafio estrutural, permanente e complexo, com novos contornos diante dos aspectos demográficos do país. O Brasil envelhece. Vivemos mais e desejamos viver melhor.
Em 20 anos a expectativa de vida do brasileiro aumentou em 3,4 anos. É uma conquista objetiva. Resulta do avanço científico, da ampliação do acesso aos serviços e, sobretudo, da incorporação de tecnologia aos processos assistenciais. A telemedicina encurtou distâncias e ampliou o acesso ao cuidado especializado, especialmente em regiões remotas.
O prontuário eletrônico integrado qualificou a coordenação entre profissionais, organizou dados clínicos e reduziu riscos. A IA antecipa eventos adversos, otimiza agendas e aprimora o uso de recursos. Dispositivos monitoram sinais vitais e contribuem para a prevenção de doenças crônicas. Imunoterapia, terapias genéticas e cirurgia robótica representam nova fronteira de precisão, personalização e segurança.
A pandemia acelerou esse movimento. A tendência tornou-se necessidade. Resistências culturais foram superadas e a transformação digital integra a estratégia das instituições de saúde. O Hospital Santa Izabel materializa essa visão.
Com 500 leitos e 19 programas de residência médica, atua em alta complexidade e dispõe de serviços avançados, incluindo hemodinâmica, radioterapia, quimioterapia, transplante de medula óssea, exames de imagem de alta definição e cirurgia robótica.
A integração dos serviços ao prontuário eletrônico permite uma visão horizontal da jornada do paciente, com decisões ágeis e desfechos consistentes. A maturidade digital da instituição foi recentemente avaliada por metodologia internacional. Em uma escala de 0-100, alcançamos 72 pontos em tecnologias utilizadas, frente à média regional de 45.
Em governança e preparo para a jornada digital, atingimos 57 pontos, também acima da média. Mais do que números, esses resultados refletem cultura organizacional orientada por dados, segurança e melhoria contínua. A tecnologia não substitui o cuidado humano. Ela o potencializa.Amplia a capacidade de diagnóstico, reduz incertezas e fortalece decisões clínicas.
O futuro da saúde não será apenas mais tecnológico. Será mais integrado, mais preventivo e mais centrado no paciente. A saúde do século XXI será definida pela nossa capacidade de unir ciência, gestão e propósito. Jornada desafiadora, mas irreversível. Nela reside a oportunidade de oferecer não apenas mais anos de vida, mas também mais vida aos anos.
*Superintendente da Santa Casa da Bahia
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